Quem é Billie Eilish, de adolescente isolada ao fenômeno mais jovem do Grammy 2020

A vencedora dos quatro prêmios mais importantes da noite mal começou sua carreira - e ainda tem muito caminho pela frente - mas já detonou

Rob Sheffield / Rolling Stone EUA Publicado em 27/01/2020, às 17h42

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Billie Eilish (Foto: Jordan Strauss/Invision/AP)

Existe um ótimo momento em “Bad Guy”, clipe da Billie Eilish, em que você consegue entender tudo o que faz dela ser a nova rainha do pop do nosso tempo. Ela encena a entrada em um clube e é parada por um segurança  — um aviso para qualquer pessoa na terra estar ciente, ela tinha, então, apenas 17 anos (agora, já fez 18). E então, pega o seu Invisalign, um aparelho ortodôntico invisível, todo molhado de saliva e coloca na palma da mão do segurança.

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Ewww”. Uma coisa é ouvi-la fazer isso em seu álbum  — mas outra é ver a expressão sádica e blasé em seu rosto. 

Eilish é mais do que apenas a adolescente do ano - ela é a primeira da próxima geração que guiará o pop, reescrevendo o manual de como esse tipo de música é feita. Ela é a artista inquieta que ultrapassou as barreiras da composição e das superproduções para sussurrar os seus pesadelos eletrônicos ao lado de seu irmão.

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Quatro anos depois de ter aparecido com a sonolenta “Ocean Eyes” no SoundCloud, Eilish pegou a indústria musical de surpresa com a estreia do seu disco, When We All Fall Adorm, Where Do We Go?.

A artista é a primeira hitmaker nascida neste século e tem a mesma idade que o iPod. Deve ser por isso que ela é tão excêntrica ao conseguir transitar entre estilos musicais - rap, o grunge, a balada gótica, e fundir todo esse “barulho” de maneira tão efetiva.

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Eilish escreveu a sua primeira música aos 11 anos, na época, fã de The Walking Dead, mas o amargo em suas músicas aparece depois, de maneira autêntica, por desabafar a raiva de uma garota jovem lutando para crescer dentro de suas próprias regras. Você consegue perceber isso pelo jeito que ela fala “I’m not your baby”, ou pelo próprio título do seu EP Don't Smile at Me, de 2017.

Inspirada por Tyler, The Creator e Childish Gambino, Eilish estudou sua maneira de trabalhar sob o radar das tendências e adaptando o ritmo de mixtapes. Ela não se acomodou em ser apenas um sucesso de rádio. O que faz dela uma grande artista pop é que ela é ambiciosa demais para parar por aí. Eilish é uma artista de álbum completo, no momento em que especialistas nos dizem que álbuns não fazem mais sentido.

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Parte da mística que a envolve está relacionada com a conexão criativa com seu irmão mais velho, Finneas, que co-escreve e produz as músicas em seu quarto. Os dois cresceram na casa dos pais em Hollywood.

Normalmente, faz parte do trabalho de uma estrela adolescente irritar os pais, no entanto, Eilish mostra sinais surpreendentes entre as gerações. Ela tem muito da energia de sua mãe, Gen X. Para músicos que já estão na cena há um bom tempo, ela evoca a angústia que viveram com Alanis Morissette, Courtney Love e PJ Harvey. (Muito da estética de Eilish se resume ao arrepiante, sussurrante "little fish, big fish" de Harvey em “Down by the Water”.)

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Dois amigos tiveram a mesma experiência ouvindo “Bad Guy” - seus filhos perguntaram o que significa a palavra "seduzir". Mas isso é o que acontece quando uma estrela cruza fronteiras - e esse é o tipo de artista que ela decidiu ser.

"Minhas filhas são obcecadas por Billie Eilish", anunciou um pai da geração X. “A mesma coisa que está acontecendo com ela aconteceu com o Nirvana em 1991.” O cara que disse isso é Dave Grohl.

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