Rio das Ostras Jazz e Blues Festival comemora 10 anos

Evento acontece entre 6 e 10 de junho, em Rio das Ostras, e é totalmente gratuito; veja a programação

Antônio do Amaral Rocha Publicado em 28/05/2012, às 17h06 - Atualizado às 20h09

Roy Rogers

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Neste ano de 2012, realiza-se na cidade fluminense de Rio das Ostras a décima edição do festival que prioriza o jazz, o blues e a música instrumental e que consegue reunir um público heterogêneo de 70 mil pessoas atentas às atrações nacionais e internacionais. A iniciativa foi eleita a mais importante festa da música da América Latina pela revista Downbeat, considerada a “bíblia do jazz”.

O evento, que começou em 2003, com dois palcos na praia, sem muita estrutura e poucos shows, hoje se espalha pela cidade e se "tornou um festival de grande porte, profissional, com quatro palcos, restaurantes, lojas e o palco principal, o Costa Azul, localizado na Cidade do Jazz", festeja o produtor Stenio Matos. A edição de 2004 conseguiu programar Stanley Jordan e Jane Monheit, que voltariam em edições posteriores, e acabou por definir a vocação do festival daí para a frente, aumentando o interesse da mídia "que me ajuda a criar esse festival", diz Matos.

O Rio das Ostras Jazz e Blues Festival é um dos únicos, no gênero, totalmente gratuito para o público, ao lado do festival de Oslo, na Noruega. "É totalmente cultural e busca uma formação de público", explica o produtor. Esses são os argumentos que Stenio utiliza no momento das contratações nacionais e internacionais, que, pelo line-up, teriam cachês milionários. "Isso sensibiliza os músicos e faz com que eles baixem o valor dos cachês", ele conta, explicando como consegue zerar as contas. E o principal patrocinador, que é a prefeitura da cidade, consegue recuperar todo o investimento por meio do aumento da arrecadação de impostos no período do festival, além da evidência do nome da cidade.

A edição de 2012, comemorativa de 10 anos, terá alguns nomes que já participaram em anos anteriores, além de palestras sobre jazz e produção musical com alguns jornalistas especializados.

Destaques desta edição

David Sanborn

Com seu sensível sax alto, é hoje um dos instrumentistas mais bem sucedidos comercialmente. Em 1969, se juntou à Butterfield Blues Band e tocou em Woodstock. Depois disso, já trabalhou com Stevie Wonder, Rolling Stones, David Bowie, Gil Evans, Paul Simon, James Taylor e Eric Clapton. Lançou 24 álbuns e ganhou seis prêmios Grammy, sempre acompanhado de exímios músicos de apoio. Atualmente, ele tem priorizado o jazz e será acompanhado de uma banda básica, com guitarra, baixo, teclados e bateria.

Billy Cobham

O baterista é outro grande nome desta edição. Cobham foi um dos fundadores da Mahavishnu Orchestra junto a John Mclaughlin, nos anos 70, sendo, portanto, um dos precursores da levada fusion que faz escola até hoje. Ele já tocou com Miles Davis e, além disso, foi um dos primeiros músicos a misturar o jazz com o rock.

Kenny Barron

O pianista deverá agradar bastante ao público pela proximidade com a música brasileira, que registrou nos álbuns Sambão, ao lado de Toninho Horta e Nico Assunção, e Canta Brasil, com o Trio da Paz. Ao lado do Classical Jazz Quartet, ele se notabilizou por tocar música clássica com levada jazzística em parceria com Ron Carter, Stephen Scott e Lewis Nash.

Roy Rogers

O exímio representante do slide guitar é um dos que já se apresentaram em outras edições do festival. Sua performance no ano de 2007 conquistou corações e mentes e deixou lembranças de um incendiário show de blues. E neste ano não ele provavelmente não fará diferente, tocando temas do mais recente álbum de estúdio, intitulado Split Decision (2009), gravado com a banda The Delta Rhythm Kings.

Michael Hill

O guitarrista é outro que também retorna, com a banda Blues Mob. Hill é reconhecido como um dos mais talentosos compositores e guitarristas do modern blues. Ele faz uma música de muita energia, que mistura o antigo ao novo, criando o denominado New York style blues. Sua apresentação de 2007 consta como uma das mais aclamadas performances de blues moderno da história do festival.

