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O tempo voa: 20 músicas que, acredite ou não, já completaram 20 anos

Redação Publicado em 25/06/2013, às 20h01 - Atualizado às 20h08

Galeria - 20 músicas de 20 anos - Capa  - Nirvana
AP

“Loser”, do Beck

Quando Beck apareceu na cena musical, em 1993, ele era “o cara”. Jeito de menino, roupas cheias de estilo e batidas funkeadas – parecia que tudo o que ouvíamos na MTV era “Beck fez isso, Beck fez aquilo”. Não era problema o fato de o refrão de “Loser” soar como um hino para aqueles formandos preguiçosos que trabalhavam em uma loja de sapatos ou em cafeterias durante a recessão dos anos 90. Hoje, o artista de 42 anos continua a fazer música, explorando uma variedade de gêneros. Mas os outros que, como ele, passaram dos 40, ainda relembram da canção como a trilha sonora para os seus primeiros fracassos.


“It Was a Good Day”, de Ice Cube

Ser um gangster pode ser algo bastante estressante (como todos nós sabemos). Mas quando Ice Cube lançou esta canção otimista, era bom saber que mesmo os bandidos mais pesados também conseguiriam ver o lado bom da vida. Sim, ainda há, na música, coisas politicamente incorretas (como o verso no qual ele diz ainda não “ter usado minha arma A.K.” naquele dia). À luz da violência de South Central, até mesmo otimismo envolto de ironia oferece um relance de esperança, especialmente quando se coloca um sample de “Footsteps in the Dark”, de Isley Brothers, no meio de tudo isso.


“All Apologies”, de Nirvana

Kurt Cobain dedicou esta canção à esposa Courtney Love e à filha deles, Frances Bean Cobain. Quatro meses depois do lançamento dela, Kurt se foi. Prefácio para a carta de suicídio escrita à mão pelo músico, “All Apologies” foi o último single da banda, ao lado de “Rape Me”.


“Who Am I (What's My Name?)”, de Snoop Doggy Dogg

Até mesmo aqueles que não ouviram o tal nome no disco The Chronic (1992), do Dr. Dre, ouviram bastante depois, no álbum de estreia de Calvin Broadus, que tinha 22 anos, à época: uma espécie de versão preguiçosa da vida de gângster, de forma nada ameaçadora. Tudo suavizou ainda mais com os anos – e com o regime a base de erva -, e ele mudou o nome para Snoop Lion. O último trabalho, aliás, está mais para “rasta” do que “gangsta”.


“Runaway Train”, de Soul Asylum

Dois anos depois de fugir da Califórnia, Elizabeth Wiles, de 16 anos, se viu no vídeo de “Runaway Train” e decidiu voltar para a família dela, em Lamar, Arkansas. A canção fala mais sobre a perda de um amor do que dos filhos, mas o diretor do vídeo Tony Kayne decidiu fazer com que o vídeo tratasse das fugas em si. Três diferentes clipes feitos nos Estados Unidos, além de outros feitos no exterior, mostraram fotos de várias crianças desaparecidas. Muitas delas voltaram para casa depois de se virem nos vídeos. Mas nem todas tiveram um final feliz. Algumas ainda estão perdidas; outras foram encontradas mortas. Ainda assim, o vídeo permanece como um testemunho do poder da mídia – e do rock and roll – quando algumas coisas horríveis não podem ser desfeitas.


“No Rain”, do Blind Melon

Aos 10 anos, Heather DeLoach colocou uma fantasia de abelha e começou a definir a imagem dos anos 90. A dançante abelhinha não sabe fazer grandes movimentos de dança, mas foi memorável. A imagem que saiu em “No Rain” se tornou gigantesca e Heather se viu em meio a um turbilhão: encontrou-se com a Madonna, dividiu camarim com o Red Hot Chili Peppers e fez piadas com Jay Leno. O cantor do Blind Melon Shannon Hoon morreu por overdose em 1995, mas ela apareceu no vídeo do Weird Al Yankovic, formou-se e fez aparições em programas como Plantão Médico e Reno 911. Hoje, ela é dona de um negócio próprio chamado Sweet Candy Stations and Event Planning em Lake Forest, na Califórnia.


