Público enfrenta problemas no SWU

A grande quantidade de pessoas recebidas pelo evento no primeiro dia fez com que faltasse comida e gerou alguns outros problemas de estrutura

Por Stella Rodrigues Publicado em 14/10/2010, às 08h31

Praça de alimentação do SWU na Arena Maeda
Stella Rodrigues

Com ingressos esgotados, o primeiro dia do SWU Music & Arts Festival levou 50,5 mil pessoas para a Arena Maeda, em Itu, de acordo com comunicado oficial, um número dentro do esperado. Porém, apesar desse amplo público já ter sido estimado, algumas partes da estrutura do evento pareceram não estar prontas para receber tantas pessoas. O público enfrentou problemas para chegar, estacionar os carros e até para comer.

Após o show mais aguardado do dia, do Rage Against the Machine, houve dificuldade para encontrar comida. "Logo após os shows era impossível achar cerveja, porque todo mundo concentrava em um estande só. Depois do show do Los Hermanos [que terminou perto das 20h45], o pessoal já estava esquecendo de ficha, vendendo cerveja por outros preços [o valor oficial era R$ 6], as bebidas estavam sendo entregues sem o copinho plástico [as latas estão proibidas por uma questão de segurança] e quentes", afirma o publicitário Angelo Vieira. Ele conta que já esperava esse valor, mas acredita que "já que [a marca de cerveja] patrocina, podia custar um pouquinho menos, uns R$4 em vez de R$ 6".

O preço da comida também é salgado. Uma pizza brotinho sai por R$ 8 e o espetinho de carne custa R$ 6, assim como um pastel. E como é proibida a entrada nas dependências da fazenda portando alimentos, o jeito é pagar caro. Mesmo com os altos valores, a comida vendeu bem. Diversas pessoas reclamaram que faltou o que comer no fim do primeiro dia de evento. A atendente de uma das lanchonete Ísis Passos conta que perto de meia noite vários itens já tinha terminado. Uma hora depois não restava mais nada. "Tinha muita gente saindo dos shows com fome e eles ficaram loucos. Alguns ficaram desesperados, querendo quebrar tudo, ainda mais quando acabaram as fichas do caixa e a cerveja", conta.

Já o administrador Ilan Kann e o designer de brinquedos Marcel Brasil tiveram problemas para parar o carro. Eles foram ao SWU para assistir ao Fórum Global de Sustentabilidade e contam que tanto eles como seus amigos perderam o começo das atividades no último sábado, 9, porque não conseguiam achar o estacionamento. Segundo os dois, os seguranças e a equipe que cuidava desta parte da organização davam informações desencontradas - eles foram encaminhados, mais de uma vez, ao estacionamento comum, quando pediam informação para chegar ao premium. "A gente levou 40 minutos para estacionar", conta Ilan. Isso somado ao trânsito que pegaram na estrada que leva à Fazenda Maeda, fez com que eles se atrasassem para as palestras. "O povo uniformizado não está com as informações necessárias pra passar pra gente", afirma Marcel.

Outra reclamação no fim da primeira noite foi a quantidade de lixo espalhado pelo gramado por toda a Arena. Os latões de reciclagem estavam lotados e o chão estava tomado de latas, sacos plásticos e todo tipo de sujeira.

Em entrevista coletiva aos jornalistas neste domingo, 10, Caco Lopes, coordenador da organização do festival, respondeu algumas perguntas relativas às questões enfrentadas no primeiro dia, para quem o número de latões é suficiente, e o problema do lixo no chão é "uma questão de cultura que temos que trabalhar". A equipe de limpeza trabalhou a madrugada toda para que o lixo todo fosse recolhido, atividade que não poderia ser realizado enquanto o local não fosse esvaziado. De fato, o gramado estava limpo neste domingo, 10. Os dejetos foram encaminhados para a usina de compostagem que foi montada no local ou para as ONGs parceiras que irão realizar a reciclagem desse lixo.

Ele justificou a falta de comida afirmando que do público presente no sábado, 9, sete mil pessoas não tinham comprado ingresso antecipadamente. "Nem o mais otimista esperaria tudo isso", comentou, não explicando, no entanto, porque todos esses ingressos estavam à venda, se a estrutura não estava pronta para receber o público extra. Foi afirmado ainda que não houve um problema de falta de fichas, mas sim que o sistema de banda não suportou a demanda e as máquinas de cartão utilizadas para a compra delas não funcionaram normalmente. "Já aumentamos essa banda", contou, mas, neste domingo, o site da Rolling Stone Brasil apurou que elas continuavam fora do ar durante parte da tarde.

Quanto ao trânsito, foi reforçado o dado positivo de que não foi relatado nenhum acidente nas estradas da redondeza no período entre 10h do sábado, 9, e 9h do domingo, 10. Explicou-se ainda que foi aumentado o número de ônibus que fazem a viagem de São Paulo até Itu, o que deve ajudar na dificuldade com os congestionamentos e agilizar o transporte de quem optou por viajar com o fretado do SWU.

Rage Against the Machine

Sem dúvida, o maior problema ocorrido no dia inaugural do SWU foi relativa ao show mais esperado, o do Rage Against the Machine, no qual houve confusão na plateia e que teve que ser interrompido por causa de problemas no áudio.

A organização explicou que a falha não teve a ver com aparelhos fornecidos pela organização do evento. "Nossos equipamentos todos, de luz, de som, tudo que demos para os artistas, são top de linha, como nos festivais internacionais. As mesas de som pertencem à produção da banda".

Quanto à confusão que aconteceu nas barreiras, foi relatado que elas foram consertadas e reforçadas para que não haja mais problemas.

Outra reação ao ocorrido foi reforçar a revista na fila, tomando objetos que possam ser arremessados e ferir alguém. A atitude gerou um pouco mais de filas, mas o coordenador da segurança, William Fragman, garante que elas continuam com o mesmo tamanho que estavam no primeiro dia, sendo que leva-se cerca de 15 minutos para chegar às catracas. O público que foi entrevistado na fila confirmou o número.