Paulo Gustavo do início ao fim: Do estrelato nos teatros e nos cinemas à batalha contra a Covid-19

O ator e humorista morreu nesta terça, 4, vítima de Covid-19

Redação Publicado em 04/05/2021, às 22h23

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Paulo Gustavo (Foto: Reprodução /Youtube)

O ator e humorista Paulo Gustavo morreu nesta terça, 4, após ser diagnosticado e internado com Covid-19. A notícia foi confirmada em um boletim médico divulgado à imprensa e causou muita comoção nas redes sociais, que foram utilizadas por colegas para lamentar a morte precoce e relembrar o legado do artista. 

Nascido no dia 30 de outubro de 1978, em Niterói, no Rio de Janeiro, Paulo Gustavo Amaral Monteiro de Barros começou a ganhar destaque nos palcos ao participar da peça O Surto, em 2004, de acordo com o Cine Click.

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Para o espetáculo, o ator criou um papel especial, a Dona Hermínia. Inspirada na própria mãe, Déa Lúcia, a personagem carrega características típicas de mães protetoras e donas de casa brasileiras por meio de um sarcasmo sem papas na língua cheio de carisma.

Em 2006, Dona Hermínia ganhou o próprio monólogo após Paulo Gustavo terminar o curso de teatro na Casa das Artes de Laranjeiras, onde estudou com outros alunos notáveis, como Fábio Porchat (Porta dos Fundos) e Marcus Majella (Vai Que Cola).

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Com uma peruca de cabelos castanhos presos em bobes e um vestido estampado, Paulo Gustavo realizou a façanha de construir uma figura familiar, mas ainda sim excepcional. É o tipo de personagem que é lembrada pelo nome, que estrela comerciais do Banco do Brasil, que protagoniza uma trilogia de sucesso nos cinemas.

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Minha Mãe É Uma Peça ficou mais de 10 anos em cartaz e foi adaptada para um filme por André Pellenz em 2013. Na época, o longa-metragem conseguiu alcançar o primeiro lugar do ranking de principal bilheteria do ano para uma produção nacional, segundo o Uol

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O feito histórico foi repetido mais duas vezes. Minha Mãe É Uma Peça 2 (2016) e Minha Mãe É Uma Peça 3 bateram recorde como a maior bilheteria na história do cinema nacional, segundo informações da Folha de S.Paulo e do Omelete

Apesar do sucesso, o humorista revelou que a franquia surgiu de diversas dificuldades, como a batalha da mãe divorciada para criar três filhos e a falta de dinheiro. "Quando eu começo a ficar triste, eu transformo tudo em risada," disse o ator em entrevista ao Notícias da TV no começo de 2021.

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E o sucesso de Paulo Gustavo não parou por aí. Nos teatros, o ator estrelou o stand up Hiperativo (2010) e a peça 220 Volts (2014), esta última também foi adaptada para a televisão e para os cinemas.

O artista, que acumulava participações em séries e filmes nacionais, como Sítio do Picapau Amarelo(2007), Divã (2009) e Os Homens São de Marte... e É pra lá que Eu Vou (2014), passou a ser protagonista nas sitcoms Vai Que Cola (2013) e A Vila (2017) com os personagens Valdomiro Pinto Lacerda, um malandro carioca, e Rique, um palhaço de circo desempregado, respectivamente.

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Com o sucesso, Paulo Gustavo atingiu o patamar de aparecer como ele mesmo em O Fantástico Mundo de Gregório (2012) e Fala Sério, Mãe! (2017), além de ter ganho o próprio programa, Paulo Gustavo na Estrada (2014).

No auge da fama, o humorista também foi alvo de críticas e acusado de racismo ao fazer blackface, o uso de tintas e maquiagens para escurecer a pele, no papel de Ivonete

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“Eu conheci muitas Ivonetes na minha vida e tenho orgulho dessas mulheres. Ao contrário de outras personagens que eu uso para ridicularizar o tipo que elas representam, a Ivonete existe pra ridicularizar quem a ridiculariza, porque eu quero rir de gente que não gosta das Ivonetes. Porque eu amo a Ivonete. Ela é negra, nasceu negra e eu tenho o mesmo respeito por ela que eu tenho por todas as pessoas,” escreveu o artista no Facebook na época, segundo a Veja Rio

Mais tarde, o ator pediu desculpas nas redes sociais. "Eu não quero de forma alguma ser agente dessa dor, corroborar com preconceitos e manter o status quo de uma sociedade que necessita melhorar. Todos nós precisamos conversar e pensar mais a respeito. Eu tenho feito isso. Eu e a Ivonete."

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Durante uma participação no Conversa com Bial, Paulo Gustavo confessou que não gravaria ou escreveria certas cenas novamente, pois ganhou consciência e não considerava algumas das próprias piadas engraçadas.

A mudança refletiu nos últimos trabalhos do ator. Ao longo da franquia Minha Mãe É Uma Peçadeixou de fazer piadas sobre o peso da personagem Marcelina ou a sexualidade do irmão dela, Juliano. A mesma repaginada aconteceu com 220 Volts

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O programa, inclusive, foi responsável por marcar a estreia de Paulo Gustavo na televisão aberta, que exibiu 220 Volts - Especial de Fim de Ano com a participação de Angélica, Deborah Secco, Herson Capri e Iza. De acordo com a Folha de S.Paulo, a emissora Globo planejava investir em uma produção com o artista em 2021. 

Mas no dia 13 de março, o ator foi internado em um hospital do Rio de Janeiro após ser  diagnosticado com o coronavírus e teve uma melhora no dia 19 de março. Porém, ele foi intubado dois dias depois e, no dia 2 de abril, começou o tratamento ECMO - Oxigenação por Membrana Extracorpórea, o qual se assemelha ao uso de um pulmão artificial, de acordo com o G1.

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Segundo o Uol, Paulo Gustavo passou por processos para corrigir fístulas bronco-pleurais, intervenções broncoscopias, procedimentos cirúrgicos e uma pneumonia bacteriana durante o mês de abril.

O artista apresentou melhoras e "interagiu bem com a equipe profissional e com o seu marido", segundo o boletim médico. Mas, no último domingo, 2, ele teve uma recaída súbita, sofreu uma embolia gasosa e não resistiu.

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Nesta terça, 4, Paulo Gustavo deixou o marido, Thales Bretas; dois filhos, Romeu e Gael; e um legado memorável na história do humor brasileiro.


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