Para Haddad, PT não tem que pensar em ganhar eleições em 2022 e, sim, em ‘recuperar a credibilidade’

O político participou da última edição do Roda Viva e falou sobre a atual situação do Partido dos Trabalhadores

Redação Publicado em 07/07/2020, às 09h16

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Fernando Haddad (Foto: Getty Images / Victor Moriyama / Correspondente)

Fernando Haddad acredita que, no momento, o PT - Partido dos Trabalhadores não deve se concentrar em vencer as eleições de 2022, mas pensar em maneiras de recuperar a credibilidade com a população, de acordo com o informações do Uol

Em entrevista ao programa Roda Viva, o ex-prefeito de São Paulo também comentou os perigos de focar apenas nas conquistas e não na reputação, um pensamento que não condiz com os objetivos do partido. 

"Acho que um dos erros que a classe política comete é ficar muito preocupada com o resultado eleitoral da próxima eleição. Você está preocupado com resultado de curto prazo, não está preocupado em construir ou reconstruir reputação. Quando você está prisioneiro dessa lógica, começa a fazer esse tipo de conta. Não acho que o PT nasceu para isso, não acho que o PT deveria embarcar nessa."

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O político ainda disse: "PT não precisa pensar assim: 'o que preciso fazer para ganhar 2022?'. Precisa pensar: 'o que preciso fazer para recuperar a credibilidade que eu perdi junto a uma parcela do eleitorado?'. O que preciso explicar, o que preciso desvendar, como vou demonstrar que não sou o que estão dizendo de mim?".

Apesar da perda de credibilidade causada pelos escândalos de corrupção e a prisão do ex-presidente Lula, Haddad ressalta o papel do partido na oposição ao atual governo de Jair Bolsonaro, principalmente durante a pandemia de coronavírus.

"As poucas boas notícias que temos para dar vieram da oposição. Quando o governo assinou [o auxílio emergencial] com R$ 200 por mês por família, foi a oposição que conseguiu R$ 600, não o [ministro da Economia, Paulo] Guedes ou Bolsonaro."

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Ele completou: "Agora, de novo, é a oposição que está forçando a prorrogação, porque pelo Guedes ele queria uma escadinha descendo, e nós queremos manter, porque não sabemos o que vai ser da economia pós-pandemia se não tiver um amparo para as famílias poderem se adaptar aos novos tempos".

Por outro lado, o político percebe um aumento do conservadorismo nas periferias, que antes eram mais “progressistas”. Além disso, Haddad também falou que Lula “convenceu seus companheiros que era possível ganhar uma eleição presidencial no Brasil”. 

Contudo, neste momento, é preciso entender que há uma mudança geracional dos representantes do partido. "Agora, eu diria que, para além disso, tem uma questão de transição geracional que é lenta mesmo. Não é automática. São transições complexas, sobretudo porque o Lula, apesar dos 75 anos, está super em forma."


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