Paulínia pisca para Olhos Azuis de Joffily

Filme conquista Menina de Ouro de melhor filme; Ana Luiza Azevedo, de Antes Que o Mundo Acabe, fica com prêmio de melhor direção

Por Anna Virginia Balloussier, de Paulínia Publicado em 17/07/2009, às 08h03

Olhos Azuis, de José Joffily, foi eleito melhor filme no II Festival de Paulínia, o que garantiu à produção de elenco global a bolada de R$ 60 mil. Nem por isso o mundo acabou para Ana Luiza Azevedo, que ganhou melhor direção com Antes Que o Mundo Acabe, sua estreia em longa-metragem.

A premiação, realizada na quinta, 16, no Theatro Municipal da cidade, reservou boa parte dos troféus Menina de Ouro (visualmente, imagine uma versão rabo-de-saia do Oscar) para as duas produções. De elenco encabeçado pelo norte-americano David Hasche, o thriller psicológico de Joffily premiou mesmo foi o produto nacional, Cristina Lago (melhor atriz) e Irandhir Santos (melhor ator coadjuvante). O filme assegurou, ainda, estatuetas para roteiro, montagem e som. Antes Que o Mundo Acabe saiu empatado: com carimbo de qualidade da Casa de Cinema de Porto Alegre (de Saneamento Básico, o Filme e O Homem Que Copiava), levou fotografia, figurino, direção de arte, trilha sonora e prêmio da crítica, além da direção para Azevedo. Placar: 6 a 6 para cada filme.

Só Dez Por Cento É Mentira, viagem visual de Pedro Cezar sobre vida e obra do poeta cuiabano Manoel de Barros, faturou como melhor documentário. A melhor direção na categoria foi para Roberto Berliner e Pedro Bronz, responsáveis por Herbert de Perto, apanhado sobre a carreira do líder do Paralamas do Sucesso - banda que não por acaso foi selecionada para fechar a festa.

A premiação foi apresentada por Murilo Benício e Guilhermina Guinle, que precisaram de jogo de cintura para driblar problemas persistentes com o teleprompter (o quiproquó eletrônico acabou resultando em categorias puladas, e em alguns momentos ninguém sabia o que estava sendo anunciado - muito menos os mestres-de-cerimônia). Para mostrar poder de fogo, o festival convocou o Midas das bilheterias brasileiras, Daniel Filho, para apresentar, em caráter hors concours, seu novo filme, Tempos de Paz - a temática é semelhante à do vencedor Olhos Azuis, já que os dois põem imigração e xenofobia na berlinda.

Previsto para agosto e baseado na peça de Bosco Brasil, Tempos de Paz rebobina até 1945, quando a Europa já havia fechado a conta para a Segunda Guerra, mas o Brasil ainda sentia o pileque dos tempos bélicos em seu território. Clausewitz (Dan Stulbach) é o polonês ansioso para entrar no país; Segismundo (Tony Ramos), o oficial durão da alfândega que vai fazer de tudo para avacalhar os planos do "imigrante suspeito".

Homenageado pelo festival, Filho confessou que estava "nervosinho" pela honraria. "Tanto que tomei um Lexotan." Puro charme. Ou efeito do remédio. Ou ambos. Falante como sempre, o cineasta dos quase sete milhões de espectadores (para Se Eu Fosse Você 2) comparou o momento a soprar velinhas. "É como cantam parabéns. Mas não é por que você nasce. É porque você trabalhou. Melhor ainda. O quanto você dura [no meio] - e eu já estou há 57 anos nessa."

Como a menina que brinca de gente grande com maquiagem e roupas da mãe à frente do espelho, o Festival de Paulínia às vezes exagera no batom e tropeça no salto alto. Duas arquibancadas, montadas para o público acompanhar as celebridades no tapete vermelho (declarados 125 metros de extensão, mais que o dobro do de Cannes), ficaram às moscas ao longo da semana. Mas desta vez o público compareceu - provavelmente pela promessa de mais estrelas por metro quadrado (nada, claro, que se compare a qualquer domingo no Leblon, bairro carioca queridinho pelos globais). Entre elas, Tony Ramos, Bruna Lombardi e o casal Flávia Alessandra e Otaviano Costa.

Confira os principais vencedores (e seus respectivos prêmios) abaixo:

Melhor filme (R$ 60 mil): Olhos Azuis, de José Joffily

Melhor direção (R$ 30 mil): Ana Luiza Azevedo (Antes que o Mundo Acabe)

Melhor documentário (R$ 45 mil): Só Dez Por Cento é Mentira, de Pedro Cezar

Melhor direção em documentário (R$ 30 mil): Roberto Berliner e Pedro Bronz (Herbet de Perto)

Melhor ator (R$ 25 mil): Marco Ribeiro, Paulo Mendes e Cleiton Santos (todos de O Contador de Histórias)

Melhor atriz (R$ 25 mil): Cristina Lago (Olhos Azuis), Silvia Lourenço e Maria Clara Spinelli (ambas de Quanto Dura o Amor?)

Melhor ator coadjuvante (R$ 15 mil): Irandhir Santos (Olhos Azuis)

Melhor atriz coadjuvante (R$15 mil): Nívea Magno (No Meu Lugar)

Melhor curta-metragem nacional (R$ 20 mil): Timing, de Amir Admoni

Melhor curta-metragem regional (R$ 20 mil): Spectaculum, de Juliano Luccas

Melhor filme segundo júri popular (R$ 30 mil): O Contador de Histórias, de Luiz Villaça

Melhor documentário segundo júri popular (R$ 20 mil): Caro Francis, de Nelson Hoineff

O resto dos vencedores você confere aqui.