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Rebeldia, lágrimas e autoaceitação: conheças as 6 eras do BTS

O grupo de k-pop foi formado em 2013 e desde então passou por diversas transformações estéticas e musicais

Julia Harumi Morita Publicado em 13/10/2019, às 11h00

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BTS (Arte: Julia Harumi Morita)

BTS é um fenômeno mundial.Jin, Suga, J-Hope, RM, Jimin, V e Jungkook assinaram o contrato com a gravadora Big Hit Entertainment e foram treinados para se tornarem um grupo bem-sucedido de pop sul-coreano. Mas dizer que eles conseguiram ser bem-sucedidos não faz jus à carreira dos músicos recheada de recordes históricos.

Os k-idols quebraram paradigmas da cultura oriental; transformaram a imagem dos grupos masculinos sul-coreanos; conquistaram um exército de fãs, literalmente chamado de Army; e levaram os exigentes e seletivos holofotes da música mundial para os palcos da Ásia.

O Bangtan Boys, nome completo do grupo em coreano , ou Beyond The Scene, nome em inglês, ultrapassaram os recordes históricos de artistas renomados, como os Beatles, Taylor Swift, Harry Styles.

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E o segredo para o sucesso? Segundo o site Vox, é “a natureza mutável da cultura de estúdio do k-pop e a maneira que os k-idols são ‘produzidos’, a mudança da representação da masculinidade na Coréia do Sul, a mudança na gama de expressões aceitáveis no gênero e, acima de tudo, a abordagem adotada pelo BTS para construir e interagir com sua base de fãs.”

Entre a estreia do grupo, com o single álbum 2 Cool 4 Skool, e o lançamento do último mini disco de estúdio, Map of the Soul: Persona, os k-idols passaram por diversas transformações estéticas e musicais que ajudaram os cantores construírem a identidade autêntica que possuem hoje.

Separamos então as 6 eras do BTS para mostrar a trajetória da maior sensação do k-pop do momento.

2013: A era da rebeldia

Foi com a música "No More Dream" que o BTS estreou no mundo da música e lançou o primeiro single álbum, 2 Cool 4 Skool, em 2013. Com óculos escuros, correntes e cara de maus, Jin, Suga, J-Hope, RM, Jimin, V e Jungkook se inspiraram na estética do hip hop para cantar que são legais demais para se preocupar com a escola e não querem ser amados. Esta pode ser considerada a fase mais rebelde e livre do grupo, em que produziam músicas sem visar tanto as vendas.

Nesta primeira era, vemos as influências das carreiras de anteriores de Jungkook, Suga e J-Hope, que atuavam na cena underground do rap coreano. No primeiro mini álbum, O!RUL8,2?, e  o primeiro álbum de estúdio, Dark Wild,  o grupo continua com a mesma atmosfera, mas já podemos ver o ínicio das histórias nos clipes, como nas músicas "N.O", "Danger" e "War of Hormone".


2014: A era dos sentimentos declarados

Em Skool Luv Affair, os k- idols deixam de ser garotos rebeldes e passam a se declarar para um amor não correspondido. A mudança de estilo, desde o visual quase emo até as músicas com um tom mais romântico, desagradou uma parte do Army que estava se formando. Por outro lado, o álbum foi bem recebido no mercado coreano e japonês.

Apesar da transformação, o hit do mini álbum, “Boy in Luv”, continua com o ar estudantil dos trabalhos anteriores. E mesmo quando falam de amor, o BTS quebra pequenos padrões da música pop asiática. Eles falam de relações de uma forma incomum e usam palavras como ‘oppa’, termo pouco utilizado para se referir ao par romântico do sexo masculino.


2015: A era das lágrimas e reflexões

Os k-idols se entregaram de vez o lado performático deles na trilogia de álbuns, The Most Beautiful Moment in Life. A narrativa musical começa com reflexões sobre a vida, clipes mais sombrios e atuações dramáticas. É nesta era que o BTS começa caminhar para a fama mundial e alcança pela primeira vez o topo do ranking da Billboard World Albums com o mini álbum The Most Beautiful Moment in Life, Pt.2.

Jin, Suga, J-Hope, RM, Jimin, V e Jungkook superam as lamentações do passado e ganham maturidade para assumir os fracassos da vida. Em “Fire” e “Dope”, os músicos exibem autoconfiança ao mesmo tempo que declaram “vocês não tem nada a ver com minha confiança, porque minha esperança é incrível”.


2016 : A era da performance poética

A partir de Wings, os k-idols se apresentam como verdadeiras estrelas pop. Os clipes viram pequenas obras cinematográficas, que complementam umas as outras. Já as letras, ganham um tom poético e metafórico. E no grupo, cada membro ganha mais destaque e músicas solos. O álbum complementar “You Never Walk Alone” foi o quarto trabalho de estúdio do BTS a entrar no ranking da Billboard 200.

De blazers, lenços e maquiagens impecáveis, os músicos caminham por uma mansão revestida de mármore no clipe “Blood, Sweat & Tears”. O primeiro single de Wings tem mais de 500 milhões de visualizações no Youtube. Outro single marcante é “Not Today”, que na época do lançamento quebrou o recorde de clipe de k-pop mais visto em menos tempo, com mais de 10 milhões em 24h.


2017: A era do amor próprio

Na trilogia Love Yourself, os cantores abraçam o amor próprio e mostram as conquistas mundiais históricas nas letras das músicas. Coloridos e descontraídos, o k-idols entram na era dos hits alegres, contagiantes e feitos para o sucesso. O single "DNA" foi o primeiro vídeo de um grupo coreano a ultrapassar 350 milhões de visualizações e a primeira música coreana a ser apresentada no American Music Awards.

Já o segundo disco do conjunto, Tear, foi o primeiro disco de k-pop da história a alcançar o topo do Billboard 200. O single "Fake Love" foi o 3º clipe mais visto em 24 horas no Youtube e a primeira música coreana a ser apresentada no Billboard Music Awards. É nesta era que o BTS faz  parceria com os DJs norte-americanos Steve Aoki e The Chainsmokers.


2019: A era do amor e aceitação

O último mini álbum do BTS, Map of the Soul: Persona, retoma as declarações de amor das músicas da segunda era, mas desta vez com um pop açucarado e sonhador. Podemos ver a evolução dos k-idols comparando o tom agressivo de “Boy in Luv”, de 2014, com os vocais românticos de “Boy With Lov”, single em parceria com a cantora Halsey. Já em outras canções eles festejam e cantam sobre auto aceitação, como em “Home”.

Como os outros trabalhos da carreira, o grupo de k-pop continuou conquistando marcas históricas. Em 11 meses, o grupo de k-pop emplacou Love Yourself: Tear , Love Yourself: Answer  e Map of The Soul: Persona no Top 200 álbuns da Billboard, ultrapassando os Beatles que registraram três disco em 11 meses e uma semana.