Sasha Grey lança single

Atriz pornô, que protagonizará o próximo filme de Steven Soderbergh, afirma, em entrevista exclusiva: "Tenho grande interesse e apreciação por arte"

Por André Maleronka Publicado em 07/01/2009, às 12h58

A atriz pornô norte-americana Sasha Grey foi abraçada pelo mainstream. Após ser fotografada para o encarte do mais recente disco do Smashing Pumpkins, ela protagonizou clipes da banda de Billy Corgan e também do The Roots, gravou com a lenda do dub Lee Perry e ganhou projeção midiática internacional ao ser escalada para o papel principal no novo filme de Steven Soderbergh (vencedor do Oscar pelo filme Traffic).

Sasha, que acaba de acumular 10 (!) indicações para o AVN (Adult Video Network, a principal premiação da indústria adulta), aproveita a fama repentina para lançar o primeiro single de sua banda, o projeto de música eletrôncia experimental Atelecine.

Somente depois de a reportagem aceitar que Grey não responderia perguntas sobre o filme de Soderbergh (à revista Interview de dezembro, ele disse que a primeira conversa dos dois foi sobre Godard e o filme Bubble, e que ela "tem as qualidades que eu quero no personagem"), a atriz e agora música falou ao site da Rolling Stone Brasil.

Você estrelou clipes do Smashing Pumpkins e The Roots. Por que você acha que despertou o interesse desses artistas?

Eu sou amiga do Billy Corgan - e só para deixar bem claro, não é uma amizade colorida, porque eu já tô cansada desse tipo de insinuação. Depois de ser fotografada para a arte do disco Zeitgeist, ele me pediu para participar também do clipe de "Superchrist". Foi simples assim.

[O clipe da parceira do The Roots com Patrick Stump] "Birthday Girl" aconteceu a partir de um e-mail que recebi do ?uestlove [baterista do grupo]. O conceito era a justaposição cômica de uma garota fazendo 18 anos, querendo e preparada para experiências sexuais, interpretada por uma atriz pornô.

Você gravou com o Lee Perry. Como foi isso?

Eu fui convidada para cantar em uma faixa do álbum pelo Andrew W.K., que produziu o disco de Perry. Nós nos conhecemos através de um amigo em comum, David Tibet, do Current 93. Ter a oportunidade de trabalhar com artistas que eu admiro tanto, e que vêm de diferentes gêneros, é uma honra enorme. A minha banda Atelecine está lançando nosso primeiro compacto em vinil, que se chama A Vigillant Carpark e está saindo pelo selo Pendu Sound.

Você também posa para ilustradores da Rolling Stone e do jornal francês Liberation. Como você se conecta com tanta gente?

A indústria do entretenimento é muito pequena, no final das contas: todo mundo se conhece. Como a maioria dos meus fãs sabe, eu tenho um grande interesse e apreciação por arte, e isso transcende em colaborações com pessoas que têm os mesmos interesses que eu.

Seu personagem Sasha Grey parece ser uma mulher com uma missão. Sua primeira cena na indústria pornô foi uma orgia de sexo violento, em Fashionistas: Safado. Como você sabia que estava pronta?

Se você não tem uma missão, não está vivendo a vida. E comecei a experimentar com BDSM [Bondage, Disciplina, Sadismo e Masoquismo] antes de começar no pornô, e eu fui até o escritório da produtora Evil Angel dias antes da gravação, e conversei com John Stagliano [o Buttman, diretor do filme]. Ele fez questão de ter certeza que eu estava pronta e confortável com o que aconteceria em cena.

A maioria das pessoas tem a impressão que gravações de filmes pornô são lugares pesados, com muita negatividade e exploração. Isso é verdade? Se é, como evitar isso?

Isso é uma generalização, é a mesma coisa que dizer "as pessoas usam muitas drogas, então eu não vou nunca sair na balada". É tudo uma questão de escolher bem com quem você anda. As meninas que estão começando na indústria estão sempre tão desesperadas para para se integrar que sucumbem a esse tipo de coisa e pessoas. É fácil de evitar: é só saber quem você é e o que você quer.

Você gosta de Godard, Fellini...

Eu não me limito. Acontece que eu gosto de sexo violento e sou articulada, e gosto de bons filmes também. Isso é raro em estrelas pornô, mas eu sou assim.

Você está numa batalha? A pornografia é só um meio para você atingir outros objetivos?

Como mulher e profissional do sexo, estou constantemente travando batalhas contra estereótipos. Eu não acredito que alguém possa usar o pornô para atingir outros objetivos, a menos que os objetivos sejam um ânus mais largo, uma vagina mais molhada ou bolsos mais cheios.

André Maleronka escreveu o perfil da atriz pornô brasileira Monica Mattos na edição 17 da Rolling Stone Brasil. Clique aqui para ler um trecho.