Se começasse hoje, Oasis “não chegaria perto de ter o mesmo impacto”, diz Noel Gallagher

Para o músico, os artistas cedem mais aos caprichos da indústria atualmente

Redação Publicado em 07/01/2015, às 13h44 - Atualizado às 20h39

Noel Gallagher se apresenta no prêmio Brit Awards, de 2012

Ver Galeria
(7 imagens)

O mundo mudou muito em 20 anos. Quando o Oasis estreou em 1994 – praticamente jogando uma pá de cal no grunge norte-americano –, a força das canções dos irmãos Gallagher foi massivamente (e rapidamente) assimilada pelos jovens britânicos e, posteriormente, do mundo inteiro. Se surgisse nos dias de hoje, possivelmente, a banda não teria a mesma contundência. É nisso que Noel Gallagher acredita.

20 anos de Definitely Maybe: a estreia do Oasis faixa a faixa.

“Se o Oasis começasse amanhã, não chegaríamos nem perto de ter o mesmo impacto, porque seríamos julgados instantaneamente no primeiro show e, então, a Radio 1 nos julgaria baseados em quantos seguidores temos no Facebook”, disparou o ex-guitarrista da banda de Manchester, em entrevista ao semanário britânico NME.

Ele acrescentou: “O Oasis nunca teve um A&R [funcionário responsável por descobrir novos artistas, cuidar de contratos, agendar estúdios, entre outros] na [gravadora] Creation – nos davam as chaves e diziam: ‘Pronto, vejo vocês em breve’. Agora, o empresário é submetido ao cara do A&R, que é submetido ao cara acima dele, que vai perder o emprego.”

Oasis estreava há 20 anos e decretava: todos nós queremos ser estrelas do rock and roll.

Gallagher ainda comparou o funcionamento da indústria musical de hoje com a dos anos 1990, da qual ele fez parte. “O artista costumava direcionar a indústria, mas a indústria reagiu ao britpop, ou o que quer que tenha sido”, seguiu. “Agora, as bandas vão à indústria e dizem: ‘O que é mesmo que vocês querem agora? Ok, posso fazer isso’”.

“Mas quando todos nós chagamos lá – e não foi algo programado, foi completamente acidental – a indústria tentou nos barrar: ‘O que é isso? Essas pessoas são maníacas viciadas em drogas, eles vão acabar com as nossas ações! Temos que nos livrar deles!”.

Dez grandes parcerias do rock and roll.

Concluindo o pensamento, Noel Gallagher falou sobre o topo das paradas dos mais vendidos dos últimos anos. “Se você é o primeiro colocado, hoje, automaticamente, significa que você deve ser muito ruim. Os artistas atualmente se oferecem à indústria e a indústria já decidiu quem serão as estrelas que estarão nas paradas.”

“E são todos iguais. Cada uma das músicas no top 10 é a mesma porcaria com uma voz diferente”, disse ele, finalizando.

Chasing Yesterday

O ex-Oasis e atual líder do High Flying Birds lançará o segundo disco da carreira solo, Chasing Yesterday, no dia 2 de março deste ano. Do álbum, ele já divulgou o primeiro single, “In The Heat Of The Moment” (ouça aqui) e o lado B dele, “Do the Damage” (aqui).

Reuniões: 20 bandas que gostaríamos que voltassem.

Além de estar com a banda High Flying Birds, Noel terá a companhia do icônico Johnny Marr, ex-guitarrista do Smiths e atualmente em carreira solo, na faixa que encerra o disco - e que será lançada como segundo single. “Ele é um artista muito entusiasmado e eu tentei tê-lo em ‘AKA... What a Life!’ [faixa do disco Noel Gallagher's High Flying Birds, de 2011]”, contou ele. “Ele é realmente um ótimo guitarrista e tem algo que ninguém mais tem. Ele é incrível”, derreteu-se.

Tracklist de Chasing Yesterday

“Riverman”

“In The Heat Of The Moment”

“The Girl With X-Ray Eyes”

“Lock All The Doors”

“The Dying Of The Light”

“The Right Stuff”

“While The Song Remains The Same”

“The Mexican”

“You Know We Can't Go Back”

“Ballad Of The Mighty I”