O Terno encontra quentura no branco em Nada/Tudo, primeira música do novo disco; ouça

"Hoje, o nada vai dizer tudo o que pode ser", canta Tim Bernardes, em vídeo-arte lançado nesta terça-feira, 2, que adianta o quarto disco da banda

Pedro Antunes Publicado em 02/04/2019, às 12h00

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O Terno, formado por Guilherme D'Almeida, Biel Basile, Tim Bernardes (Foto: Biel Basile)

Do vazio, vem algo novo. Como essa página em branco, à espera de mais um texto. Como o músico ao violão, como o silêncio antes do canto. É, conceitualmente, a partir do crescimento do vazio que surge "Nada/Tudo", primeira música do trio O Terno, lançada nesta terça-feira, 2, nas plataformas digitais e com um vídeo-arte que pode ser assistido abaixo.

Com "Nada/Tudo", O Terno inicia de fato a mostrar o que esperar de <atrás/além>, o quarto álbum de estúdio de Tim Bernardes, Biel Basile e Guilherme D'Almeida, com lançamento previsto para 23 de abril.

À Rolling Stone Brasil no fim de março,Tim explanou sobre o que sentido do novo álbum do grupo: "O conteúdo de <atrás/além> tem a ver com aquele momento de olhar para o passado e ver como você se formou como ser humano até aqui. E se ver diante dessa bifurcação, de frente para um novo muro a ser ultrapassado", disse.

Agora, com "Nada/Tudo", o discurso ganha ainda mais sentido. "Hoje o nada vai dizer tudo o que pode ser / Silêncio pra cantar / Em branco pra escrever / Vontade pra empurrar / Tristeza pra esquecer", canta o músico.

"Acredito que essa música carregue o conceito do disco", explica Basile, que segue: "Do que diz a letra e do instrumental dela, com um arranjo bem orquestral criado pelo Tim. É uma faceta que não mostramos muito no Terno. Seria interessante que essa fosse a primeira do disco a sair."

Grandiosa e, como Biel adiantou, com arranjos, direção, produção musical e piano e voz de Tim Bernardes, "Nada/Tudo" traz os três integrantes do Terno, com o auxílio de Felipe Pacheco Ventura (violinos), Douglas Antunes (trombones), Arthur Decloedt (contrabaixo), Beto Montag (vibrafone e glockenspiel) e Filipe Nader (souzafone).

Já o vídeo (cuja ideia e conceito são assinados por Mari Marçal e Tim, também atuante na produção em parceria de Jazzie Moyssiadis) é uma indicação clara da nova fase.

Com respeito ao momento "amarelo", cor dominante da arte e do figurino de Melhor do que Parece, disco anterior do trio, de 2016, agora, o Terno chega ao branco, como na capa de <atrás/além>. Aos poucos, a tinta amarela é lavada pela água do vídeo-arte e dá espaço a uma nova tela em branco.

Transformação e sentimentos de mudança cantados em "Nada/Tudo" transformam o vazio em um abraço apertado e quente. Tim cita, na letra, os companheiros mais próximos na faixa, dos integrantes da banda ao produtor Gui Jesus de Toledo e a empresária Mari Marçal, tão próximos deles nessa jornada.

É o ponto de partida, de fato, para <atrás/além>. O Melhor do que Parece, vagarosamente, é transformado no que vem por aí. A música também aponta isso, fortemente ancorada no piano singelo, de notas que pingam melancolia aqui e acolá, enquanto a voz de Tim é serena - ambas as características estiveram presentes em Recomeçar, disco solo do músico, de 2017.

Assista ao vídeo de "Nada/Tudo", da banda O Terno: 


<atrás/além> dialoga diretamente com "Nada/Tudo". Ambos brincam com ter e não ter, passado e futuro. É exatamente esse o momento do grupo.

O quarto disco d'O Terno, como a Rolling Stone Brasil adiantou, terá as participações de Devendra Banhart e Shintaro Sakamoto, na música "Volta e Meia", também um single, a ser lançado em 16 de abril.