Pânico 4 se autossatiriza, enquanto adapta regras dos filmes de terror para os novos tempos

Filme estreia mundialmente nesta sexta, 15, e conta mais uma vez com a direção de Wes Craven e roteiro de Kevin Williamson

Por Stella Rodrigues Publicado em 15/04/2011, às 16h37

Sidney Prescott encara o assassino Ghostface mais uma vez em Pânico 4

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Estreia mundialmente nesta sexta, 15, um dos filmes mais aguardados pelos saudosistas de plantão, Pânico 4. O terror tem como premissa apresentar as novas regras do gênero, afinal, as mocinhas já aprenderam se devem correr dos vilões escada acima ou fugir pela porta da frente, e discussões como essa ficaram no passado. O filme renova a história e boa parte de seu elenco - até porque a faca do assassino Ghostface deu conta de descartar boa parte dos atores da trilogia original -, além de adaptar os conceitos básicos de filmes de terror aos novos tempos. A matança é situada em uma década e cultura altamente voltadas para celebridades virtuais e redes sociais.

Os estreantes no elenco incluem Emma Roberts (Hotel Bom Pra Cachorro), Adam Brody (o Seth, de The O.C.), Marley Shelton (Sin City - A Cidade do Pecado), Erik Knudsen (Scott Pilgrim Contra o Mundo), Anna Paquin (True Blood), Kristen Bell (Veronica Mars), e outros que dão novo sangue - sem trocadilhos - à trama. Mas o trio que sobreviveu aos primeiros filmes está de volta para, dez anos depois, conduzir a nova história. Quem também retorna é a dupla que deu o pontapé inicial em tudo, lá nos anos 90, o diretor Wes Craven, e o roteirista Kevin Williamson, que tentam mais uma vez deixar suas marcas criativas nas exauridas fórmulas do terror no cinema.

David Arquette interpreta o agora xerife Dewey Riley, que está casado com a ex-jornalista Gale Weathers-Riley (Courteney Cox), atual residente da calma Woodsboro e escritora de ficção frustrada.

A ação começa quando a protagonista Sidney Prescott (Neve Campbell) faz o que era para ser um breve retorno à cidade onde cresceu para uma tarde de autógrafos de seu recém-lançado livro. Isso acontece na exata mesma semana quando se comemoram dez anos dos ataques dos quais ela foi o alvo principal. Curiosa a escolha da data para uma personagem que começa o filme querendo se reinventar e deixar de ser uma vítima.

A partir daí, tudo funciona do jeito como os fãs das obras anteriores podem esperar. Piadas (em maior quantidade e melhores do que em qualquer dos anteriores), citações de diversos outros elementos da cultura pop e, como já definia a proposta inicial do roteiro 4.0, a criação de novas regras. Estas são, basicamente, ajustes à realidade de um jovem do ensino médio atualmente. Os "nerds do clube de cinema", por exemplo, agora estão o tempo todo online, exibindo em streaming cada momento de sua rotina colegial e os telefones, tão importantes nesta franquia, agora fazem muito mais do que conectar um assassino e as vítimas que ele interroga a respeito de seus filmes de terror preferidos.

Ainda mais relevante do que o tom cômico e o estabelecimento de novos paradigmas para o terror, destaca-se imensamente neste filme a metalinguagem. Mais do que nunca, Craven e Williamson abusaram dela sem pudores. A constante autorreferência - à trilogia e, principalmente, ao gênero -, cria jogos de espelhos em que a fórmula do filme dentro do filme, comentando sobre outros filmes, é praticada até o limite. Entre tantas análises, cenas engraçadas e apresentação de novos personagens, as cenas "espirra-sangue", que são boas, podem acabar ficando em segundo plano e os sustos, costumeiramente um marco do gênero, deixam, assim, de ser o foco. Uma das partes mais divertidas acaba sendo pegar as gracinhas que satirizam a própria saga, questionam o papel dos reboots e deixam o roteiro com aspecto de uma grande piada interna lançada pelos criadores diretamente para os fãs.

Apesar da refrescada nos ares, algumas premissas clássicas que fundaram o primeiro Pânico e tantas outras produções de horror foram mantidas intactas. O núcleo dos jovens, que divide irmãmente o tempo de tela com os veteranos, traz tipos encontrados em qualquer high school de filme adolescente. Emma Roberts é Jill, a prima de Sidney, uma das poucas familiares que restaram à sofrida protagonista. Jill é amiga da gostosona Olivia e da cheia de personalidade Kirby, uma aficionada por filmes de terror. E, assim, vai sendo apresentada a turminha escolhida para encarar Ghostface nessa nova era. Resta saber quem dessa safra conseguirá sobreviver para estrelar o bem provável de acontecer Pânico 5.

Antes de participar da cabine de imprensa, os jornalistas foram obrigados a assinar um contrato que proíbe a divulgação de uma série de informações a respeito do longa. Em uma produção típica do "whodunnit", como esta, é claro que nem teria cabimento contar quem é vítima, no fim das contas, e quem é assassino. Mas dá para se ter uma boa noção sem spoilers da trama no trailer abaixo. Ao lado, veja fotos de Pânico 4.