Polêmico, Sniper Americano é mais uma história sobre os guerreiros calados e solitários da filmografia de Clint Eastwood

Filme traz Bradley Cooper em uma excelente atuação como um atirador de elite frio e determinado

Paulo Cavalcanti Publicado em 12/02/2015, às 17h26 - Atualizado às 17h37

Ator Bradley Cooper em cena do filme American Sniper, de Clint Eastwood
Reprodução

Sniper Americano, dirigido por Clint Eastwood, é seguramente um dos filmes mais polêmicos do ano e também o mais bem-sucedido: já arrecadou mais de U$ 300 milhões nos Estados Unidos. O longa foi indicado a seis prêmios Oscar, incluindo os de Melhor Filme e Melhor Ator (Bradley Cooper).

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Eastwood é velho de guerra quando o assunto é controvérsia – na década de 1970, ele desagradou os liberais com os filmes da série Dirty Harry, o violento policial que não seguia as regras estabelecidas. Sniper Americano é uma adaptação do livro homônimo escrito pelo falecido Chris Kyle e publicado em 2012 – ele está sendo editado no Brasil neste momento pela editora Intrínseca. Membro do corpo de elite Navy SEALs, Kyle foi o sniper (atirador de precisão que fica em uma posição fixa e que mira em alvos específicos) mais letal do exército norte-americano. O militar tem em sua ficha 160 mortes confirmadas, mas é possível que ele tenha eliminado quase 250 pessoas.

Kyle (Cooper) é um típico rapaz texano, gosta de caçar, se divertir e não tem nenhum grande interesse na vida. Mas tudo muda quando consegue entrar para os SEALs. Kyle se mostra como um produto típico do pós-11 de setembro. Ele não pensa em outra coisa a não ser defender o seu país e mandar o inimigo para outro mundo. O sonho dele é concretizado quando é enviado para lutar na Guerra do Iraque. Com precisão cirúrgica na hora de atirar e pensamento pragmático no momento de executar as ações de guerra, Kyle mata rebeldes e terroristas sem pensar duas vezes. O dia a dia sangrento e extenuante no Oriente Médio de certa forma preenchem a vida dele. Lutando em cidades dilapidadas como Bagdá, Fallujah e Ramadi, ele se torna uma verdadeira lenda e tem até a cabeça colocada a prêmio pelos rebeldes.

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Quando retorna aos Estados Unidos de licença para ficar com a mulher Taya (Siena Mulller) e os dois filhos pequenos, ele se sente desconfortável e inadequado e só pensa em voltar à ação. Kyle cumpriu quatro turnos no Iraque. No último, quase foi morto e acabou sendo desmobilizado de forma honrosa. Como todo veterano, Kyle enfrentou problemas para se adaptar à vida doméstica no país onde nasceu. Mas depois de certo tempo, ele parecia estar feliz ao lado da família.

Uma das ocupações do ex-militar era ajudar os veteranos de guerra. No dia 2 de fevereiro de 2013, Kyle, que tinha 38 anos, foi assassinado por um veterano que sofria de estresse pós-traumático. Sniper Americano vem sendo denunciado por ser fascista, excessivamente patriótico, por glorificar a guerra, satanizar o povo islâmico e fazer de um atirador frio um herói. Mas nada é tão simples assim. Eastwood conta a história de Kyle de forma direta, sem entrar em motivações políticas ou morais. O diretor até amenizou muita coisa - apesar de o filme ser muito violento, o livro é ainda mais explosivo, especialmente quando abre espaço para Kyle falar o que realmente pensava sobre os inimigos.

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Chris Kyle era um sujeito simples e honesto, não um anti-herói psicologicamente torturado - e Eastwood se pautou neste aspecto da vida do militar. Kyle, na verdade, é mais um dos guerreiros calados e solitários dentre tantos que já habitaram a extensa filmografia de Eastwood. Cooper vai ter uma competição bastante dura este ano, mas se ele levar o Oscar para casa será justo, já que o ator consegue realmente se transformar em Cris Kyle.