Maroon 5 faz show pop dançante e bem temperado de referências

Liderados por Adam Levine, os músicos mostraram que são muito bons ao vivo e relembraram seus vários hits em São Paulo; Keane também se apresentou

Stella Rodrigues Publicado em 27/08/2012, às 02h44 - Atualizado às 18h02

Adam Levine, o frontman do Maroon 5

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Com uma quantidade impressionante de hits estourados nas rádios brasileiras e em um ótimo momento da carreira, parecia justo que o Maroon 5 voltasse ao país para outro show, depois de ter sido convidado de última hora para o Rock in Rio, há menos de um ano. Eles vieram como headliners de uma das edições do Live Music Rocks e passaram por Curitiba e Rio de Janeiro, antes de desembarcar em São Paulo. A capital paulista recebeu os californianos para uma performance na Arena Anhembi, com ingressos esgotados, que alternou fanatismo digno de boy band – majoritariamente direcionado ao frontman/galã Adam Levine –, sucessos e estilos dançantes que variam entre o suingue do Jamiroquai, pop, soul, reggae e uma piscadela para um sucesso oitentista, além de muitos solos bem executados. Mas vamos ao começo. O show de 1h45 de duração foi extremamente pontual, assim como o resto do evento. Às 21h30, o barulho de telefone público (daqueles de ficha) anunciou o início do show e a primeira faixa, a atual música de trabalho “Payphone”, parceria com Wiz Khalifa. O público respondeu com plaquinhas de “call me” (“me liga”).

Em seguida, um trecho de “Don’t Stop Till You Get Enough”, de Michel Jackson, introduziu a música “Makes Me Wonder” e também deu o tom da bem dirigida apresentação. Referências clássicas bem colocadas, muitas luzes e telões coloridos complementaram as faixas que a banda escolheu para o set list. Esta, em especial, ganhou também alguns passos do vocalista. Em seguida vieram a nova “Lucky Strike” e as já bem conhecidas “Sunday Morning” e "If I Never See Your Face Again". O novo disco, Overexposed, apareceu de novo, então, com "Wipe Your Eyes", que está na versão de luxo do álbum. Em seguida, com três favoritas dos fãs em sequência, não teve como as coisas não ficarem animadas: “Won’t Go Home Without You”, “Harder To Breathe” e “Wake up Call”. A porção reggae com “One More Night”, que veio logo depois, freou o coro por alguns minutos e deu a chance dos músicos mostrarem o quão talentosos são com seus instrumentos.

Antes de continuar com “Hands All Over”, Levine tirou um minuto para agradecer as bandas que antecederam o Maroon 5 (vide subtítulo abaixo) e ao público, afirmando que ficaram muito felizes, há dois meses, quando souberam que 30 mil ingressos tinham sido vendidos: “A gente nunca tinha vendido tanto para um só show. Quero que saibam o quanto isso é especial para nós”. Pedindo desculpa pela falta de conhecimento da nossa língua, prometeu estar treinado para falar algumas frases da próxima vez. E depois de “Hands All Over”, “Misery” serviu de antessala do karaokê para a cantoria mais impressionante da noite: “This Love”, o primeiro grande sucesso do Maroon 5, banda que apanha muito por ficar naquele limbo do pop que esbarra em diversos outros estilos, mas que se mostra muito competente ao vivo.

O bis foi suculento. Na volta, o guitarrista James Valentine assumiu os vocais e Levine ficou nas baquetas para uma versão da über conhecida “Seven Nation Army”, do White Stripes – que teve uma recepção fria, para o tamanho da música. É que as pessoas sabiam o que viria a seguir e estavam ansiosas pela versão acústica de “She Will Be Loved”, que mostrou mais uma vez que o Maroon 5 tem jeito para ser melhor ao vivo do que nos discos. Durante o bis, determinado a pegar todos os presentes que jogavam para ele, o frontman chegou a usar três camisetas de uma vez: a sua preta, lisa, uma espécie de uniforme do grupo, outra da seleção brasileira com o nome de Neymar, e, ainda, uma que propunha a ele ser o pai dos filhos de uma fã.

“Stereo Hearts” – do Gym Class Heroes, gravada com participação de Levine – e “Daylight” (que o vocalista considera a preferida dele no novo disco) precederam um medley muito divertido e dançante de “Don’t You Want Me”, aquele do Human League, e “SexyBack”, do Justin Timberlake, introduzindo “Moves Like Jagger”, que só começou depois de muita graça da parte de Levine e terminou o show deixando o domingo sem cara nenhuma de domingo.

Keane

Uma banda grande, com disco recém-lançado, e que já fez show em São Paulo para um público fiel, em casa de espetáculo grande, poderia facilmente ter vindo ao Brasil por conta própria. O Keane como banda de abertura do Maroon 5 causou estranhamento a princípio, não somente pelas diferenças de sonoridade, mas pela logística. Mas dentro desse contexto de minifestival do Live Music Rocks, o line-up funcionou bem. Javier Colon, vencedor do reality show The Voice, que tem Adam Levine no elenco, subiu ao palco primeiro. O Keane, mesmo com uma performance curta, foi redondinho. "Everybody's Changing", "Is It Any Wonder?" e "Crystal Ball", os três maiores sucessos, deram as caras, assim como músicas do novo disco, Strangeland. Durou só uma hora, mas foi tempo suficiente para eles prometerem voltar – e para a coloração branquinha-britânica no rosto do vocalista Tom Chaplin passar por 50 tons de vermelho, de tanto que ele suou e se entregou. Conforme ele disse, com tanta gente cantando animadamente junto a eles, dava para achar que o Keane é que era o headliner.