Qual música os Beatles gravaram completamente bêbados?

Durante uma sessão de gravação, o icônico quarteto decidiu usar algumas substâncias mas o resultado não foi tão bom quanto o esperado

Redação Publicado em 02/01/2020, às 14h09

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Beatles (foto: AP)

Os Beatles realmente usavam drogas nos estúdios de gravação? Em uma entrevista de 1971, John Lennon descartou a possibilidade. "Não estávamos todos chapados ao fazer Rubber Soul porque naquela época não podíamos trabalhar com maconha", disse. "Nós nunca gravamos sob efeito de ácido ou algo assim."

Em 2004, em uma entrevista para o Daily Mirror, Paul McCartney reiterou a afirmação de Lennon. "É bastante fácil superestimar a influência de drogas na música dos Beatles".

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"Mas escrever era importante demais para ficarmos 'fora de nossas cabeças' o tempo todo". 

Ao refletir sobre os problemas que os Beatles já enfrentavam em estúdio, desde as discussões entre os integrantes até a demora para fazer um solo de guitarra, por exemplo, com certeza adicionar LSD ou outras drogas à essa mistura não teria ajudado. 

Mas houve pelo menos em uma ocasião que o icônico quarteto pensou que usar várias substâncias teria um resultado positivo. O momento foi durante a produção de "Helter Skelter", que um especialista dos Beatles a descreveu como "uma bagunça literalmente bêbada". 

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Os primeiros rascunhos de "Helter Skelter" foram feitos em julho de 1968. Na época, McCartney tinha em mente que queria superar uma gravação do The Who que levou o rock para o topo das paradas

Durante os 12 minutos, apenas na metade da gravação é possível ouvir a banda entrar, de fato, em ação. A partir do 8:40 é possível ouvir a versão finalizada que integra o White Album.

Independente disso, o grupo decidiu trabalhar em uma segunda versão com um outro produtor da Abbey Road enquanto George Martin não estava presente. Essa sessão que foi descrita como algo "fora de controle". A diferença entre as duas foi o estado de espírito (e alcóolico) dos Beatles naquela noite. 

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Desde os primeiros segundos da "Helter Skelter", gravada em setembro, é possível ver que o quarteto acelerou um pouco. Brian Gibson, engenheiro de som que estava trabalhando na sessão, descreveu os Beatles como "completamente loucos" naquela noite.

Talvez fosse uma ambição, mas no fim, o produto não foi nada parecido como uma música do The Who ou do Jimi Hendrix

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No livro Revolution in the Head: The Beatles' Records and the Sixties, Ian Macdonald classificou a tentativa da banda como "ridícula". Para ele a palavra final foi de que "poucos acharam tão adequado descrever essa música como algo além de uma bagunça literalmente bêbada".


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