Rock suado

Jon Spencer, que traz o Blues Explosion ao Brasil para dois shows, comenta os relançamentos do grupo e a volta aos palcos

Por Stella Rodrigues Publicado em 28/07/2011, às 18h34

O trio Jon Spencer Blues Explosion, que faz dois shows no Brasil
Divulgação

"Lembro que estava usando uma barba enorme, o que foi terrível, porque estava bem quente. Estou feliz de levar o Blues Explosion de volta para aí. Até porque não estou usando barba, desta vez!" Jon Spencer, o simpático líder do trio Blues Explosion, relembra a última vez que esteve no Brasil, não com esta banda (que fez show por aqui no longínquo ano 2001), mas com o Heavy Trash, em 2009. E ficou feliz de saber que estaria retornando em pleno inverno e para conhecer Brasília, cidade que, como fã de arquitetura, sempre teve curiosidade de visitar.

Após uma longa pausa, Jon Spencer se reuniu ao Blues Explosion (composto ainda por Judah Bauer, guitarrista, e Russell Simins, baterista) para excursionar em prol da promoção do que chama, de forma genérica, de "os relançamentos": a coletânea Dirty Shirt Rock 'n' Roll e novas versões, repletas de extras, dos trabalhos anteriormente produzidos. "No começo, os shows eram para apoiar os relançamentos, a gente queria colocar esse material de novo no mercado. Mas após algumas apresentações, estávamos nos divertindo e resolvemos continuar", explica ao site da Rolling Stone Brasil.

Sobre a busca de materiais que compusessem os extras dessas novas edições de trabalhos antigos, Spencer define a tarefa como uma verdadeira caça ao tesouro. "Foi um trabalho enorme. No começo, não era algo que eu estava ansioso para fazer. Eu preferia ocupar meu tempo com algo novo, focar no futuro. Mas depois que comecei, virou minha obsessão e tentei ser o mais minucioso possível", ele relata. "E tinha muita coisa, éramos muito prolíficos. Provavelmente, tinha, para cada álbum, todo um outro álbum que fizemos e descartamos. Isso sem falar nas faixas ao vivo. É que, no fim das contas, não via vantagem em relançar os álbuns exatamente iguais aos que já tinham saído."

Com um espírito "o trabalho dignifica o homem", Spencer não reclama do esforço que teve que empenhar, no fim das contas: "Isso é bom para mostrar que qualquer sucesso que a gente tenha hoje é por causa do suor das nossas testas. Trabalhamos muito, em estúdio, no palco, foi assim que fomos ganhando as pessoas. Não éramos queridinhos da gravadora, nem uma sensação fabricada pelo mercado. Éramos uma banda honesta e trabalhadora de rock".

Voltar, então, além de uma questão de divulgar os relançamentos, foi uma questão de dar vazão a mais trabalho. "Não rola nostalgia. A sensação é de mais um pedaço da jornada. Descansamos por um longo período, mas não é bem uma volta, acho que porque nunca tivemos um fim oficial. A banda nunca deixou minha mente, de certa forma. O show não tem cara de 'velharias' e também estamos compondo bastante, o que deixa as coisas bem atuais. Estamos tentando adentrar um novo capítulo", define, antes de explicar que um novo disco ainda é um projeto bastante embrionário.

Após a reflexão, Jon Spencer conclui: "Sabe, vivem me perguntando, por causa do meu amor por música antiga, se eu gostaria de ter nascido em uma época diferente, ser jovem nos anos 50. Não, acho que não. Não tenho nenhum problema com o mundo aqui e agora, não sofro pelos idos dias. Sabe?" E não, ele não tinha assistido ainda ao filme novo de Woody Allen, Meia-Noite em Paris, mas ficou bastante interessado em acompanhar a jornada do protagonista (Gil, interpretado por Owen Wilson) em sua jornada saudosista ao passado.

Porão do Rock

O Jon Spencer Blues Explosion, assim como o Helmet e o DT's, tocará no Porão do Rock, que o site da Rolling Stone Brasil irá cobrir. Clique aqui para ler uma entrevista com Page Hamilton, do Helmet, e aqui para saber mais sobre o DT's.

Jon Spencer Blues Explosion no Brasil

São Paulo

28 de julho

Bourbon Street - Rua Chanés, 127 - Indianopolis

R$ 180 (pista) ou R$ 240 (mesa)

Informações: (11) 5561-8199

Brasília

29 de julho

Festival Porão do Rock - SRPN - Complexo do Ginásio Nilson Nelson - quadra 207 Norte, no Plano Piloto de Brasília

Entrada gratuita mediante apresentação do ingresso (que pode ser impresso no site) mais 1Kg de alimento não perecível

Informações: www.poraodorock.com.br