Pânico 5? Clássico do terror precisa de mais uma continuação? Spoiler: não

Pânico 5 deve chegar aos cinemas exatamente 25 anos depois do primeiro filme da franquia, lançado em 1996

Malu Rodrigues Publicado em 15/07/2020, às 07h00

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Pânico (Fotos: Reprodução)

Pânico 5 deve chegar aos cinemas exatamente 25 anos depois do primeiro filme da franquia, lançado em 1996. O clássico do terror brincou com o gênero ao fazer sátiras sagazes com o slasher. Por ter uma história tão forte dentro da indústria, será que realmente precisamos de uma continuação?

A resposta é não. Pânico 4 (2011) foi o próprio exemplo de como continuar uma narrativa não é sinônimo do sucesso certeiro. Em reflexo, o quinto filme da franquia será um risco tomado pela equipe de produção. 

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Pânico 5 marcará o primeiro longa sem o diretor Wes Craven, que morreu em 2015 devido a um câncer. Também não terá Kevin Williamson no roteiro - apenas na produção. Juntos, eles eternizaram a franquia e a tornaram em um símbolo da cultura pop.

Interpretada por Neve Campbell, a personagem Sidney Prescott é considerada uma das Final Girls mais influentes da história por subverter a noção de como apenas mulheres com representação plana e graciosa conseguem chegar até o final do filme vivas. Ghostface, o assassino em série mascarado que muda a cada filme, também nunca foi esquecido.

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O quinto filme da franquia tem um peso enorme nas costas e precisa se tornar tão original e inesquecível como os antecessores. Essa é uma missão muito difícil e pode não sair como o planejado. Ao pensar nisso, separamos alguns motivos para acreditar em como a série de filmes não precisa ter mais um na conta. Confira:


Sem Wes Craven e Kevin Williamson

Pânico 5 chegará aos cinemas sem a direção de Wes Craven. O falecido cineasta foi o responsável por todos os filmes da franquia - e a quinta parte será a primeira vez que os fãs terão a história sem a essência e brilho de Craven

O diretor era um talento na indústria do terror. Além do temido Ghostface, também criou o personagem Freddy Krueger, que aparecia nos sonhos de adolescentes para assassiná-los, em A Hora do Pesadelo (1984). A relação emocional do cineasta com o gênero do terror foi evidenciada de forma artística nos filmes. Ter um novo filme do slasher satírico sem o cineasta, dá a impressão de estarmos perdendo algo, estamos assistindo à criação de Craven sem a visão particular dele.

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A continuação também terá um desfalque importante. Kevin Williamson, escritor dos dois primeiros longas, também não será o nome que assinará o roteiro inédito. Na verdade, ele será o produtor-executivo do filme. Apesar de a mente por trás do enredo original estar na equipe da nova produção, ficará evidente a mudança na escrita e no resultado artístico.

Para Pânico 5entram na direção Matthew Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett. Os dois levaram para as telonas o misto de terror e comédia em Ready or Not (2019). A habilidade dos dois no gênero é elogiada, mas não é a mesma de Craven.

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Enquanto isso, o roteiro ficará nas mãos de James Vanderbilt (Zodíaco) e Guy Busick (Ready or Not).

Vale lembrar em como as sequências de Pânico, no caso a 5ª e 6ª partes, estavam nos planejamentos do estúdio. No entanto, a ideia nunca saiu do papel e Craven não levou para os cinemas a perspectiva única e incomparável.


Pânico 4 se mostrou uma continuação falha na bilheteria

O quarto filme da franquia foi o menor em termos de bilheteria. Em comparação com o primeiro longa, arrecadou cerca de US$ 76 milhões a menos. Apesar da recepção pouco calorosa do público, Pânico 4 não foi um fracasso total.

A última produção dirigida por Wes Craven, se pararmos para analisar, revelou um enredo cheio de subversão - o que originalmente levou a franquia ao sucesso. Ao longo da narrativa, somos apresentados a sátiras de remakes, o uso das mídias sociais e a obsessão pela fama na internet. O longa também voltou às raízes e revelou dois assassinos, em vez de apenas um.

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Na época do lançamento, o Los Angeles Times escreveu: "Pânico 4 encontra uma maneira de viver de acordo com seu passado sangrento, enquanto cria novos terrores de novas maneiras". Enquanto isso, a Entertainment Weekly apontou como o longa "é um lembrete vertiginoso de tudo que fez do Scream um grito tão fresco em primeiro lugar".

Embora com as avaliações mistas, Pânico 4 se mostrou um final aceitável para a série de filmes. Ao mesmo tempo, revelou como às vezes uma franquia precisa saber quando chegar a última produção.


O enredo parece... óbvio?

Vamos relembrar: todos os filmes traziam sátiras de diferentes elementos e tropos do horror. Pânico 1 (1996) se inspirou em diversos slashers (o principal Halloween) para aderir e quebrar regras normalmente estabelecidas no gênero.

Na segunda parte, lançada em 1997, a franquia brincou com as sequências; Pânico 3 (2000) ironiza trilogias; e a quarta continuação, que chegou aos cinemas em 2001, criticou de maneira sagaz os remakes.

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Ao analisar todos os enredos, podemos ter uma noção mais clara do próximo enredo. Em Pânico 5, provavelmente veremos uma satirização da pressão posta na continuação lançada anos depois do filme original. O novo mascarado seguirá as regras dos reboots do terror e manifestará uma nova forma de tendência.

Além disso, o filme inédito também pode brincar com os estereótipos do terror moderno, conhecido por focar em elementos místicos e mais sombrios - e sem os jumpscares.


Elenco original?

Pelo histórico sangrento dos filmes, nem todos os atores podem voltar para a continuação devido ao destino sombrio dos personagens - a não ser que haja uma reviravolta completa. Para Pânico 5, o único artista original confirmado na sequência até a publicação desta matéria é David Arquette.

O ator interpretou Dewey Riley em todos os filmes. Na quarta parte, o personagem 'termina' o arco como Xerife de Woodsboro. Por enquanto, Arquette é o único que voltará. Ainda não se sabe se a eterna Monica de Friends, Courteney Cox, retornará como a repórter Gale Weathers.

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A atriz Neve Campbell, responsável por dar vida a personagem Sidney Prescott, uma das Final Gils mais influentes da cultura pop, ainda não foi confirmada no elenco. De acordo com o The Hollywood Reporter, a artista está em negociações para entrar na nova produção - o que revela como Sidney não terá uma participação extensa.

A sequência de eventos da vida da jovem apresentada ao longo dos quatro filmes mostra como Sidney evoluiu nos anos de perseguição - e também como o público anseia para que ela conclua mais uma etapa de desmascarar o vilão e sair viva depois de quase 2 horas lutando para sobreviver. Sem Neve Campbell confirmada para Pânico 5, a animação para uma continuação cai e a franquia perde um pouco mais da essência. 


Legado

Apesar de algumas pessoas pensarem em como uma continuação fechará - ou seguirá - com chave de ouro a história da franquia, ela não precisa disso. A narrativa já se eternizou no terror. A sequência pode ser até divertida - seja ela boa ou não - mas ela com certeza não é necessária e não será a mesma.

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A criação de Wes Craven com Sidney Prescott e um assassino mascarado já está marcada na história. E não podemos negar como grande parte da essência da franquia vem do falecido cineasta que sempre reinventou o próprio enredo - e influenciou de forma significativa o gênero. Ao longo dos filmes, além de notar o desenvolvimento e maturidade da narrativa e dos personagens, também acompanhamos a evolução de Craven como diretor. Pânico 5 não precisa acrescentar nada na história. O legado já está imposto.


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