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Paul McCartney na bateria, George Harrison no baixo: 9 grandes trocas instrumentais dos Beatles

Para homenagear o icônico quarteto, separamos as nove trocas instrumentais mais intrigantes da banda

Redação Publicado em 26/10/2019, às 11h00

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The Beatles (Foto: AP Images)

A cada álbum, os Beatles mostravam um pouco mais da própria criatividade. Décadas depois, ainda é difícil processar o salto que o icônico quarteto deu entre as obras, como RevolverSgt. Pepper's e TheWhite Album.

Durante a existência da banda, os integrantes também expandiram continuamente os próprios papéis: grandes trocas de instrumentos foram feitas e é surpreendente ver quantas músicas clássicas dos Beatles tiveram Paul McCartney na bateria ou John Lennon no baixo. 

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É claro que todos esses pequenos detalhes foram cruciais na evolução dos Beatles, como a performance de McCartney na banda White Album, "Martha My Dear" e Lennon com um pé na psicodélia em "Strawberry Fields Forever". 

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Para homenagear o espírito livre e duradouro do quarteto, separamos nove trocas instrumentais mais intrigantes da banda.

“Back in the U.S.S.R.”

As sessões do White Album foram tensas para todos: a presença de Yoko Ono no estúdio se tornou uma distração para todos que não se chamavam John; Enquanto isso, o engenheiro de longa data Geoff Emerick, frustrado com as brigas da banda, parou no meio do caminho.

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Ringo Starr deixou o grupo temporariamente e Harrison e Lennon fizeram uma gravação de baixo adicional para a canção; eles também contribuíram com uma bateria extra misturada com os vocais de McCartney

Na música, você consegue ouvir a banda tentando imitar a assinatura de Ringo, mas aquela faísca sofisticada não existe.

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Ringo sempre foi alvo de críticas por ser o elo mais fraco dos Beatles, mas "Back in the U.S.S.R.". provou o quão importante ele era - ironicamente, por sua ausência. O baterista voltou ao estúdio semanas depois, e encontrou os intrumentos decorado com flores.

"She Said She Said"

O trabalho de baixo melódico de McCartney é uma assinatura dos Beatles, mas Harrison fez um ótimo trabalho se aproximando da psicodélica de Revolver. Em "She Said She Said" - uma das únicas faixas da banda que não apresenta McCartney.

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A música foi inspirada na viagem de Lennon ao LSD de 1965 com os integrantes do Byrds, Roger McGuinne David Crosby. E o resultado soa como uma celebração ácida, impulsionada pelos estilhaços de guitarra de Harrison

"Another Girl"

Não há prova melhor dessa troca de instrumentos dos Beatles do que Help!, o filme de 1965 da banda. A música em si também é reveladora - embora de forma mais sútil. 

"Martha My Dear"

Esse canção alegre do White Album é o McCartney do começo ao fim, então não é surpresa que ele tenha gravado tudo, menos as próprias orquestrações. Ainda assim, "Martha" é uma verdadeira colaboração com o produtor George Martin, que organizou as cordas elegantes e os metais.

"Tell Me What You See"

Descrita por McCartney como uma música feita apenas para preencher os espaços do álbum e não muito memorável, "Tell Me What You See" captura os Beatles no auge do tédio, mas também mostra a curiosidade do grupo, e avança para um novo território instrumental.

A faixa, escrita principalmente por McCartney, leva algum tempo para decolar: os vocais do primeiro verso estão desajeitadamente à frente da batida, mas os overdubs - o piano elétrico e a percussão latina - demonstram os desenvolvimentos alegres de Rubber Soul.

"Here Comes the Sun"

Nessa época, os créditos das canções de Lennon / McCartney eram uma formalidade sem sentido, e era raro encontrar o quarteto inteiro junto no mesmo estúdio. À medida que as personalidades criativas estavam em conflito, os integrantes frequentemente lideravam as próprias músicas e gravavam apenas a instrumentação.

Um bom exemplo é a canção de Harrison, "Here Comes the Sun", um mantra otimista que ele escreveu no jardim de Eric Clapton.

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“The Ballad of John and Yoko”

O último topo das paradas dos Beatles no Reino Unido foi escrita por Lennon durante a lua de mel em Paris com Yoko Ono.

A letra é inteira do Lennon, cheia de piadas e observações azedas - mas o arranjo é o vintage McCartney, inspirado no "Ob-La-Di, Ob-La-Da".

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Na canção, Lennon cuidou da guitarra e McCartney ficou na bateria. Essa reunião marcou o  raro retorno à intimidade criativa da maior dupla de compositores de todos os tempos do rock.

“The End”

"The End" é o clímax dos Beatles. Ela varia com riffs de hard rock e solos de guitarra estridente com baladas orquestrais, e se classifica ao lado da alucinante "Happiness Is a Warm Gun" de Lennon como o momento mais decisivo da banda - tudo isso em apenas dois minutos.

A faixa também é também uma vitrine para os talentos individuais da banda, permitindo que Harrison, Lennon e McCartney pudessem tocar uma guitarra tripla. No meio da música, o trio alternava entre mini-solos: Primeiro Paul, depois Harrison, e por último, John. 

“Strawberry Fields Forever”

Os Beatles já haviam experimentado a troca de instrumentos antes, mas nunca com esse efeito hipnótico: McCartney adiciona o Mellotron; Lennon complementa com o violão, piano e bongô; Ringo usa tambores e Harrison acrescenta uma harpa indiana.