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Rihanna já teria recebido 500 músicas de artistas jamaicanos para novo disco

A cantora mencionou a possibilidade de lançar um álbum focado no reggae durante entrevista em junho deste ano

Rolling Stone EUA Publicado em 20/07/2018, às 14h36 - Atualizado às 15h07

Rihanna no evento Met Gala 2018

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Por mais de um ano, Rihanna e a gravadora Roc Nation têm procurado por batidas enquanto trabalham para completar um disco dedicado a explorar as raízes da cantora no Caribe, de acordo com oito fontes ligadas ao projeto. E, para isso, a artista já teria recebido cerca de 500 demos de artistas jamaicanos para análise. Além disso, duas dessas mesmas fontes sugeriram que a artista está simultaneamente trabalhando em outro álbum, desta vez, mais direcionado ao gênero pop.

Rihanna mencionou pela primeira vez a possibilidade de lançar um disco focado no reggae durante uma entrevista à edição norte-americana da revista Vogue, em junho deste ano, mas ela e seus potenciais colaboradores não comentaram mais nada desde então. A publicação supôs que Supa Dups – o produtor veterano de dancehall por trás do recente sucesso de Drake, “Controlla” – era uma “influência” no disco, embora não houvesse mais detalhes. (Supa Dups não respondeu a pedidos de comentários, mas duas fontes que tinham conhecimentos sobre o novo álbum de Rihanna confirmaram o envolvimento do produtor).

Junto com Supa Dups, diversos artistas ligados ao reggae e ao dancehall submeteram material para o disco, incluindo R. City, Di Genius, TJ Records, Ricky Blaze, Tyshane, Kranium, e Chronixx. Também estariam envolvidos o produtor de música eletrônica Skrillex e Boi-1da.

A ideia de um álbum de dancehall e reggae não está totalmente fora do que já foi feito por Rihanna, afinal esses gêneros foram explorados por ela em “Man Down”, do disco Loud (2010), “You Da One”, do Talk That Talk (2011), e em “Work”, de Anti (2016), sendo que, neste último caso, este foi o single que impulsionou o álbum.

O cantor e compositor jamaicano PartyNextDoor, coautor da música “Work”, disse à Rolling Stone EUA, em 2016 que a faixa não tinha a intenção, inicialmente, de ser voltada para o dancehall. “Era para ser uma batida pop”, disse ele. “Transformou-se em reggae porque eu cantei em patoá [língua com base no inglês que é falada na Jamaica]”, explicou. Como Rihanna é de Barbados, “culturalmente, ela entendeu na hora”.

Se “Work” foi um acidente que deu certo, desta vez, Rihanna está conscientemente tentando criar um disco influenciado pelo dancehall. A cantora já juntou um grande número de talentos jamaicano de alto nível e está recrutando produtores com histórico de criar músicas que se encaixam bem no mercador norte-americano, como Blaze, por exemplo, que produziu o hit “Hold Yuh”, do Gyptian, em 2010.

É comum que artistas no nível de Rihanna selecionem as melhores demos a partir de muitas que foram enviadas para, assim, selecionar músicas para os álbuns. “[A equipe de Rihanna] tem, sem brincadeira, 500 registros para este projeto, de diferentes produtores e compositores”, conta um produtor de dancehall que pediu para permanecer anônimo. "Eles estão escolhendo apenas dez registros”.

"Todo artista, todo produtor e todo compositor da Jamaica ou de ascendência jamaicana está trabalhando no [disco de Rihanna] e tem pequenos trechos de créditos de publicação ou produção", disse outra fonte próxima ao projeto. “Eu acho que eles já têm oito músicas”, continua ele, “mas os agentes ainda estão pedindo por demos”. “Eles estão procurando por mais uma música”, acrescenta uma terceira fonte com conhecimento do processo de criação do álbum.

Um produtor que enviou material para o disco teme que a estrela esteja diluindo os aspectos caribenhos da música. “A coisa toda deles era: 'vamos fazer este álbum dancehall real, caribenho real’”, disse o produtor. “Eles estão meio que misturando tudo, colocando no pop. Se os artistas e produtores de reggae não tiverem a chance no álbum pop, pelo menos vamos sobreviver no álbum dancehall. Eles estão continuamente mudando a direção”.

Mas a maioria dos cantores e produtores que enviaram material para a equipe de Rihanna acreditam que a tanto a música como os artistas jamaicanos se beneficiarão do envolvimento com um lançamento de alto nível. "Se o álbum da Rihanna vender grandes números, a fé será restaurada no gênero [dancehall] como algo a ser investido", diz um segundo produtor do estilo musical.

Um terceiro produtor – que já fez bastante coisas para o álbum – diz que as gravadoras começaram a se aproximar dele “perguntando se eu tinha alguma música que [Rihanna] não pegou”. “As pessoas já estão se preparando para ir nessa direção, e isso porque alguém tão grande quanto ela está fazendo isso ”, acrescenta. "Se um artista como Rihanna aparecer e fizer [um álbum influenciado pelo pop jamaicano], isso definitivamente vai mudar o rumo da música mundial".