Primeiro Prêmio de Música Digital incentiva o download legal

Premiação acontece em 23 de novembro no teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro; inscrições para prêmio por vendas já estão abertas

Por Fernanda Catania Publicado em 10/06/2010, às 12h04

Inédito no Brasil e no mundo, o Prêmio de Música Digital foi apresentado na última terça-feira, 8, em entrevista coletiva de imprensa no hotel Sheraton, em São Paulo.

O evento, que acontece em 23 de novembro no teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro, vai premiar os principais destaques no mercado de música digital no Brasil por meio de três categorias: prêmio por vendas, prêmio por voto popular e prêmio por reconhecimento digital.

Para participar, os artistas ou gravadoras devem se inscrever no site oficial e fornecer seus dados de comercialização virtual, com números de vendas no período de 1º de junho de 2009 a 30 de junho de 2010 e que tiveram distribuição por meio dos canais: operadoras (Oi, TIM, Claro e Vivo) e lojas de venda na internet.

Na categoria de prêmio por vendas, os dados cadastrados passarão por uma auditoria especializada, que definirá as músicas vencedoras nas dez modalidades, divididas por gêneros musicais (rock, pop, MPB, regional, sertanejo, urbana, religiosa, samba/pagode, internacional e mais vendida do ano).

A categoria por voto popular vai contar com um conselho formado por jornalistas, profissionais especializados e representantes de cada canal de distribuição participante do prêmio, que escolherá as cinco músicas que irão concorrer em três categorias: artista do ano, música do ano e artista revelação. O público, então, poderá votar pelo site e por SMS a partir de 15 de setembro (com fim em 15 de novembro).

Por fim, os prêmios por reconhecimento digital serão divididos em duas modalidades: marca e artista mais engajado digitalmente, levando em consideração "as iniciativas que visaram promover a legalidade e venda de conteúdos digitais".

Ao todo serão 15 premiados em cerimônia que vai contar com vários aparatos digitais. De acordo com Marcelo Alves, coordenador de eventos, os troféus serão entregues por um robô e o convite impresso será acompanhado por uma pulseira com um pendrive de borracha, que terá todo o conteúdo do prêmio. Além disso, a mestre de cerimônia será a reprodução virtual da "mascote" da marca. As apresentações musicais também serão diferenciadas. Segundo Marco Mazzola, produtor musical e um dos idealizadores do prêmio, cada artista que subir ao palco irá fazer uma performance diferente da faixa vencedora, que será remixada na hora por um DJ.

Novo segmento

A ideia de realizar o Prêmio de Música Digital surgiu em 2007, quando Mazzola parou para analisar o crescimento da música digital e seu impacto na indústria fonográfica. "Ninguém recebe nada por isso, então, pensei em algo que pudesse remunerar todas as pessoas que trabalham com música digital", disse o produtor. "Também tem como objetivo incentivar e conscientizar o público em geral a consumir legalmente o conteúdo digital de seus artistas preferidos, evitando a pirataria."

"Queremos mostrar que esse não é um caminho, mas é o único caminho contra a pirataria", completou Cláudio Vargas, diretor do setor digital e novos negócios da Sony Music Brasil. Segundo ele, o prêmio vai se voltar somente para fonogramas legalizados, ou seja, "baixados mediante pagamento". "Mas ainda estamos no começo, estamos estudando para talvez, no futuro, incluir categorias para outros tipos de downloads, como o gratuito", explicou.

Para Mazolla, que já trabalhou com artistas como Gal Costa, Raul Seixas, Ney Matogrosso e Elis Regina, "o que ouvimos na rádio hoje é medíocre", já que as músicas sofrem "exigências astronômicas" das rádios, deixando a entender que os meios digitais podem ajudar a "firmar uma nova música brasileira".

Um vídeo exibido durante a coletiva mostrou depoimentos gravados, por meio de celular, por vários artistas brasileiros que apoiam a iniciativa do prêmio. "É muito difícil competir com a pirataria, então é importante haver uma concretização desse novo segmento", disse Mallu Magalhães, cantora que alcançou o sucesso por meio da internet.

Frejat falou da importância em "remunerar e valorizar todos aqueles que trabalham com a música". Já Zeca Baleiro frisou a importância do uso inteligente da tecnologia e vibrou: "[Espero] que um dia até os robôs possam se emocionar com a nossa música". Skank, Cine, Toni Garrido, Di Ferrero (NZ Zero), Gilberto Gil e Fernanda Takai foram outros nomes que se mostraram a favor do download legal.