Psy pede desculpas por ataques contra os Estados Unidos em shows de 2002

“Estarei arrependido para sempre por qualquer dor que eu tenha causado a alguém com essas palavras”, diz o cantor sul-coreano

Rolling Stone EUA Publicado em 08/12/2012, às 13h32 - Atualizado às 23h05

Psy
AP

Psy, o cantor de “Gangnam Style”, publicou um pedido de desculpas em resposta às notícias que se espalharam sobre sua participação em dois concertos anti-Estados Unidos, realizados há uma década, em sua terra-natal Coreia do Sul.

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De acordo com muitos relatos da mídia local, em 2002, Psy destruiu um modelo de tanque de guerra norte-americano no palco, em protesto contra um trágico incidente que ocorreu em junho daquele ano, quando um veículo militar dos Estados Unidos atropelou duas sul-coreanas de 14 aos. O motorista foi absolvido, dando início a meses de protestos contra o governo norte-americano. Dois anos depois, Psy se juntou a outros artistas no palco em um show de protesto para cantar a música “Dear America”, escrita pela banda de metal local N.E.X.T. “Kill those Yankees who have been torturing Iraqi captives/Kill those Yankees who ordered them to torture/Kill their daughters, mothers, daughters-in-law, and fathers/Kill them slowly and painfully" ("Mate aqueles Yankees que têm torturado prisioneiros iraquianos/ mate aqueles Yankees que mandaram torturar/ Mate as filhas deles, mães, enteadas, e pais/ Mate-os vagarosa e dolorosamente"), cantou Psy.

“Como um orgulhoso sul-coreano que foi educado nos Estados Unidos e viveu lá uma parte significante da minha vida, eu entendo os sacrifícios que os servidores norte-americanos e mulheres fizeram para proteger a liberdade e democracia em meu país e ao redor do mundo”, disse Psy em declaração. “A música – de oito anos atrás – faz parte de uma reação muito emocional à Guerra do Iraque e à morte de duas inocentes coreanas civis, e era parte de um grande sentimento antiguerra dividido por outros ao redor do mundo naquele momento. Apesar de ser grato pela liberdade de expressão, eu aprendi que existem limites e linguagem apropriada e sinto muito por como essas letras foram interpretadas. Estarei arrependido para sempre por qualquer dor que eu tenha causado a alguém com essas palavras.”

A declaração continua: “Eu tive a honra de me apresentar para os soldados norte-americanos nos últimos meses – incluindo uma participação no programa especial de Jay Leno para eles – e espero que todas as pessoas dos Estados Unidos aceitem as minhas desculpas. Apesar de ser importante que consigamos expressar nossas opiniões, eu me arrependo profundamente pela linguagem inflamada e inapropriada que usei para fazê-lo. Na minha música, eu tentei dar às pessoas uma libertação, um motivo para sorrir. Eu aprendi que, através da música, nossa linguagem universal, nós podemos todos nos juntar em uma cultura humanitária e espero que vocês aceitem as minhas desculpas”.

Ainda é incerto de como essa controvérsia irá afetar a carreira de Psy nos Estados Unidos, mas uma votação online já pede para que seja cancelada a sua participação evento Christmas in Washington, neste domingo, 9, com a participação do presidente Obama e sua família. Mas, em resposta à Rolling Stone EUA, o canal TNT, que produz e transmite o show, disse que “Psy irá se apresentar como planejado”.

O vídeo de “Gangnam Style”, de Psy, foi visto por quase 902 milhões de vezes no YouTube desde que foi publicado, em julho. É o vídeo mais visto na história do site e o cantor é presença constante nas televisões e rádios norte-americanas nos últimos meses.