Rei Artur revisitado

Claire Forlani, a rainha Igraine em Camelot, que estreia no Brasil neste sábado, 29, fala sobre a série

Por Stella Rodrigues Publicado em 01/07/2011, às 18h50

Claire Forlani, a rainha Igraine de Camelot, falou sobre a série

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Era uma vez um garoto criado como um jovem comum, mas longe de seus pais biológicos. Um dia, ele recebe a notícia de que pertence a um universo cheio de magia, com castelo, batalhas, no qual terá que passar por muitos testes, tudo sob a tutela de um mago. Quem estava pensando em Harry Potter, errou. Ou melhor: esse é também o enredo do personagem criado por J.K. Rowling, mas, muito tempo antes, já era a história de um outro rapaz, Artur.

A clássica história da lendária corte e castelo de Camelot, que abrigava a Távola Redonda e seus Cavaleiros, ganha uma nova versão na série de mesmo nome que estreia no Brasil neste sábado, 2, às 22h, no Globosat HD. Nos Estados Unidos, a primeira temporada já foi exibida e na última quinta, 30, o canal Starz anunciou que ela foi cancelada.

Jamie Campbell Bower (A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 1) é Artur; Eva Green (Os Sonhadores) é Morgana, sua meio-irmã; Joseph Fiennes (FlashForward) encarna o feiticeiro Merlin; Tamsin Egerton (As Brumas de Avalon, telefilme em que interpretou Morgana, curiosamente) é a parceira romântica de Artur, Guinevere; e Claire Forlani interpreta a rainha Igraine, mãe dele.

Claire concedeu entrevista à Rolling Stone Brasil e comentou a personalidade de Igraine. "É uma mulher tão cheia de camadas... é uma personagem maravilhosa, muito bem construída, interessante. É uma contradição: a pessoa mais maternal na série, mas é também cheia de conflitos, dor e acaba tendo que se tornar muito manipuladora."

Os produtores do programa tiveram pela frente o desafio de contar uma história que tem sido narrada há séculos, trazendo aspectos inovadores. "De todas as versões da história que já vi, esta é a mais rock and roll. Aquela época era tão brutal e violenta e, claro, com Camelot, existe ainda o lado místico. Acho que os roteiristas fizeram com tudo isso um trabalho realmente atraente. A história ainda é Camelot. A primeira temporada mostra como surgiu tudo e qual o status de Merlin, Artur e Morgana no começo. A gente inicia a trama um pouco antes, em relação às outras produções."

A atriz, em tom de brincadeira, ainda atualizou o papel dos personagens dos tempos medievais para a realidade atual. "Tem muitos personagens ótimos. Artur, interpretado por Jamie Campbell Bower, é mais ou menos como um jovem astro do rock. Tem Merlin, que sempre vi como uma espécie de Bill Clinton daquela época. Ele guia e educa Artur, entende a corte, o inimigo, os aliados, as consequências. É um diplomata muito habilidoso. Eu acredito sim que Artur e alguém como Merlin existiram, mas não sei o quanto das coisas místicas são verdade", afirmou. "Eu acho que essa dúvida soma à liberdade de se fazer essa série", argumentou ela.

Claire, que esteve recentemente em CSI: NY e continua em NCIS: Los Angeles, paralelamente, parece ter sido realmente mordida pelo bichinho da TV. Antes da trama televisiva sobre os investigadores forenses de Nova York, Claire tinha se dedicado quase exclusivamente ao cinema. Ela justificou a mudança de ares explicando que não enxerga mais tão claramente a divisão entre as duas mídias. "Nos últimos cinco ou sete anos, a indústria mudou muito. A linha entre filmes e televisão já não está mais tão definida. Meu foco está em sair buscando o melhor material e isso está nas duas coisas, agora. Então, é muito fácil alternar entre elas", afirmou a atriz. "Uma das melhores coisas no que diz respeito ao cabo, agora, é que temos a possibilidade de explorar as coisas de forma mais cinematográfica, dá a mesma liberdade. Em cada episódio de Camelot, foi gasto muito dinheiro. Temos a designer de figurino vencedora do Oscar, um designer de set também vencedor do Oscar, fora o elenco de cinema, então, dava a sensação de que estávamos, de fato, fazendo um longa."

A grande diferença, claro, é que se comprometer com um personagem de filme é um pouco menos complicado. Uma série - quando tudo dá certo, o que não foi o caso de Camelot - pode se estender por muitas temporadas, de forma que a decisão exige uma reflexão cuidadosa. "Às vezes, recebemos propostas de televisão e não conseguimos imaginar fazer aquilo por cinco anos. Então, tenho que dizer não." Claire, fã de histórias ligadas à magia e Idade Medieval, leitora ávida de livros como Hamlet e Henrique V, de William Shakespeare, As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley, e O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien, não poderia ter encontrado um projeto de televisão mais apropriado do que Camelot, que realizou seu sonho longamente incubado de atuar em uma produção do estilo. "Estava desesperada para fazer algo assim, queria há muito tempo. Adoro o místico, o medieval. Foram seis meses muito incríveis, com locações lindas em Dublin e figurinos maravilhosos. Isso sem falaram na história que tínhamos para contar, que era demais. Todos tínhamos personagens com muita coisa para desenvolver, jornadas interessantes", contou, ainda a atriz.