Curumin fala sobre o processo de produção de Arrocha

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Curumin explica a mudança de sonoridade no novo álbum e a importância do contato com outros músicos para sua carreira

Murilo Basso Publicado em 18/03/2012, às 15h18

Curumin
Reprodução / Facebook oficial

A mistura de samba, soul e funk na música de Luciano Nakata, o Curumin, ganhará novas formas em seu próximo trabalho. Arrocha, terceiro disco do compositor, cantor e multi-instrumentista, deve chegar às lojas entre o final de abril e o início de maio, e trará novas direções para a carreira de Curumin. Pronto desde agosto do ano passado, o músico classifica seu novo álbum como um registro mais urbano, e explica a demora para o lançamento.

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“No meio do caminho fiquei sabendo que seria pai. Iria coincidir com o lançamento, então achei melhor fazer uma coisa de cada vez. Como não dá pra atrasar o filho, atrasei o disco”, brinca ele, que é casado com a também cantora Anelis Assumpção, filha de Itamar Assumpção. “Queria aproveitar esse momento, sem nada para atrapalhar. Homem tem isso, só consegue focar em uma coisa por vez.”

Arrocha teve um processo de gravação diferente dos trabalhos anteriores de Curumin: trata-se de um disco feito em um estúdio caseiro, e por isso traz uma sonoridade mais calma. “Não havia lugar melhor para eu fazer o disco. Até comecei a gravá-lo em um estúdio, mas quando comecei a sentir o drama do relógio, porque o tempo e dinheiro estavam acabando, decidi ir para casa. E isso acabou me proporcionando mais liberdade com os instrumentos”, explica. “Tentei criar um momento de tranquilidade, onde pudesse brincar com bateria e violão.”

Apesar do longo tempo sem gravar (Japan Pop Show, o segundo disco, é de 2008), Curumin não se afastou dos palcos. Em 2011, por exemplo, ele participou do Rock in Rio 2011 ao lado de Marcelo Jeneci e fez uma temporada de shows com Criolo, além do seu trabalho habitual com Arnaldo Antunes. “É algo fundamental, porque acaba aliviando minha carreira solo, recicla e traz novas ideias. E eu me concentro só em tocar bateria, o que me diverte muito.” A parceria com Arnaldo merece um capítulo à parte na carreira de Curumin. “Trabalho com Arnaldo há 10 anos e é incrível. Ele é um artista muito aberto, te dá muita liberdade, tem um direcionamento fácil. Ele tem esse incômodo de fazer música, nasceu com essa missão. Precisa fazer música para viver, para se expressar”, exalta o músico.

Arrocha conta com participações especiais: a cantora Céu faz backing vocal em algumas músicas, Marcelo Jeneci tocou teclado em determinadas canções e há uma parceria entre Curumin e Arnaldo. Com esse álbum, ele espera fugir de rótulos. A intenção é não se limitar a um gênero específico e mudar um pouco o discurso. O trabalho não trará letras politizadas, como foi o caso de Japan Pop Show. “Quero seguir em frente, falar de outros temas. Até há um lado político, mas ele é bem mais obscuro. É algo pessoal, fala um pouco sobre natureza e isso de certa forma é um tema político. Mas retrata isso com um tom mais de celebração.”

Novos tempos

Para Curumin, a mudança no modelo atual de produção da música acaba prejudicando o produto final. “O mais difícil hoje em dia é que a música se tornou muito um ‘negócio’. Você precisa tratar de tantas coisas, tantas burocracias para ela acontecer. Temos que ser tudo ao mesmo tempo, desde diretor de marketing, o cara que negocia com a casa de shows, até diretor do clipe, que acabamos deixando um pouquinho de lado o mais importante, que é o criar, o compor de verdade.”