Prêmio Itamaraty entregará R$ 90 mil na Mostra de SP

Até ano passado realizado em Brasília, premiação migra para São Paulo, cria categoria de documentário e aumenta bolada em R$ 55 mil

Por Anna Virginia Balloussier Publicado em 10/08/2009, às 16h17

O Prêmio Itamaraty para o Cinema Brasileiro chega à quarta edição com novo lar e quantia mais generosa. Entregue por três anos no Festival Internacional de Cinema (FIC) de Brasília, a premiação migra em 2009 para a Mostra de São Paulo. E a crise que o perdoe: se antes o órgão destinava R$ 35 mil para longa (R$ 25 mil) e curta-metragem (R$ 10 mil), o valor deu um galope e tanto, com R$ 90 mil garantidos para longa (R$ 45 mil), curta (R$ 15 mil) e documentário (R$ 30 mil), categoria recém-criada.

O anúncio veio em coletiva de imprensa realizada nesta segunda, 10, com a presença de Paula Alves de Souza, chefe da Divisão de Promoção do Audiovisual (parte do Ministério das Relações Exteriores), e Leon Cakoff, diretor da Mostra. As inscrições para concorrer à bolada estarão abertas até 31 de agosto, no site do evento.

Para se candidatar, a obra precisa ser produzida no Brasil. "São os mesmo critérios da ANCINE", explicou Souza. Pré-requisitos como "ser falado em português", portanto, vão para o saco. Para exemplificar, Cakoff sacou da manga o filme de Fernando Meirelles com elenco global e diálogos em inglês: "Ensaio Sobre a Cegueira, por exemplo, é um filme brasileiro".

Também cobra-se dos concorrentes ineditismo no circuito comercial e em festivais paulistanos.

A ideia, segundo Souza, é "manter o caráter de itinerância" do prêmio, cuja média de permanência em um festival foi estipulada em três anos. Leia-se: em 2012, adeus, São Paulo.

Os vencedores serão escolhidos por comissão de até cinco jurados, ainda não definidos. Serão, basicamente, três triagens. Primeiro, a comissão selecionará quantidade ainda não estabelecida de inscritos para as três categorias. Ao longo da mostra (23 de outubro a 5 de novembro), o público elegerá cinco favoritos em cada modalidade. Caberá à comissão, a partir daí, votar em seu cavalo campeão (no ano passado, os louros foram para Juventude, de Domingos Oliveira).

O Festival de Paulínia, que realizou sua segunda edição em junho, continua sendo o maior enche-cofres da categoria: são R$ 650 mil em prêmios.

Censura atrapalha

Criada em 2007, a Divisão de Audiovisual tem um objetivo máximo: vender o peixe brasileiro lá fora. Para isso, o órgão de diplomacia cai no mundo, promovendo festivais com produtos de selo BR - muitas vezes, o diplomata convoca conhecidos para sessões que "fortalecem a indústria" verde-amarela (o orçamento, que abrange de passagens aéreas a coquetéis, não é aberto, mas também não passa de "ínfimo", afirmou Souza). Os filmes vão de Estômago a Casa de Alice - difícil é conseguir os direitos para exibir um Tropa de Elite da vida, mais confortáveis no mercado internacional.

A maré da crise não é o que mais periga fazer a canoa brasileira virar, e sim problemas com censura. Em lugares como o Teerã (capital iraniana), por exemplo, é mais fácil emplacar documentários e filmes infantis. "Imagina se cortam sexo e violência...", disse a diplomata. A sequência da frase era clara: nesse caso, aí sim é que a produção brasileira ficaria desnudada.

A lendária rivalidade com a Argentina, aqui, não é conto da carochinha. Souza conta que fez questão de abrir um festival promovido pelo Itamaraty em Buenos Aires com Meu Nome Não É Johnny, bilheteria mais parruda para um filme nacional, em 2008. No fim da sessão, os hermanos vieram com esta: "Pena que os roteiros brasileiros continuam muito fracos...".