Por que o site pornô Pornhub é ameaçado de fechamento em petição que alega conteúdos criminosos?

Petição de campanha expõe supostos casos reais de abuso publicados no site e ultrapassou 1 milhão de assinaturas

Larissa Catharine Oliveira Publicado em 16/06/2020, às 07h00 - Atualizado às 13h20

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Banner do Pornhub na AVN Expo em 2017 (Foto: Ethan Miller/Getty Images)

O site pornográgico Pornhub, um dos maiores e mais conhecidos do mundo, se tornou alvo de uma petição apoiada por mais de um milhão de assinaturas, que exige o fechamento da plataforma. De acordo com a organização norte-americana Exodus Cry, responsável pela iniciativa, o site “hospeda e lucra” com conteúdo criminoso.

O movimento antipornografia ganha força na internet, principalmente por parte de organizações feministas ou religiosas, mas abaixo-assinado virtual da iniciativa - denominada Traffickinghub, uma relação do nome do site com acusações de tráfico sexual - garante uma abordagem não-religiosa e não-partidária, com adeptos "de vários contextos", e se baseia em casos reais para defender o fim do Pornhub e a responsabilização criminal dos empresários responsáveis pela marca.

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Entre as evidências publicadas na petição, está o caso de um homem preso, em 2019, após a família de uma menor desaparecida encontrar um canal de vídeos pornográficos com a garota no Pornhub. Segundo informações da Fox News, foram publicados quase 60 vídeos de abuso sexual contra a vítima no Pornhub e Modelhub, e também no Snapchat e Periscope. De acordo com o NBC News, o sequestro durou sete meses. "As imagens supostamente mostravam a vítima performando atos sexuais com dois homens adultos", reportou o site.

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Laila Mickelwait, diretora da Exodus Cry e responsável pela petição, classificou o Pornhub como uma “cena de crime”. O site é propriedade da empresa de tecnologia Mindgeek, dona também de outros domínios do segmento, como YouPorn, Redtube, Tube8, Xtube e as produtoras pornográficas Brazzers e Reality Kings. “Temos provas concretas que foram divulgadas na mídia sobre os casos verdadeiros de estupro e tráfico sexual de mulheres e crianças [publicados] com fins lucrativos no site”, afirmou Laila. “Isso ocorre porque o Pornhub não exige verificação da idade ou consentimento de milhões de pessoas (...) que geram receita com anúncios no site”.

Logo da campanha Traffickinghub (Foto: Reprodução/Twitter)

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Uma investigação publicada pelo The Sunday Times, em 2019, e citada pela campanha, apontou a presença de dezenas de vídeos com conteúdo ilegal no Pornhub, alguns com mais de 350 mil acessos e enviados ao site há mais de três anos. Segundo informações da Exodus Cry, este não é o único site da Mind Geek com conteúdo ilegal, mas se tornou alvo da campanha pelo tamanho estratosférico. 

O debate sobre pornografia costuma ser acompanhado pela sugestão de mudanças na indústria, mas Laila defende o fim do Pornhub e um processo legal contra os executivos responsáveis pelo site. “Quando Jeffrey Epstein e Harvey Weinstein foram expostos por abuso, estupro e tráfico de mulheres e crianças, eles não foram apenas repreendidos, foram jogados na prisão. Eles foram fechados. O Pornhub e seus executivos não devem ser tratados de maneira diferente”, pontuou. “Um simples puxão de orelha é uma grave injustiça com essas vítimas”.

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Para publicar um vídeo no Pornhub, é necessário realizar um cadastro no site e confirmar o e-mail. Não é necessário informar dados pessoais para realizar o upload, e o usuário precisa concordar com os termos de uso e confirmar ter consentimento de todos envolvidos no vídeo, que precisam ter 18 anos de idade ou mais. O vídeo fica disponível instantaneamente na plataforma.

Diariamente, o Pornhub recebe 115 milhões de visitas, segundo dados divulgados pelo site, e ultrapassou 40 bilhões de acessos em 2019. Apenas no último ano, a plataforma recebeu mais de um milhão de horas de conteúdo novo, equivalente a 169 anos de conteúdo para assistir. O site possui um formulário para denunciar conteúdo publicado sem consentimento ou ilegal e utiliza “um serviço de sistema automatizado de identificação áudio-visual” para bloquear a reincidência de conteúdo deletado.

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A organização Exodus Cry, criada para combater o tráfico humano e responsável pela petição, foi fundada por Benjamin Nolot, diretor do filme Liberated: The New Sexual Revolution (2017), da Netflix. Em 2013, Nolot se envolveu em uma polêmica ao se posicionar sobre aborto. "Sugerir que aborto é um 'direito das mulheres' é como dizer que bater na esposa é um 'direito dos homens'. Lógica insana", escreveu na publicação, já deletada. 

Em nota ao The Guardian (via Daily News), o Pornhub não negou diretamente as acusações listadas pela campanha. "Pornhub tem um firme compromisso de erradicar e combater conteúdo não consensual e material de menores de idade [no site]. Qualquer sugestão é categoricamente e factualmente imprecisa", afirmou a empresa.

Atualização em 16/06/2020, às 11h13

Um representante do Pornhub entrou em contato com a Rolling Stone Brasil sobre o caso. "Nossa moderação de conteúdo está de acordo com os Princípios Voluntários reconhecidos internacionalmente para Combate da Exploração e Abuso Sexual Infantil Online. Isso inclui empregar uma extensa equipe de moderadores humanos dedicados a revisar cada upload. Isso nos permite tomar ações proativas contra conteúdo ilegal. Além disso, temos um sistema robusto parasinalização, revisão e remoção de todo material ilegal e ferramentas de verificação de idade". 


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