Oscar 2021: Na fronteira com documentário, Nomadland faz um retrato multifacetado da vida na estrada [REVIEW]

De forma brilhante, Chloé Zhao captura contrastes emocionais por meio de personagens complexos e de paisagens deslumbrantes

Julia Harumi Morita Publicado em 13/04/2021, às 17h04

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Frances McDormand em Nomadland (Foto: Reprodução via IMDb)

O que fazer quando você testemunha o colapso econômico de seu país e vê sua cidade se transformar em uma área abandonada, a qual perde até mesmo o código postal? Em Nomadland, este cenário levou Fern (Frances McDormand), uma viúva de meia-idade, a aderir à vida nômade.

Baseado no livro de não ficção Nomadland: Surviving America in the 21st Century, da jornalista Jessica Bruder, o longa-metragem acompanha a vida de uma personagem fictícia em um universo real, o qual alcançou um milhão de adeptos nos Estados Unidos em 2018, de acordo com dados da RV Industry Association, reproduzidos pelo The Washington Post.

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Na fronteira entre o documentário e a ficção, a diretora, produtora e roteirista Chloé Zhao faz um retrato multifacetado e honesto, longe da romantização e do estereótipo, da vida nômade nos EUA.

Um ano após o fechamento da United States Gypsum Corporation na cidade Empire, Fern ainda está aprendendo como levar o novo estilo de vida. No começo do filme, a protagonista exibe algumas invenções que ajudaram a adaptar o trailer, batizado de Vanguarda, em uma moradia e recebe dicas da amiga Linda May.

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Assim como Bob Wells, Swankie e Derek Endres, Linda May é nômade na vida real e interpreta uma versão fictícia de si mesma no longa-metragem.

Fora da zona de idealização da vida na estrada, a qual pode ser vista como uma forma de protesto e evolução diante da vida capitalista, Zhao nos leva para um território povoado por pessoas da terceira idade que escolheram a vida nômade por não encontrar outras opções de sobrevivência na era pós-sonho americano.

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"Eu estava perto dos 62 [anos] e eu chequei meu benefício de seguro social online. E ele dizia: US$ 550. Fern, eu trabalhei a minha vida toda, eu trabalhei desde os 12 anos de idade, criei duas filhas. Eu não pude acreditar. Então, eu estava online e eu encontrei A Vida Barata de Bob Wells Em Um Trailer. Eu poderia viver em um trailer, viajar e não ter que trabalhar para o resto da minha vida," diz Linda May no filme.

A beleza da obra está no olhar atento sobre a dualidade dos eternos viajantes. Fern não hesita trocar ou doar utensílios e roupas para recém-conhecidos, mas, ao mesmo tempo, mantém um galpão com objetos de grande valor sentimental, carrega pertences familiares e fica furiosa quando Dave (David Strathairn) acidentalmente quebra um dos pratos do pai dela.

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A estrutura cíclica da narrativa também traz uma profundidade interessantíssima. Fern está em constante movimento, contudo, em um longo período de tempo, repete as mesmas trajetórias - o programa especial da Amazon para pessoas que moram em veículos, os rituais de ano novo e as visitas ao Rubber Tramp Rendezvous.

A escolha de seguir uma vida nômade não afeta apenas a maneira como Fern administra as finanças e outros aspectos logísticos, mas a forma como ela se envolve com as outras pessoas. Sem saber quando vai encontrar os amigos novamente, Fern aproveita ao máximo os encontros imprevisíveis, sem medo de demonstrar os verdadeiros sentimentos dela. 

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"Você se sente muito dessa forma quando está na estrada. você faz essa conexão com a terra e as pessoas, e, então, alguns dias ou semanas depois, todo mundo vai embora. Então você está constantemente tendo esse sentimento de perda e ganho. E, como resultado, você tem uma relação saudável com o quão transitório tudo é," explicou Zhao para o AFI Movie Club

Na fotografia, esta transição parece ser traduzida por meio das paisagens naturais. Os grandes encontros de pessoas acontecem em terras ensolaradas, enquanto os momentos solitários de Fern, muitas vezes, são filmados em cenários cheios de neve.

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Além disso, o longa conta com muitas cenas de pôr do sol, as quais são difíceis de serem capturadas - elas precisam ser cronometradas pela equipe, que só tem uma chance por dia para filmar. Esta fotografia sutil e deslumbrante, sintetiza de forma poética a singularidade das experiências de Fern.

Nesta temporada de premiações, Nomadland já levou estatuetas no Globo de Ouro, Critics' Choice Awards e BAFTA, o que aponta o favoritismo do longa-metragem para vencer pelo menos uma das seis categorias do Oscar na qual concorre.

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Apesar de ter vivido apenas 28 anos, Heathcliff Ledger (mais conhecido por Heath) marcou o cinema com papéis como Patrick Verona em 10 Coisas que Eu Odeio em Você (1999) e Coringa em Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008)

Heath nasceu em Perth, Austrália, em 4 de abril de 1979. Neste domingo, completaria 42 anos. Confira sete curiosidades sobre o ator: da origem de nome a quem era o melhor amigo. 

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Nome

O nome do ator, Heathcliff, foi inspirado em um personagem de O Morro dos Ventos Uivantes (1847), de Emily Brontë, livro preferido da mãe dele, Sally Ledger. Do mesmo romance, Sally tirou o nome de outra filha, Katherine. 


Primeiras experiências

Heath estudou na Guildford Grammar School, escola só para meninos, onde teve a primeira experiência como ator. Aos 10 anos, participou de uma montagem da peça Peter Pan.

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Como ator profissional, um dos primeiros papéis da carreira foi em Home And Away (1988), espécie de novela teen a qual lançou várias estrelas australianas. Interpretou Scott por apenas 10 episódios e, apesar de ter feito muito sucesso, recusou propostas dos produtores para continuar.


Inspiração

Durante os anos de escola militar, Heath coreografou e dirigiu um grupo de 60 colegas para uma competição. Foi a primeira equipe masculina a disputar, e saíram vitoriosos. O ator comparou a apresentação ao estilo de Gene Kelly, de Cantando na Chuva (1952) e revelou como o dançarino era seu maior ídolo no cinema.

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Xadrez

Heath era um adorador de xadrez e jogava desde pequeno. Aos 10 anos, ganhou o campeonato júnior da Austrália Ocidental. Quando adulto, continuou o hábito e jogava frequentemente no Washington Square Park em Nova York (EUA). 


Gambito da Rainha

A partir do amor pelo xadrez, em 2008, anunciou planos de iniciar filmagens da adaptação do livro O Gambito da Rainha (1983). Teria sido a estreia de Heath como diretor de cinema. 12 anos depois, o romance foi adaptado para uma produção da Netflix e foi a série mais assistida de 2020, segundo JustWatch.


Jake Gyllenhaal

Colegas de elenco em O Segredo de Brokeback Mountain (2005), Heath e Jake Gyllenhaal se tornaram grandes amigos. O ator é, inclusive, padrinho da única filha de Ledger, Matilda.


Coringa

O vilão de O Cavaleiro das Trevas (2008) foi o papel de maior reconhecimento de Heath. Com ele, ganhou o Oscar póstumo de Melhor Ator Coadjuvante em 2009. Nas filmagens, projetou sozinho a composição do personagem. Segundo Heath, se Coringa fosse real, faria a própria caracterização.

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Foi à farmácia, comprou maquiagem e aplicou-a sozinho. Depois, a equipe de maquiagem apenas replicava o visual criado por ele.