Armand Sabal-Lecco

O contrabaixista poderá ser a grande surpresa do festival, apesar de ser pouco conhecido por aqui. Armand, que desenvolveu a técnica slap, começou a se destacar em meados de 1980, em Paris, quando uma nova geração de jovens músicos africanos começou a se firmar no mercado musical. Desde então, passou a ser considerado um dos maiores baixistas do mundo, contribuindo em trabalhos de artistas do porte de Ray Charles, Sting, Seal, Brecker Brothers, John Patitucci, Stanley Clarke, entre outros.

Mike Stern

Ele também já esteve em Rio das Ostras e já tocou em outros festivais pelo Brasil. Sua guitarra viajante passeia por variados estilos, como rock, jazz, blues e funk. Ele fará dobradinha com Romero Lubambo, o guitarrista e violonista brasileiro radicado nos Estados Unidos desde 1985, que tem o seu nome ligado a trabalhos de dezenas de artistas de primeira linha, como Astrud Gilberto, Dianne Reeves, Al Jarreau, Kathleen Battle, Herbie Mann, Ivan Lins, Flora Purim e Airto Moreira, Grover Washington, Jr., Luciana Souza, Leny Andrade e Cesar Camargo Mariano. Será um encontro de duas técnicas geniais.

Maurício Einhorn e Hélio Delmiro

Dois geniais músicos instrumentais completam a escala brasileira da festa. O veterano gaitista Maurício Einhorn, que já acompanhou quase todo o primeiro time da música brasileira, ao lado de nomes como Johnny Alf, Leny Andrade, Paulo Moura, Chico Buarque, Baden Powell, Elizeth Cardoso, Tom Jobim, João Donato e Eumir Deodato. Ele apresentará a sua bossa intimista e os temas de jazz que conhece como ninguém. Quando morou nos Estados Unidos, Einhorn apresentou-se com os jazzistas Jim Hall, Ron Carter, Toots Thielemans, Nina Simone e David Sanborn. O outro é Hélio Delmiro, um dos mais talentosos guitarristas e violonistas brasileiros, cuja técnica e maestria são uma escola. Também esteve presente nos momentos mais marcantes da música brasileira, participando de shows e discos de Milton Nascimento, Elis Regina, Djavan, Tom Jobim, entre dezenas de outros artistas. Dele se aguarda uma apresentação de bossa e jazz com sabor brasileiro.

Celso Blues Boy

Da escola do blues e rock brasileiro, o destaque fica para Celso Blues Boy, que já dividiu palcos e estúdio com B. B. King, e que costuma contagiar sempre com sua performance vigorosa e hits como "Aumenta que Isso Aí É Rock'N'Roll".

Programação

Dia 6, quarta

Palco Costa Azul, a partir das 20h: Orquestra Kuarup, Big Band 190, Hélio Delmiro, Celso Blues Boy

Dia 7, quinta

Palco da Praça São Pedro, às 11h30: Gabriel Leite

Palco Lagoa do Iriry, às 14h15: Celso Blues Boy

Palco Praia da Tartaruga, às 17h15: Mike Stern e Romero Lubambo

Palco Costa Azul, a partir das 20h: Plataforma C, Maurício Einhorn & Grupo, Kenny Barron, Michael Hill

Dia 8, sexta

Palco da Praça São Pedro, às 11h30: Big Bat Blues Band

Palco Lagoa do Iriry, às 14h15: Roy Rogers

Palco Praia da Tartaruga, às 17h15: David Sanborn

Palco Costa Azul, a partir das 20h: Armand Sabbal-Lecco, Duke Robillard, Mike Stern e Romero Lubambo, Big Time Orchestra.

Dia 9, sábado

Palco da Praça São Pedro, às 11h30: Artur Menezes

Palco Lagoa do Iriry, às 14h15: Michael Hill

Palco Praia da Tartaruga, às 17h15: Armand Sabbal-Lecco

Palco Costa Azul, a partir das 20h: Cama de Gato, Billy Cobham, David Sanborn, Roy Rogers

Dia 10, domingo

Palco da Praça São Pedro, às 11h30: Fabiano de Castro

Palco Lagoa do Iriry, às 14h15: Duke Robillard

Palco Praia da Tartaruga, às 17h15: Billy Cobham