Oito curiosidades sobre Orange Is the New Black, a série da Netflix que mostra jovem de classe média que passou um ano presa

A criadora Jenji Kohan, de Weeds, conta os detalhes da produção baseada na história real de Piper Kerman

Stella Rodrigues Publicado em 22/07/2013, às 11h12 - Atualizado às 11h13

Orange is the New Black
Jill Greenberg/Divulgação

Os atores Danielle Brooks e Jason Biggs estiveram no Brasil na semana passada para divulgar a série Orange Is the New Black, a mais nova produção feita com exclusividade para o serviço de streaming Netflix. Em uma conversa com a Rolling Stone Brasil, os atores falaram mais sobre a série – que estreou todos os 13 episódios no último dia 11 – e, ainda, a respeito da era dos anti-heróis na TV, questões prisionais e da justiça norte-americana e até de American Pie (e a forma como a criadora Jenji Kohan possivelmente escondeu, em um dos episódios, uma referência ao filme que apresentou Biggs ao mundo). Leia aqui.

Na trama da produção, Piper (Taylor Schilling), uma jovem de classe média alta e com uma vida bastante comum ao lado do namorado Larry (Biggs), é sentenciada a pouco mais de um ano de prisão por causa de algo ocorrido muitos anos antes, quando ela namorava a traficante de drogas Alex (Laura Prepon). Encarcerada, ela conhece a personagem de Danielle Brooks e toda uma gama de figuras curiosas.

Os 13 episódios da primeira temporada de Orange Is the New Black estão disponíveis na Netflix. A segunda temporada já foi encomendada, mas não há previsão de estreia.

Abaixo, saiba oito curiosidades a respeito dos bastidores da transposição para a telinha do livro Orange Is the New Black: My Year in a Women's Prison, em que a autora Piper Kerman narra a história verídica de seus meses na prisão. Elas foram reveladas pela criadora da série, Jenji Kohan (a mesma de Weeds). em uma conferência com jornalistas.

O livro, na realidade, serviu apenas como um ponto de partida

“Eu acho que o maior desafio foi que, embora o livro tivesse personagens deliciosos e fosse uma ótima leitura, ele era relativamente livre de conflitos”, conta Jenji. “Tivemos que deixá-lo mais dramático para a televisão. Também sinto que, uma vez que começamos, a série se tornou algo próprio, saímos do livro.”

Piper serve como uma “desculpa” para contar várias outras histórias dentro da prisão

Em entrevista para o livro The Revolution Was Televised: The Cops, Crooks, Slingers, and Slayers Who Changed TV Drama Forever, do crítico de TV Alan Sepinwall, o criador de Oz Tom Fontana explicou que criou um dos personagens, Tobias Beecher (interpretado por Lee Tergesen), para que ele fosse o “assinante da HBO”, emissora que exibiu a série inovadora. Ou seja, colocou o telespectador médio do veículo representado dentro do ambiente prisional, que não é seu habitat. De maneira análoga, Piper parece fazer a mesma função para o assinante da Netflix. “Achei muito interessante ter essa garota para nos levar para dentro desse mundo, de forma que pudéssemos contar a história de todas essas outras mulheres, uma vez que estivéssemos dentro da prisão.”

A repetição dos temas mulher/drogas/crime/prisão em mais uma série de Jenji, depois de Weeds (sobre a traficante de maconha Nancy), é pura coincidência, ela garante

“Gosto de boas histórias e personagens com muitos defeitos. Acho que nesse caso só aconteceu de elas sempre serem mulheres com essas ‘áreas cinzas’.”

Jenji convenceu Piper Kerman a conceder os direitos da história para ela na base da empolgação

Holden Caufield, o protagonista de O Apanhador no Campo de Centeio, tinha a ideia certa quando falava de sua vontade de ligar para o autor, ao terminar de ler um livro, para debater. Foi essa oportunidade rara que Jenji teve com Piper. “Eu fui conhecer Piper pensando que precisaria me vender, explicar os motivos pelos quais seria boa para esse projeto, mas tinha acabado de terminar o livro e tinha tantas questões que fiquei perguntando sobre o livro e as pessoas que estão nele. Queria mais detalhes e aí acabei esquecendo de pedir para fazer a adaptação. Segundo ela, foi meu entusiasmo e minha curiosidade a respeito da coisa toda que a fizeram confiar em mim com esse material.”

E a relação de fã-ídolo parece continuar até hoje

“Eu sou louca por Piper Kerman, sou grata a Piper Kerman; fico infinitamente fascinada por Piper Kerman”, declara Jenji.

O mesmo vale para Taylor Schilling

“Ah, ela é um milagre! Ela é uma garota linda que é engraçada, profunda e interessante. E é uma ótima atriz. Ela é tudo que eu tinha imaginado e mais.”

A trilha toda de Orange... é ótima e não é por acaso

“É enormemente importante para mim. Eu amo música, acho que é a ‘cobertura do bolo’. Presto muita atenção, ao ponto de às vezes colocar no roteiro a presença de algumas canções, somos muito específicos no que procuramos. Sou muito fã e acho que a música torna tudo melhor, dá o tom das coisas.”

Jenji estranhou sair de uma série com meia hora para uma de uma hora

“É difícil, tudo é duas vezes mais longo e eu comecei a me dar conta disso quando estava escrevendo a primeira temporada. Eu antes era capaz de fazer sair um roteiro em certo período de tempo”, diz ela. “De repente, foi: ‘Meu Deus, isso vai levar o dobro do tempo agora’. Mas de muitas formas é um privilégio, porque no formato de meia hora a gente cortava muito material que achava engraçado ou corria com coisas que gostaria de prolongar, agora temos o luxo de ter tempo”.