Rock in Rio 2017: Justin Timberlake faz pop sem apelação para público difuso do festival

Apresentação do cantor no palco Mundo encerrou a leva de grandes shows do primeiro fim de semana do evento carioca

Lucas Brêda, do Rio de Janeiro Publicado em 18/09/2017, às 04h27 - Atualizado às 21h45

Justin Timberlake durante show no terceiro dia de Rock in Rio 2017

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Para entender o show de Justin Timberlake é preciso entender o público deste domingo, 17, no Rock in Rio: uma massa heterogênea de fãs de artistas diversos e pessoas -- às vezes famílias inteiras -- em busca de entretenimento, independente da relação com as atrações. A parcela mais próxima ao palco estava derretida pelo headliner, enquanto o fundão aguardava ansioso por algum hit ou algo com que pudesse se relacionar.

Foi um jogo de carisma por parte de Timberlake -- ele conversou, pegou uma bandeira do Brasil para assinar, desceu na plateia e tudo mais --, no quesito simpatia, teve o Parque Olímpico inteiro na mão. Até na hora de introduzir as músicas e no encerramento, emocionado e enrolado em uma bandeira do país, deu para notar a dedicação.

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Nas partes mais distantes do palco, contudo, mesmo os hits de Timberlake chegaram sem tanta força. Esta parcela mais dispersa, conversando e pouco se importando com o show, só ficou incensada a partir de "Holy Grail" -- canção de Jay-Z com Timberlake --, que foi emendada na antiga "Cry Me a River" (2002). Não foi uma busca por uma espécie de "passado de ouro": "Can't Stop the Feeling", single mais recente dele, foi a mais celebrada, e o encerramento ainda teve "Mirrors" (2013) e "SexyBack" (2007).

Em cima do palco, Timberlake não impressionou facilmente (não tem vocais potentes como Alicia Keys), e desenvolveu a sonoridade pop mesclando batidas de EDM com as influências de Prince e Michael Jackson, também raspando no hip-hop (houve breves citações a músicas de Kanye West e Kendrick Lamar, por exemplo). Com banda, o som ficou mais expandido, com um misto de vigor e refinamento adicionado ao repertório.

Não foi um show épico das proporções -- e para o público sedento por hinos -- do Rock in Rio, e sim a performance de um artista focado exatamente naquilo que tinha para oferecer: canções pop e contagiantes em sua essência. Em momento amadurecido da carreira, Justin Timberlake não apela para agradar (alguém ainda lembra que ele era de uma das mais bem-sucedidas boybands de todos os tempos?), mesmo que o custo disso seja um punhado de olhares indiferentes.

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