“Creep”, do Radiohead

Se “Loser”, do Beck, é um hino para os preguiçosos, “Creep” é um chamado para os esquisitos, como dizem os versos dela: “I’m a creep, I’m a weirdo, I don’t belong here”. Naquele momento, o Radiohead parecia ser um grupo de hit único, mas eles logo viraram esse jogo e se estabeleceriam como uma das mais aclamadas e inovadoras bandas dessa geração. E, ainda assim, às vezes, eles ainda tocam “Creep”.


“I Will Always Love You”, de Whitney Houston

A morte de Whitney, no ano passado, ainda é chocante. E, agora, a obra prima dela – a cover de Dolly Parton – completou 20 anos. Gravada para a trilha sonora de O Guarda Costas, a canção foi lançada em 1992, mas foi bem-sucedida e acabou se tornando um dos grandes hits do ano seguinte. Kevin Costner, protagonista ao lado de Whitney no filme, escolheu esta música a dedo para o longa-metragem e ela se encaixou perfeitamente para embalar o romance de um casal no qual cada um precisa seguir o próprio caminho.


“I’m Gonna Be (500 Miles)”, do Proclaimers

Esta música não é dos mesmos caras que fizeram “Birdhouse in Your Soul”. Aqueles eram o They Might Be Giants. Mas, sabe, é a mesma coisa: são uma dupla de nerds. Exceto que, neste caso, são nerds escoceses. Gêmeos, aliás. Embora esta canção tenha sido adicionada à prateleira de rock-idiota, os Proclaimers não pararam por aí. Recentemente, eles lançaram uma coletânea com os maiores sucessos que incluía esta e outras 29 faixas. A banda lançou o nono disco em abril e, sim, eles continuam com esses óculos nerds quando sobem ao palco.


“Whoomp (There It Is)”, do Tag Team

Quando estiver nos Estados Unidos, faça esse teste: vá a um bar lotado e grite bem alto “whoomp!” Se ninguém gritar “there it is!”, você de alguma forma foi transportado para um planeta muito distante. Mesmo que já faça 20 anos desde que o Tag Team tenha lançado essa música, qualquer homem, mulher ou marciano sabe que depois de um “whooop!” sempre vem um “there it is!”.

O grupo acabou em 1995, mas eles voltaram às manchetes em 2012, quando rumores deram conta de que um jovem Barack Obama estava no vídeo. Era mentira.


“What's Up?”, de 4 Non Blondes

Não parece fazer tanto tempo desde que Linda Perry cantou “hey yeah yeah eh-eh”, mas muitos anos já se passaram. É por isso que Linda Perry, com sua cartola enorme e uma expressão meio lunática, é uma one-hit wonder. Esta música é costumeiramente relegada às listas de “Piores músicas de todos os tempos”. Nos anos 2000, contudo, Linda reapareceu (sem chapéu, infelizmente) como compositora de músicas para Pink, Christina Aguilera, Gwen Stefani, entre outros.


“I Would Do Anything for Love (But I Won't Do That)”, de Meat Loaf

Então, o que exatamente é isso que ele diz no título: “eu faria tudo por amor, menos isso”? O consenso diz que – e não somos apenas nós a dizer isso, ok? – que tem a ver com o ato sexual. Meat Loaf provavelmente não ligou para a especulação, já que ela o ajudou a conseguir atenção. Ele aproveitou o retorno, mas acabou voltando para a obscuridade por vários anos até que chamou a atenção de novo, ao gritar com Gary Busey no Celebrity Apprendice. Meat, depois, pediu desculpas e disse que foi o momento mais embaraçoso da vida dele – um comentário que deveria ser revisto depois que ele destruiu a música “America the Beautiful” em um comício de Mitt Romney, então candidato à presidência dos Estados Unidos, em 2012.


“Insane in the Brain”, do Cypress Hill

Eis aqui um curto diálogo ouvido em 1993:

Cara nº1: “Esse rapaz é louco, cara”

Cara nº2: “É. Ele é insano”

Cara nº1: “Muito insano?” [uma tradução livre para a gíria “Insane in the membrane?”]

Caras nº 1 e 2, em uníssono: “Louco da cabeça!” [”insane in the brain!”]

E assim segue a letra deste rap que parece ser primo de “Jump Around”, do House of Pain: um hip-hop pró-maconha que se tornou um grito de guerra para aqueles que são um pouco mais malucos do que os outros.


