Prophets of Rage reúne groove, pressão e protesto durante show no Audio, em São Paulo

Supergrupo com integrantes de Rage Against the Machine, Public Enemy e Cypress Hill se apresentou na última terça, 9

Maria Fernanda Menezes Publicado em 10/05/2017, às 17h10 - Atualizado às 17h22

Prophets of Rage após apresentação na Audio Club, em São Paulo
Reprodução/Instagram

“Histórico” é um adjetivo que bem representa o que São Paulo presenciou no palco do Audio na última de terça-feira, 9. Em uma excelente prévia para o Maximus Festival, que acontece no próximo sábado, 13 – e em noite bem mais tranquila do que a da primeira vinda do Rage Against the Machine ao Brasil, na abertura do festival SWU de 2010 –, o guitarrista Tom Morello e os rappers Chuck D e B-Real fizeram jus a tudo o que representam para a música mundial: groove, pressão, protesto pela queda das barreiras sociais, inconformismo político, técnica e alma.

O Prophets of Rage, que tem também em sua formação Brad Wilk e Tim Commerford, do RATM, e o DJ Lord, do Public Enemy, fez um show destruidor, calcado no repertório do Rage Against the Machine e com a verve política presente em todos os momentos, do cartaz "fora, Temer" colado à guitarra de Morello ao sinal do punho cerrado dos Panteras Negras às letras das canções da superbanda, que lançará um novo álbum em setembro, como o próprio B-Real adiantou durante o show.

Presenciar Chuck D no palco é um privilégio. O timbre inconfundível do rapper do Public Enemy, junto à malandragem da voz de B-Real, do Cypress Hill, deu nova cara às músicas do RATM, como “Testify”, “Take the Power Back” e “Guerilla Radio”, que vieram na sequência após um início acompanhado por um público ensandecido na introdução de “Prophets of Rage”, do Public Enemy.

“How I Could Just Kill a Man” veio depois, misturado a “Insane in the Brain”, ambas do Cypress Hill, e emendada a outras duas do RATM, “Bombtrack” e “People of the Sun”. “Fight the Power”, clássico dos clássicos do Public Enemy, abriu caminho para um medley de uma leva de clássicos do hip-hop que incluiu “I Ain't Going Out Like That”, “Hand on the Pump”, “Can't Truss It” e “Jump Around”, com os rappers no chão com o público.

Morello tirava das guitarras os mais variados e acertados timbres e efeitos, equilibrando porrada, suingue e detalhes mínimos que o fazem um dos guitarristas mais relevantes de todos os tempos, como foi possível ver em mais uma leva de suas músicas – “Sleep Now in the Fire”, “Bullet in the Head”, “Know Your Enemy” e “Bulls on Parade”, esta última precedida por uma cover de “Seven Nation Army”, do White Stripes e pela inédita “Unfuck the World”, que fará parte do novo álbum.

Ficou de fora “No Sleep Till Brooklyn”, do Beastie Boys, que era presença quase certa no setlist, mas “Killing in the Name”, hino de 1992 do álbum Rage Against the Machine, levou a galera abaixo e foi o melhor encerramento possível para esse show (de novo) histórico.

Sem bis, Morello convidou no final a todos para o show do próximo sábado em São Paulo. Conselho: vá.