Rock Works 2015: Scalene experimenta idolatria com show enérgico no festival

Quarteto brasiliense tocou "Relentless Game" com participação de integrantes do Far From Alaska

Lucas Brêda Publicado em 08/07/2015, às 02h54 - Atualizado às 21h23

Scalene no festival Rock Works

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Com seis anos de banda e um sucesso relativamente recente, o Scalene já vive pequenos momentos de banda grande. Foi assim no show que o grupo brasiliense fez no Festival Rock Works, que aconteceu na última terça, 6, em São Paulo.

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Muito da ascensão do Scalene está ligada à participação da banda no programa Superstar, da Globo (o grupo é um dos quatro finalistas da atual edição), mas vai além. O quarteto já conseguiu angariar uma base sólida de fãs, que se aglomeraram na frente do palco do evento, sem deixar o universo independente.

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Com uma sonoridade que bebe na fonte de Queens of The Stone Age – mas com forte veia melódica –, o Scalene deu início à apresentação com "Sublimação", faixa do segundo disco do grupo, Éter, lançado este ano. Eles mostraram vigor e energia em meio a arranjos de guitarra engenhosos, ora pesados e distorcidos, ora limpos e dedilhados.

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Mas foi com a balada "Surreal" (faixa de maior sucesso do grupo) que a plateia mostrou a proximidade com a banda. Logo nos primeiros versos, o vocalista Gustavo Bertoni pediu: "Só vocês!", oferecendo uma parte da letra para o público cantar e sendo atendido em seguida.

O ponto alto da apresentação aconteceu graças à parceria com o Far From Alaska, banda potiguar que também foi atração do Rock Works. As duas líderes do grupo, Emmily Barreto e Cris Botarelli, subiram ao palco para dar ainda mais energia à faixa conjunta "Relentless Game", gravada pelas duas bandas pouco antes do Lollapalooza deste ano (ocasião em que Scalene e Far From Alaska integraram o festival).

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Após pouco menos de uma hora, o show chegou ao fim embalado pelos gritos e pulos da plateia. Os integrantes chegaram a distribuir palhetas e trocar interações com os fãs, já experimentando a idolatria – e não apenas a admiração - da plateia.

Sobre o Festival Rock Works

Há 50 anos, Bob Dylan chocou os puristas do folk com sua primeira apresentação “elétrica”, no festival Newport Folk. Poucos anos depois, Jimi Hendrix tocou, para cerca de 320 mil pessoas, o hino dos Estados Unidos no festival Woodstock. No primeiro Rock in Rio, 30 anos atrás, o Paralamas do Sucesso se apropriou do hit do Ultraje a Rigor “Inútil” para protestar em defesa das eleições diretas.

No clima de confraternização sonora, a Rolling Stone Brasil anunciou a realização do Festival Rock Works, apresentado pela West Coast. Representando o rap e diversas facetas do rock nacional, a primeira edição do evento teve como atrações Emicida, Scalene, Boogarins, Far From Alaska e DJ Vito.

Assim como nos grandes momentos dos festivais ao redor do mundo, o primeiro Rock Works demonstrou compromisso com o presente, reunindo o que há de mais representativo na música brasileira contemporânea, do melhor álbum de 2013, de Emicida, ao grupo em maior ascensão no rock brasileiro atual, o Scalene.

O Rock Works também é um retrato vasto do Brasil como um todo, com atrações de quatro lugares diferentes do país. Enquanto o Boogarins traz a psicodelia de Goiânia, o Far From Alaska representa as guitarras da cidade de Natal, no Rio de Grande do Norte. Enquanto o Scalene é o mais novo representante da prolífica cena brasiliense, Emicida cantou as desventuras da rua paulistana.