Us + Them: filme de turnê política e deslumbrante de Roger Waters chega ao formato digital [REVIEW]

Registro está disponível para compra ou aluguel online

Larissa Catharine Oliveira Publicado em 25/06/2020, às 07h00

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Roger Waters (Foto: Juan Diego Buitrago / AP)

Roger Waters, ex-Pink Floyd, lançou em formato digital o filme Us + Them, co-dirigido ao lado de Sean Evans. O registro da turnê de mesmo nome, realizada entre 2017 e 2018 para mais de 2,3 milhões de pessoas ao redor do mundo, a produção estreou no cinema em 2019 e chega com material extra para compra ou aluguel online.

Gravado na arena Ziggo Dome, maior espaço para shows em Amsterdã, na Holanda, o filme proporciona o registro da experiência ao vivo com imersão total na narrativa do espetáculo, que reúne a carreira solo de Waters e o legado ao lado do Pink Floyd. A superprodução impressiona pela montagem, iluminação e cenários impecáveis, mas o destaque é para o uso da arte como manifesto político do artista, que passa por temas urgentes como poluição, imigração, guerra, preconceito racial e religioso e desigualdade social, sem poupar críticas aos políticos e elite.

Quando passou pelo Brasil, no final de 2018 e em pleno período eleitoral, a turnê causou reações fortes do público. Waters foi vaiado por alguns fãs ao usar a hashtag #EleNão, contrária a Jair Bolsonaro, no telão do show. 

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O filme se inicia com uma pessoa sentada no meio do deserto, cercada por uma tempestade apocalíptica em formação. O show se inicia com “Breathe”, do álbum The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, apresentado quase na íntegra ao longo de duas horas de show. Nas faixas seguintes, “One of These Days” e “Time”, os vocais são divididos com Jonathan Wilson, guitarrista, e as vozes poderosas de Holly Laessig e Jess Wolfe, da banda Lucius. Ambas se apresentam com perucas, maquiagem carregada e  ,grafias, assim como nas apresentações do grupo indie, e ganham o palco em “The Great Gig in the Sky”.

O show ganha um ar mais intenso em “Welcome to the Machine”, e a voz suplicante de Waters quanto é acompanhada por uma animação crítica. Uma cabeça humana é decepada pela torre de um complexo industrial, e a plateia assiste hipnotizada. Em “Déjà Vu” e “The Last Refugee”, do álbum Is This the Life We Really Want? (2017), cenas do público demonstram a conexão visceral dos fãs com as músicas.

A partir de “Picture That”, Waters ataca abertamente Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Sem o baixo, o artista se move pelo palco e esbanja teatralidade ao gesticular para a plateia antes de cantar o clássico “Wish You Were Here”.

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Crianças surgem no palco em “The Happiest Day of Our Lives” e "Another Brick in the Wall, Part 2”, vestidas como prisioneiros e com a cabeça coberta por panos, que tiram para cantar “Não precisamos de nenhuma educação/Não precisamos de controle de mentes”. Por baixo do uniforme carcerário, mostram uma camiseta com a palavra “Resista”.

Na segunda parte do show, ainda mais intensa que a primeira, Waters lista algumas frentes para essa resistência. Uma estrutura recria a capa do álbum Animals (1977), do Floyd, para a performance de “Dogs” e “Pigs”.Trump é relembrado como um dos “porcos” da elite, enquanto balões com o animal sobrevoam a plateia e frases polêmicas do político surgem nos telões.

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Com a sequência de “Money”, “Us and Them”, “Brain Damage” e “Eclipse”, a capa de The Dark Side of The Moon é recriada acima do público, com um prisma iluminado pelas cores do arco-íris. A apresentação se encerra com a primeira fala direta de Waters ao público, um clamor por “direitos iguais para todos”, independente de religião ou nacionalidade.

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