Rennan da Penha: ‘No Brasil, negro morto é só estatística’

O DJ falou sobre os recentes protestos contra violência policial e a pandemia do coronavírus

Redação Publicado em 03/06/2020, às 13h18

None
Rennan da Penha (Foto: Reprodução / Instagram)

O DJ Rennan da Penha falou repercussão das mortes de pessoas negras por policiais brancos, que levantaram uma onda de protestos pelo mundo, e afirmou que, “no Brasil, negro morto é só estatística”. 

Em entrevista ao Estadão, o artista contou que presenciou diversas cenas de violência policial na infância e lamentou o fato das pessoas não reagirem às mortes de crianças como João Pedro e Agatha Félix, ambas mortas por policiais no Rio de Janeiro. 

+++ LEIA MAIS: Projota e outros artistas comentam sobre o Caso João Pedro e o racismo estrutural no Brasil

“É triste porque eu cresci vendo isso. Assistindo a tiroteios… Já vi bala acertar minha escola. Acontecia o tiroteio e eu achava normal. O nosso País não muda. Várias pessoas sofrem com isso diariamente e não acontece nada? Aqui, um negro morto pela polícia é só estatística. Aconteceu com o João Pedro, aconteceu com a menina Agatha.” 

Ele continuou: “Uma criança não substitui a outra, entendeu? As pessoas estão deixando de lado o que realmente tá acontecendo nas comunidades. No caso dos Estados Unidos, eu prefiro nem ficar vendo porque me faz muito mal. A vida de um negro é tão insignificante a ponto do cara dizer que não estava respirando e o policial continuar colocando todo peso no pescoço dele?”.

+++LEIA MAIS: Glória Maria relata racismo em clube carioca: ‘Me sentia como macaco no zoológico’

O criador do Baile da Gaiola foi preso duas vezes ao longo da carreira, em 2016 e 2019,  sob a acusação de “associação ao tráfico de drogas e produção de músicas com apologia ao uso”. Hoje, ele agradece o apoio dos artistas que defenderam a liberdade dele nas redes sociais e deram visibilidade para o caso.

“Fiquei feliz pelas pessoas que me apoiaram e eu nem sabia que me conheciam. Até queria aproveitar e agradecer a Leandra Leal, a Paula Lavigne, o Emicida. O posicionamento desses artistas me ajudou muito. Nos sete meses que eu fiquei lá também soube dar valor ao meu trabalho, minha família.”

+++LEIA MAIS: Os estereótipos nos filmes de Hollywood e por que eles distorcem a visão real do mundo [ANÁLISE]

Rennan também falou sobre a covid-19 nas comunidades. Para o artista, a situação mostra mais uma vez a desigualdade social, pois existem cidadãos que não conseguem ficar parados em casa e precisam sair para trabalhar.

“Eu ainda tenho família lá. Está diferente, não tem mais o fluxo que costumava ter, está todo mundo de máscara, mas muita gente ainda tem que continuar saindo pra trabalhar, fazer suas coisas. Pô, eu acho que esse isolamento social não é pra todo mundo, entendeu? Não tem como as pessoas deixarem de ter contato com outras porque às vezes elas não têm opção, realmente precisam”.

Apesar dos bailes funks estarem cancelados por causa da pandemia, Rennan se prepara para lançar o primeiro DVD da carreira, Segue o Baile, no dia 12 de junho. 


+++ VITOR KLEY | A TAL CANÇÃO PRA LUA | SESSION ROLLING STONE