“Soul to Squeeze”, do Red Hot Chili Peppers

Embora a banda tenha por volta de 30 anos – e tenha recentemente ingressado no Hall da Fama do Rock and Roll – ainda temos a impressão de que o Chili Peppers é uma banda nova. Só que três deles já estão na casa dos 50 e tantos anos, e isso já é dez anos a mais do que tinham os Stones quando começaram a ser chamados de velhotes. Gravada originalmente em 1991, a música foi lançada dois anos depois, no filme The Coneheads ( Cônicos & Cômicos, no Brasil), “Soul to Squeeze” se refere ao vício de drogas de Anthony Kiedis, que só iria piorar na década seguinte, nos anos 90, enquanto a banda se tornava gigante.


“Whatta Man”, de Salt-n-Pepa com En Vogue

Enquanto o rap de gângster estava no auge da misoginia (a música “Biches Ain’t Shit”, do Dr. Dre, vem à cabeça), o Salt-n-Pepa balançou a cabeça negativamente, deu as mãos e declarou: “De jeito nenhum”. Essas moças pediram por respeito. Mas, como diz a música, aquele que fizer as coisas corretamente será muito bem recompensado.


“Are You Gonna Go My Way?”, de Lenny Kravitz

Sim, trata-se de uma música pasteurizada para as rádios, mas o que mais lembramos no clipe é da moça tocando bateria, com sua bela cabeleira. Cindy Blackman era uma baterista de jazz, treinada na prestigiada Berklee College of Music, antes de se tornar a famosa baterista de Kravitz, em 1993. E assim ficou por 11 anos. Em 2010, ela foi contratada para tocar com Carlos Santana e, no mesmo ano, foi pedida em casamento pelo guitarrista.


“Plush”, do Stone Temple Pilots

E daí que os vocais de Scott Weiland emulavam Eddie Vedder e que as linhas de guitarra foram criadas para capitalizar no então bastante popular movimento grunge? Quando o STP estreou a música, nós não conseguimos parar de imitar a voz dele (no carro, com a janela aberta): “And I feeeeeeel so much depends on the weather", enquanto batucávamos no volante.

Para Weiland, os anos subsequentes lhe trouxeram vícios, separações de bandas e – no lado bom – um disco não grunge especial de Natal.


“Mr. Jones”, do Counting Crows

Depois que essa prolixa canção se tornou um estrondo pop, as pessoas que encontravam com o vocalista da banda costumavam gritar: “hey, Mr. Jones!”. A melancólica música fala sobre a vontade de se tornar famoso, mas não era essa a reação que Adam Duritz tinha em mente. Enquanto as futuras canções dele versavam sobre os encargos da fama recente, o ocasionalmente torturado Duritz – facilmente reconhecível por causa dos cabelos: dreads como aqueles do Sideshow Bob, personagem lunático da animação Os Simpsons – também abraçou a fama, mudou-se para Hollywood Hills e tornou-se um cliente constante da boate Viper Room, na Califórnia.


“Jeremy”, do Pearl Jam

Um clipe intenso, que ganhou vários prêmios do VMA (premiação da MTV norte-americana) e que foi executado pela emissora musical umas 40 vezes a cada dia. Foi um dos últimos vídeos que o Pearl Jam fez por vários anos – o que é uma pena, já que como a quintessência dos anos 90, o clipe de “Jeremy” revelou que Eddie Vedder possui uma presença insana e carismática na tela. Como a banda ainda está tocando em arenas e estádios esportivos, é muito claro que a decisão deles de regredir e dar um tempo nos vídeos foi comercialmente bem-sucedida a longo prazo.


“Cryin’”, do Aerosmith

É difícil perceber que esta música completou 20 anos e, mais difícil ainda, é pensar que o Aerosmith havia lançado o primeiro disco deles duas décadas antes disso. O clipe desta balada nos apresentou a Alicia Silverstone – “a garota do Aerosmith” – que apareceu em outros três vídeos naquela época. Alicia, hoje aos 36 anos, foi a Batgirl no filme Batman & Robin e se tornou mãe de uma criança chamada Bear Blu. Enquanto isso, o Aerosmith ainda é uma banda ativa, mesmo 43 anos depois da formação.