Presidente do Haiti é assassinado a tiros, diz primeiro-ministro

Jovenel Moïse, presidente do Haiti, foi assassinado a tiros na madrugada desta quarta, 7, em meio à crise política, humanitária e sanitária no país

Redação Publicado em 07/07/2021, às 09h52

None
Jovenel Moïse (Foto: Alex Wong/Getty Images)

Jovenel Moïse, presidente do Haiti, foi assassinado na madrugada desta quarta, 7 de julho. Segundo comunicado oficial do primeiro-ministro interino, Claude Joseph, o chefe de Estado foi morto a tiros por um grupo de homens armados que invadiram a residência oficial.

Conforme noticiado pelo O Globo, o comunicado explica que a esposa de Moïse, Martine, também foi baleada e está sob cuidados médicos. Claude Joseph caracterizou o ato como “odioso, desumano e bárbaro”, e revelou que parte dos agressores falavam espanhol, indicando que não seriam haitianos.

+++LEIA MAIS: Desigualdade bate recorde na pandemia e renda média brasileira é a pior desde 2012

"Um grupo de indivíduos não identificados, alguns dos quais falavam em espanhol, atacou a residência privada do presidente da República (...) ferindo mortalmente o chefe de Estado", explica a nota.

O assassinato ocorre em meio a um cenário crítico no Haiti, que sofre com a polarização, crise humanitária, escassez de alimentos, aumento da pobreza, instabilidade política e temores de uma desordem generalizada.

+++LEIA MAIS: Grammy 2021: Conheça Kaytranada, DJ indicado na categoria Artista Revelação

No comunicado, o primeiro-ministro também pediu calma à população e afirmou que a situação do Haiti está sob controle da polícia e Forças Armadas: "Todas as medidas estão sendo tomadas para garantir a continuidade do Estado e para proteger a nação. A democracia e a República vencerão."

Segundo a Folha, a ação de gangues em lutas entre si e com a polícia resultou em um aumento da violência nos últimos tempos, principalmente na capital do país, Porto Príncipe. Esse cenário se acentuou pela instabilidade política.

 
 
 
 
 
Ver esta publicação no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação partilhada por Président Jovenel Moïse (@jovenelmoise)

 

+++LEIA MAIS: Como violência policial e racismo são normatizados pela produção audiovisual brasileira [ANÁLISE]

Desde que assumiu a presidência, Moïse enfrenta protestos e acusações de autoritarismo e de tentar instalar uma ditadura, acusações negadas por ele. Desde janeiro de 2020, o presidente governava por decreto após suspender parte do Senado, toda a Câmara dos Deputados — equivalente ao Poder Legislativo— e os prefeitos.

Moïse foi eleito em 2015, mas após acusações de fraude o pleito foi anulado e uma nova votação confirmou o resultado, e ele assumiu o cargo em 7 de fevereiro de 2017 para um mandato de cinco anos.

+++LEIA MAIS: Serj Tankian se diz 'chocado' por fãs não saberem que System of A Down canta sobre política

O grande embate entre Moïse e a oposição foi relacionado ao tempo do mandato. Ele dizia que deveria governar até fevereiro de 2022, enquanto os adversários políticos e o Superior Tribunal de Justiça do Haiti afirmavam que o tempo de governo interino deveria contar como mandato, portanto, estendendo-se até fevereiro de 2021.

Apesar disso - e de diversos haitianos indo às ruas para pedir o fim do mandato -, o presidente se recusou a sair do cargo: “Eu não sou um ditador. Meu mandato termina em 7 de fevereiro de 2022,” disse.

+++LEIA MAIS: 'Brasil precisa de um adulto no comando', diz Serj Tankian, do System of A Down


+++ OS 5 DISCOS ESSENCIAIS DE BOB DYLAN | ROLLING STONE BRASIL