Pura técnica

O guitarrista Jeff Beck não economizou notas e acordes em São Paulo, nesta quinta, 25

Paulo Cavalcanti Publicado em 26/11/2010, às 16h38

O guitarrista Jeff Beck se apresentou em São Paulo, nesta quinta, 25
Stephan Solon / Via Funchal

Jeff Beck toca o que quer e como quer. Como sua carreira-solo não tem nada que pareça com um hit radiofônico, Beck pode se dar ao luxo de montar um repertório a seu bel prazer. Foi o que aconteceu nessa segunda passagem pelo Brasil. Beck nunca foi um showman. Muito concentrado, não fala com a plateia, grunhindo vez ou outra um "thank you". Foi um show para quem gosta de virtuosismo musical. Ao ouvir as conversas na pista, dava para perceber que a quantidade de músicos profissionais e amadores presentes na quinta-feira, 25, na Via Funchal era considerável.

A apresentação, que durou cerca de uma hora e meia, foi basicamente instrumental e o jazz rock funqueado do músico às vezes cedia espaço para uma ou outra faixa mais atmosférica, resvalando na new age, mas sem cair na breguice. A banda de Beck, constituída por Rhonda Smith (baixo), Jason Rebello (teclado) e Narada Michael Walden (bateria), também brilhou e esbanjou técnica e precisão, mas sem roubar a cena do seu patrão e o dono da noite.

Beck abriu com "Plan B" (de Jeff, disco de 2003), mas aproveitou a ocasião para tocar várias faixas de Emotion & Commotion, seu mais recente CD, como "Corpus Christi Carol", "Over The Rainbow' (a canção clássica de Judy Garland), "Hammerhead" e a peça erudita "Nessun Dorma" (de Giacomo Puccini, que, por sinal, encerrou o show). Beck compensa a falta de interação com o público com o seu jeito hipnótico de tocar. Ninguém tirava os olhos dos dedos do músico enquanto ele entortava e manipulava as cordas de seu instrumento, criando notas e acordes rápidos, fluidos e melódicos.

Na apresentação em São Paulo, Beck e sua banda também tocaram de forma muito pessoal vários covers como "A Day in the Life" (Beatles), "People Get Ready" (The Impressions), "I Want To Take You Higher" (Sly and The Family Stone, com a baixista Rhonda e o tecladista Rebello cuidando dos vocais) e "How High the Moon" (Les Paul e Mary Ford). Nessa última, Beck prestou tributo a Les Paul, um de seu heróis e inventor da marca de guitarra que é uma de suas favoritas.