Rashid conclui ciclo na carreira com mixtape Confundindo os Sábios

Rapper paulistano lança novo trabalho e já pensa em fazer primeiro álbum de estúdio

Lucas Reginato Publicado em 18/11/2013, às 16h38 - Atualizado às 16h45

Rashid
Marcelo Palhais / Divulgação

Está na Bíblia, em Coríntios: “Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes”. A passagem serviu da inspiração para Rashid, que percebeu as relações entre o trecho e o hip-hop ao batizar sua nova mixtape, Confundindo os Sábios.

“Ouvi esse versículo há muito tempo, e tem um rap que diz isso. É um bagulho com a qual sempre me identifiquei, porque eu acho que tem tudo a ver, não só com o rap, mas com o funk, com o samba e com todo movimento que é desacreditado de alguma forma”, explica Rashid, que revela também o sentido pessoal do título: “Ninguém acreditou que eu pudesse fazer alguma coisa, e nem eu mesmo, então de certa forma estou confundindo os sábios”.

“Acho que o rap confunde os sábios”, continua, e descreve os sábios como “nada mais do que aqueles que se julgam mais sábios do que os outros, que julgam o que é cultura e o que é subcultura”.

Confundindo os Sábios é a terceira mixtape da carreira de Rashid, que lembra como se aproximou do hip-hop. “Eu desenhava. Entrei no hip-hop por causa do grafite”, conta. “Comecei a escrever paralelamente, e aí virou uma meta muito distante, sem compromisso nenhum de virar alguma coisa, só queria escrever.”

O trabalho reúne parcerias do rapper paulistano com diversos produtores – velhos e novos conhecidos. O primeiro single, “Virando a Mesa”, foi feita com Coyote, de Belo Horizonte, que assina também a faixa-título, que tem ainda participação de Emicida. “Foi um dos talentos que eu conheci nesse meio tempo e veio muito a calhar, porque tem um estilo diferente e ia somar nesse trabalho novo”, relata Rashid. Já a faixa “Polícia e Ladrão” quem assina é DJ Zala: “Ele fez uma pegada de funk carioca mesmo, mas tem um sample melancólico. Achei muito louca a combinação dessa melancolia com o pancadão, que normalmente está ligado a festa”.

Mas Rashid admite que o “claro sinal de que o trabalho foi bem feito” é dado mesmo apenas nos shows, quando vê a resposta do público. “Você lançar um som e duas semanas depois o pessoal acompanhar é muito gratificante. Tem um pouco da democracia da internet, que faz a parada ser maximizada, e a identificação das pessoas”, conta o rapper que agora, depois de três mixtapes, vê a própria consolidação como garantia para um passo maior na carreira.

“Eu tinha assumido o compromisso de lançar um trampo por ano desde 2010 porque eu acho que faz parte do ‘começar’”, afirma. “Acredito que esse ciclo tenha se encerrado agora, com essa mixtape. O plano era esse - lançar essa mixtape e medir as reais possibilidades de o próximo trampo ser um álbum.”

Mesmo que a nova mixtape seja ainda recém-lançada, Rashid já planeja um álbum de estúdio, com “um processo mais minucioso de produção” e “mais instrumentos, mais liberdade para criar tudo – desde a composição aos instrumentais”. Os planos revelam a sobriedade de um rapper ainda jovem, que calcula os passos para construir uma promissora carreira.