Rex Orange County ficou ‘entendiado’ com lives e sonha em fazer shows ‘do jeito brasileiro’ [ENTREVISTA]

Cantor lançou documentário com registro de turnê e álbum ao vivo

Larissa Catharine Oliveira | @whosanniecarol Publicado em 12/11/2020, às 12h00

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Rex Orange County (Foto: Alexandra Waespi)

Aos 22 anos, Alexander O'Connor já lançou três álbuns, conseguiu aclamação da crítica com Pony(2019) e conquistou uma sólida base de fãs, traduzida em mais de oito milhões de ouvintes mensais no Spotify. Conhecido pelo nome artístico Rex Orange County, o britânico conversou com a Rolling Stone Brasil sobre a saudade dos shows e novos projetos. 

De volta à casa dos pais para passar o período de isolamento social, em uma região tranquila e longe de Londres, onde comprou um imnóvel recentemente, Rex estava no meio de uma turnê europeia quando a pandemia parou o mundo. A jornada, iniciada em novembro de 2019, precisou parar por tempo indeterminado, e restaram os registros dos shows realizados para matar um pouco da saudade do palco e do público.  

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The Pony Tour passou pela Reino Unido, América do Norte e Europa antes de ser cancelada, em Berlim, no dia 22 de março. “É engraçado como as coisas vão de uma coisa para outra”, comenta Rex nos bastidores da turnê. A frase, usada como título do documentário Funny How Things Go From One Thing To Another, foi usada após o músico mostrar uma demo de “Corduroy Dreams” no celular. “Sou apenas eu, completamente inseguro de mim, com meu violão e sem saber como tocar”, explica após demonstrar certo constrangimento com o áudio. O pensamento consegue resumir bem a carreira de Rex, das demos improvisadas no quarto de casa às paradas de sucesso, mas também o momento ao redor do mundo. 

Apesar de ter contato próximo com fãs durante a turnê, o músico não ignora as medidas de segurança - nem encoraja os fãs a fazê-lo. “Não vou a lugar sem minha máscara e não encorajo ninguém a fazer isso, não faz sentido. Se você não quer estar em lockdown e deseja que o coronavírus vá embora, use uma máscara”, comentou. “Seja cuidadoso, sabe?”

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Para manter a proximidade com o público, o jovem Alex aposta nos novos lançamentos. O cantor desistiu das lives e descarta a possibilidades de fazer shows com distanciamento social, um formato com limitações de público, proximidade e diversos procedimentos de segurança. “Fiquei entendiado [com as lives], posso voltar a fazer um dia, mas é difícil ficar próximo dos fãs [assim]”, continua. “Não acho que [shows distanciados] sejam uma boa representação do que é um show, não é ideal e ainda tem muito perigoso. No momento, ainda tem muita gente morrendo, prefiro esperar até que os shows possam retornar normalmente”. 

Pouco de toda essa incerteza sobre quando será possível e seguro fazer shows como antes, o cantor e compositor realizou dois shows no Radio City Music Hall, em Nova Iorque, casa com capacidade para mais de seis mil pessoas. As apresentações foram transformadas no primeiro álbum ao vivo da carreira de Rex Orange County, com os maiores sucessos da carreira dele até agora, entre três álbuns e singles, como "Best Friend", "Loving Is Easy" e "Sunflower” - todas com certificado de platina. 

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“Queria relembrar as pessoas de como é ter milhares de pessoas juntas no mesmo lugar, sinto falta desse sentimento e acho que muita gente também”, explica Rex sobre o lançamento. “De ter essa liberdade de assistir a shows ou qualquer outra apresentação ao vivo, com aglomerações de pessoas. Foi muito nostálgico, sinto muita falta, então foi

legal lançar o álbum e lembrar que [shows] ainda são uma realidade que podemos voltar a ter em algum momento, se mantermos a precaução e tudo mais. Performances são minha coisa favorita”. 

Rex Orange County (Foto: Alexandra Waespi)
Rex Orange County (Foto: Alexandra Waespi)

A ideia de fazer o documentário surgiu pela vontade do cantor de eternizar os “momentos únicos” de cada show, com apoio da amiga Alexandra Waespi, fotógrafa canadense responsável pelas fotos do álbum 25, de Adele, e na turnê de 2016 da cantora. “Turnês e tudo em nossa vida apenas acontece uma vez. Quando tiver 40 anos, quero olhar para trás e me ver tocando com essa idade, porque nem sempre será assim”, reflete o artista. 

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Apesar de “irritado e decepcionado” pela súbita mudança de planos, Rex reconhece o próprio privilégio de “ter outras maneiras de fazer dinheiro” nesse período, enquanto tantas pessoas perderam a fonte de sustento. “Meu conselho para qualquer pessoa em isolamento é de se lembrar diariamente que você está com todo mundo no mesmo barco. É muito difícil”, confessa. “Mas meu conselho é seguir em frente, não deixar nada te derrubar, porque temos dias bons e dias ruins. Faz sentido?”

Menos de duas semanas após o adiamento da The Pony Tour, o artista estaria no Brasil, como atração do festival Lollapalooza, em São Paulo. o festival foi cancelado e a próxima edição acontece apenas em outubro de 2021, sem nomes confirmados no line-up. “Vou garantir que vou tocar um pouco de cada álbum no Brasil e na América do Sul - não é culpa dos fãs, não é minha culpa, mal posso esperar para compensar o público”, garante. “Queria dizer a todos no Brasil que estou muito animado para ir ao país quando for possível, é a primeira coisa na minha lista. Vamos fazer isso do jeito brasileiro”. 

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O período afastado dos palcos promete ser produtivo, e Rex Orange County já começou a trabalhar em faixas para o próximo álbum, algumas escritas imediatamente após o lançamento de Pony, com o qual está “muito feliz”. O isolamento tem prós e contras no processo criativo, mas o sentimento que impera é de gratidão pela oportunidade de seguir com o trabalho. Agora, tanto para ele, quanto para o público, só resta esperar. 


+++ MANU GAVASSI | MELHORES DE TODOS OS TEMPOS EM 1 MINUTO | ROLLING STONE BRASIL

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