Ozzy Osbourne fala sobre os dias obscuros de seu passado em novo filme

"Às vezes me pergunto se realmente era eu”, diz o Príncipe das Trevas em entrevista; documentário God Bless Ozzy Osbourne estreia no Tribeca Film Festival, em Nova York, nesta semana

Por Jennifer Vineyard Publicado em 27/04/2011, às 18h12

Príncipe das Trevas é tema do documentário God Bless Ozzy Osbourne
Reprodução/FacebookOficial

Faz cinco anos desde que Ozzy Osbourne deu um fim aos dias ruins de antigamente. Naquela época, ele chegava até a assustar colegas músicos que estavam igualmente mergulhados na libertinagem alcoolizada do rock 'n' roll. O baterista Tommy Lee revela, no novo documentário God Bless Ozzy Osbourne (que estreia no Tribeca Film Festival, em Nova York, nesta semana), que o ícone do metal uma vez o convidou ao seu quarto de hotel quando Osbourne estava em turnê com o Mötley Crüe - na ocasião, ele abaixou as calças e defecou no chão. "Ele começou a passar a merda toda nas paredes", Lee recorda no longa-metragem. "Ele estava pintando com aquilo. E eu pensei: 'Isso é outro nível. Não estou pronto para isso!' Estou tranquilo apenas em cagar no banheiro."

As brincadeiras antigas de Osbourne seriam engraçadas se não tivessem rendido a ele constante perda de consciência e incapacidade de lembrar o que havia sido feito. Ele não conseguia se recordar de ter gravado clipes, nem dos aniversários dos próprios filhos. Quando perguntando no documentário sobre o ano de nascimento de sua filha mais velha, Jessica (do primeiro casamento), ele teve que "chutar" (assista no vídeo abaixo). "Acho que foi 1971? Ou 1972? Não sei ao certo. Vou descobrir para você." Ainda mais perturbador: ele não se recordava de tentar estrangular sua esposa Sharon, em 1989, após beber quatro garrafas de vodka. "Quando você está com a garrafa, não percebe que está tão mal", disse ele à Rolling Stone EUA. "Todos nós já fizemos coisas que nos fizeram pensar: "Eu fiz aquilo?' Eu vejo uma série de fotos minhas dos anos 80 e 90, e não consigo lembrar de as ter tirado. Às vezes me pergunto se era realmente eu. 'Que porra eu estava fumando na época?'"

Em algumas dessas fotografias e imagens de vídeo, a cara de Osbourne está tão flácida e sem expressão que seus companheiros de Black Sabbath costumavam segurar o sorriso dele nas sessões de fotos. No final, acabaram se cansando do cantor chapado e o demitiram. Para Osbourne, cada perda pessoal - do Black Sabbath ao fim de seu primeiro casamento e a morte, em 1982, do guitarrista Randy Rhoads - servia como uma desculpa para procurar o esquecimento. Ao longo dos anos, entrou na reabilitação mais de dez vezes, e ele mesmo estima que tenha tido de 40 a 50 outras tentativas de se manter sóbrio que duraram poucos dias - meses, no máximo. Nada funcionava - nem quando o reality show da MTV, The Osbournes, estava sendo realizado (grande parte dele foi filmado com Ozzy bêbado ou drogado). "Não me orgulho daquilo tudo, mas é parte da minha trajetória", ele contou. "The Osbournes foi feito em um período estranho na nossa família ", disse Jack, filho do músico e produtor do documentário, em entrevista à Rolling Stone EUA. "Meu pai hoje não é mais a mesma pessoa se comparado àquela época."

Osbourne conseguiu ficar limpo - possivelmente para valer - uma vez que seu filho se manteve longe das drogas e do álcool também. "Eu não bebo. Eu não uso drogas. Eu não fumo", disse, sobre sua situação atual. Ele até conseguiu obter a licença de motorista. "É meio que libertador", contou. "Eu não podia dirigir antes porque eu estava todo fodido. E estou cansado de ser aquela pessoa louca e fodida. Não era divertido estar daquele jeito o tempo inteiro."

Os membros originais do Black Sabbath - o guitarrista Tommy Iommi, o baixista Geezer Butler e o baterista Bill Ward - aparecem no documentário e mostram estar em bom relacionamento com seu antigo líder. Poderia isso significar que o antigo boato de uma reunião da banda estaria prestes a se tornar algo possível? "Estou disposto", afirmou Osbourne. "Mas há também outros três caras [para que esta decisão seja tomada]. Isso vai e volta. Um dia é isso, em outro aquilo. Eu estou aberto. Mas veremos. Se tiver que acontecer, acontecerá." Ele admitiu ainda que a ideia de uma reunião é um pouco assustadora. "A pressão para se fazer um álbum novo do Black Sabbath é enorme, e também para ser tão bom quanto o que fizemos no passado", explicou. "Faz 30 anos desde que, de fato, sentamos e tentamos compor juntos, e todos mudamos muito. Eu sei que eu mudei."