Pela primeira vez no Brasil, The xx experimenta idolatria em São Paulo

Banda foi principal atração do Popload Festival, no HSBC Brasil

Lucas Reginato Publicado em 27/10/2013, às 02h59 - Atualizado em 28/10/2013, às 14h09

The XX - Popload Festival

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Mesmo antes das 17h já havia quem aguardasse pelo The xx na porta do HSBC Brasil, em São Paulo. A banda inglesa seria a grande atração do Popload Festival, em São Paulo. Antes, quem soou nas caixas de som, às 20h30, como previsto, foi Silva, que apresentou suas suaves canções e serviu como uma bela recepção a quem ainda chegava ao evento.

Veja as imagens do Popload Festival, com The xx e Yuck.

O capixaba sofreu com problemas de som no local onde se apresentava, no hall de entrada da casa de shows, que suportou com dificuldade um palco. Mesmo assim, Silva conseguiu mostrar canções de seu primeiro disco, Claridão, além de covers como “Mais Feliz”, de Cazuza.

O palco principal foi inaugurado pelo Yuck. A banda, que tinha diante de si já muitos fãs do The xx, abriu o show com “Middle Sea” e caprichou nos riffs noventistas. O grupo fez valer a viagem até o Brasil e mostrou não apenas canções como também a superação com a saída do vocalista Daniel Blumberg. Max Bloom, um pouco distante, foi quem comandou os vocais durante grande parte do show, e a baixista Mariko Doi interpretou “The Wall”, de álbum homônimo de 2011.

“Nunca pensamos em acabar com a banda”, diz baterista do Yuck sobre a saída do vocalista.

The XX provoca fanatismo do público

Foi então que apareceu o The xx. O trio britânico não demorou a entrar em cena e iniciou de forma dançante com as notas de “Try”. A faixa do mais recente disco da banda, Coexist, lançado no ano passado, mostrou algo do que estava por vir. Na falta de uma grande personalidade extravagante, o grupo estava dividindo as atividades de forma muito bem-sucedida no palco.

“São os melhores lugares onde já tocamos”, elogia Jamie Smith depois de turnê do The xx pela América do Sul.

Mas guitarrista e vocalista Oliver Sim não demorou a ocupar o posto de frontman no início da apresentação. Mais performático do que o previsto, ele explorou o palco e demonstrou em alguns momentos a capacidade de supostamente liderar o trio com performance envolvente e enérgica. Mas a banda parece ser avessa a exageros.

Sem estripulias, ocupou seu lugar de maneira firme a guitarrista Romy Croft, também responsável pelos vocais. Em canções como “Night Time” e “VCR”, ela mostrou uma execução mais apaixonada do que aquela gravada nos dois discos da banda e em diversos momentos chamou para si as atenções.

Quem mantém-se estável durante todo o show é Jamie Smith, responsável pelas cativantes batidas do trio londrino. Ao vivo, ele explora as sonoridades criadas para os dois discos e refaz analogicamente alguns dos sons teoricamente eletrônicos. Em tambores de aço, ele recriou ao vivo texturas que notavelmente se distanciaram do original e reproduziram de maneira rica as férteis composições. O tímido produtor manteve-se fiel àquilo que tem de fazer e, mesmo que pudesse aparentar algum cansaço durante a apresentação, fez o público que acompanhou atentamente dançar o tempo todo.

“Heart Skipped a Beat” foi a segunda canção do repertório e provou a harmonia dos três músicos, que depois de um ano e meio encerram, em São Paulo, uma extensa turnê. Oliver fez questão de ressaltar a situação para o público e foi muito aplaudido, assim como foi louvado qualquer movimento inusitado dos músicos.

Não há dúvida que a luz ocupa espaço central no show do The xx. No início ela é esfumaçada – o palco todo branco destaca os três músicos vestidos de preto. Com o passar das canções, outras tonalidades ocupam o palco, e lasers invadem a plateia envolvida pelas cores vibrantes e movimentações sensíveis dos feixes.

O The xx aprendeu, depois de passar por tantos países, a cativar o público. A banda a todo momento brinca com a velocidade com que foram gravadas as canções nas versões originais. Pegou, assim, de surpresa parte do público que adiantou-se para cantar refrãos de canções como “Fiction” e “Crystalized”, mas exaltou-se com os movimentos inusitados.

Foram escassas as comunicações mais diretas entre músicos e plateia. Em apenas alguns momentos Oliver escancarou a saudade de casa e agradeceu pela empolgada resposta. Já o público fazia questão de aplaudir efusivamente a banda que pela primeira vez passa pelo Brasil. Assim como foi no Rio de Janeiro, dois dias antes, os três provavelmente ficaram surpresos com tamanha idolatria. Um bis, com as belas “Intro” e “Angels”, pareceu insuficiente para os fãs, que poderiam passar o resto da madrugada ao som das belas batidas do The xx.