Prince desdenha Obama e fala sobre epilepsia na infância

Em rara aparição na TV, cantor se abre sobre relacionamento com pai e confessa não ligar para política desde que se tornou Testemunha de Jeová

Da redação Publicado em 29/04/2009, às 11h14

Prince, que não é de sair por aí dando entrevistas à TV, topou ser entrevistado por Tavis Smiley, do canal norte-americano PBS, na semana passada.

Os dois conversaram sobre a relação com o pai, o fato de ter nascido epiléptico e por que quer ficar a milhas de distância de uma urna eleitoral.

Quanto à epilepsia, o cantor afirmou nunca ter falado publicamente do assunto, e que "costumava ter ataques quando jovem". Certo dia, ainda pequeno, ele teria dito: "Mamãe, não vou ser mais enfermo". À sobrancelha levantada da progenitora, explicou: "Um anjo me contou". Revelou ainda que ao longo da carreira compensou o mal sendo "o mais reluzente e barulhento possível".

A política não interessa muito ao músico, tido por excêntrico e com planos de pôr no mercado três discos de inéditas ainda este ano (um iPod personalizado, ao menos, ele já lançou). Nem a histórica vitória de Barack Obama pareceu lhe seduzir. "Não voto e não tenho nada a ver com isso. Não tenho cachorro algum desta raça." O fato de descobrir que "houve oito presidentes antes de George Washington" foi uma surpresa e tanto. "Queria socar alguém! Por que não ensinam isso pra gente?" Sobre o presidente de seu país, disse que "ele tem boas intenções". A falta de interesse pela vida política do país, ele explicou, vem de ser Testemunha de Jeová - religião para qual se converteu no ano passado.

Quando Tavis perguntou quem estava apto a criticá-lo como músico, Prince suspirou. E disse: "Todo mundo. Desde que com um senso de amor", só fechando a cara para jornalistas. Um dos maiores mentores, para ele, teria sido Miles Davis, dono "de um ótimo senso de humor".

Prince falou abertamente sobre um tópico no qual, o apresentador chamou atenção, costuma ser bastante comedido: o pai. Ao abandonar a casa, o chefe da família teria deixado o piano para trás e feito o fiho querer "ser tão bom quanto ele". Foi sua postura severa, com conselhos como "nunca engravide uma garota" ou "nunca se case", que levou o cantor a "criar um universo próprio".