O que é verdade e o que é ficção no filme 1917, indicado ao Oscar? [LISTA]

Produção dirigida por Sam Mendes é baseada em histórias contadas pelo próprio avô, Lance Corporal Alfred H. Mendes

Redação Publicado em 24/01/2020, às 11h18

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George MacKay em 1917 (Foto: Francois Duhamel / Universal Pictures)

Com 10 indicações ao Oscar e já ovacionado pelas conquistas no Globo de Ouro nas categorias de Melhor Diretor e Melhor Filme de Drama, 1917 é uma produção situada no conflito da Primeira Guerra Mundial que retrata alguns eventos contados pelo avô do diretor, Sam Mendes, durante a infância. 

Feito para parecer que foi filmado apenas em um plano-sequência, 1917 alude à brutalidade e durabilidade da guerra ao seguir a jornada de dois soldados corajosos durante 24 horas que, depois de saber dos planos de outra empresa cair em uma armadilha alemã, devem atravessar o território e enviar uma mensagem de aviso antes que 1.600 soltados inocentes sejam mortos. 

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A produção recebeu muitos elogios da crítica pela cinematografia triunfante, liderada pelo diretor de fotografia Roger Deakins. Dedicado à memória do avô, Lance Corporal Alfred H. Mendes, um corredor de mensagens do exército do país durante a guerra, a superprodução nos faz pensar: quanto do filme é verdadeiro e quanto foi adaptado para às grandes telas? Por isso, o Screenrant separou alguns pontos importantes para separar a ficção da realidade: 

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Os horrores da "Terra de Ninguém"

No início do filme, as forças britânicas e alemãs estão em uma guerra de trincheiras, um método de combate que floresceu durante a Primeira Guerra Mundial. Com vários homens amontoados entre barreiras instáveis e escavados nos corredores de terra, cada exército trocava tiros um com outro com metralhadoras e artilharias pesadas. O espaço que separa a trincheira de cada nação é conhecida como "Terra de Ninguém" (quase uma morte certa). 

Segundo Jonathan Casey, diretor de arquivos e centro de pesquisa Eward Jones no Museu e Memorial Nacional da Primeira Guerra Mundial, os momentos do filme dedicados a retratar os horrores da "Terra de Ninguém" são "preciosos". 

"Essas eram áreas incrivelmente desagradáveis, cheias de doenças, morte e destruição, e o filme compartilha essas condições terríveis". 


Operação Alberich 

Embora seja verdade de que os alemães estavam recuando, isso foi apenas para ficar em uma posição melhor para atacar as forças britânicas que avançavam. Em outras palavras: foi uma armadilha. Essa configuração é muito semelhante à que o verdadeiro exército alemão executou na Primeira Guerra Mundial e isso foi chamado de Operação Alberich, que ocorreu entre fevereiro e março de 1917 (os eventos do filme ocorrem em abril). 

Nesse período, os soldados alemães se retiraram das posições e se mudaram para a Linha Hindenburg, uma posição mais curta e de fácil defesa perto do rio Aisne, no nordeste da França.

Mesmo que não houvesse um grande ataque planjeado pelo exército britânico nesse período, a retirada foi considerada um grande sucesso para os alemães. E semelhante ao que visto no filme, a Operação Alberich envolveu a destruição da arquitetura e máquinas da região: ferrovias e estradas foram escavadas, árvores foram derrubadas, armadilhas foram plantadas e prédios e cidades foram deixados em ruínas. 

Apesar do dano ambiental que ocorreu durante a operação, ela é considerada pelos historiadores como uma das operações de defesa mais inteligentes da guerra. 


Os personagens de 1917 eram reais?

Praticamente todos os personagens do filme, embora baseados em participantes reais da guerra - heróis e vilões - são uma invenção de Mendes e Wilson-Cairns. O mesmo vale para os vários oficiais interpretados por Firth, Mark Strong e Benedict Cumberbatch ao longo da produção. 

Sendo assim, Blake e Schofield são vagamente inspirados pelo avô de Mendes. Durante a guerra real, como mensageiro, Alfred Mendes se ofereceu para participar de uma missão muito perigosa, algo semelhante ao realizado em 1917.

Em 12 de outubro de 1917, vários soldados britânicos receberam ordens para recuperar a vila belga de Poelcappelle, que foi tomada pelos alemães. O ataque, que ocorreu sob a chuva torrencial, foi um desastre; 158 dos 484 homens do batalhão de Alfred foram mortos, feridos ou deixados desaparecidos. 

Quando o comandante de Alfred fez um pedido para que um corredor localizasse as posições dos homens desaparecidos e retornasse, Alfred se ofereceu e foi à localização e resgatou vários sobreviventes.

No livro de memórias, Autobiography of Alfred H Mendes (1897-1991), ele escreveu: "Apesar dos atiradores, dos metralhadores, cheguei de volta sem riscos, mas com uma série de experiências arrepiantes. Isso manteria meus bisnetos e bisnetos fascinados por várias noites". 


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