O Beatle exilado

Pete Best, que tocou bateria antes da banda de Liverpool alcançar a fama, se apresenta no Brasil neste fim de semana; “Eu cometi vários erros, que tiveram consequências no resto da minha vida”, afirma

Por Paulo Cavalcanti Publicado em 12/11/2009, às 19h09

Várias pessoas, como o produtor George Martin ou Yoko Ono, viúva de John Lennon, já receberam a alcunha de "quinto Beatle". Mas poucos podem dizer que foram um Beatle de verdade. Tirando John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, somente o baterista Pete Best pode bater no peito e falar que fez parte do grupo de Liverpool de uma forma efetiva. O baterista, que fez parte do grupo entre 1960 e 1962, se apresenta no Rio de Janeiro e em São Paulo neste fim de semana, ao lado dos argentinos do The Beats, considerada umas das melhores bandas cover de Beatles do mundo.

Pete Best participou das primeiras gravações e deu duro tocando com os Beatles em clubes de Liverpool e Hamburgo. Em 1961, o grupo acompanhou o cantor Tony Sheridan, um clone inglês de Elvis Presley. Os registros saíram depois em vários formatos pelo selo Polydor. "Nós gravamos num estúdio improvisado no fundo de uma escola em Hamburgo. Foi um trabalho rápido e fácil, basicamente refizemos o material que usávamos em nossas apresentações nos clubes. Eram canções como 'My Bonnie', 'The Saints', 'Sweet Georgia Brown'. O mais legal é que em 'Ain´t She Sweet' o vocal foi feito pelo John [Lennon]", recorda o músico.

Em agosto de 1962, quando os Beatles estavam prestes a assinar com a Parlophone, Best foi dispensado sem aparente razão - uns diziam que era ciúme dos outros integrantes, outros falavam que seu estilo não agradou a George Martin, novo produtor dos Beatles. Seja lá o que tenha acontecido, o empresário Brian Epstein mandou Pete embora, dando lugar a Ringo Starr. Best então ganhou o apelido de "o homem mais azarado do mundo" e partiu para a obscuridade, enquanto via seus antigos amigos virarem semideuses. "Eu cometi vários erros. Eu sei, tiveram consequências no resto da minha vida. Mas, azarado? Estou aqui rindo, conversando, estou casado há 40 anos e tenho dois filhos lindos. E ainda faço música, o que eu mais amo e sempre me deu forças para seguir", pondera. Atualmente, além de excursionar pelo mundo com o The Beats, o baterista mantém sua própria banda, a The Pete Best Band. "Meu exemplo de vida é esse. Por pior que as coisas possam parecer, sempre existe uma saída."

Nos anos 60 e 70 o músico rejeitou seu passado no Fab Four, mas dos anos 80 pra cá decidiu assumir sua parcela no sucesso do grupo. "Fiz parte da banda mais icônica de todos os tempos. Hoje em dia, encontro gente que nos assistia em Hamburgo e que fala que os Beatles eram realmente incendiários quando eu toquei com eles. Ainda falam que Ringo 'estragou' a banda! Claro, não foi nada disso, mas cada um tem sua interpretação do que aconteceu. Mas isso prova que eu não fui esquecido". Best também lançou livros falando de seu legado com os Beatles e se tornou consultor em vários projetos que tratavam dos primórdios da banda de Liverpool.

The Beats e Pete Best

Rio de Janeiro

14 de novembro, às 22h

Vivo Rio - Av. Infante Dom Henrique, 85 - Parque do Flamengo

R$ 80 a R$ 160

Informações: 4003-1212

São Paulo

15 de novembro, às 20h

HSBC Brasil - R. Bragança Paulista, 1281

R$ 80 a R$ 160

Informações: 4003-1212