Save Our Stages: Como movimento ousado da indústria da música conseguiu auxílio de US$ 15 bilhões nos EUA

Campanha de casas de show independentes deve salvar estabelecimentos da falência

Redação Publicado em 23/12/2020, às 17h45

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Interior da First Avenue, casa de shows em Minneapolis (Foto: Reprodução/Instagram)

Cerca de três mil casas de show independentes dos Estados Unidos se uniram para criar um movimento ousado chamado Save Our Stages - e conseguiram um auxílio de US$ 15 bilhões para o setor cultural. As informações são do jornalista Jon Blistein, da Rolling Stone EUA.

O valor final aprovado pelo governo norte-americano foi superior ao plano original da iniciativa. No site da campanha, o objetivo era conseguir “auxílio a longo prazo” com um programa de 10 bilhões de dólares - afinal, as casas de show foram as primeiras a fechar com a pandemia, e serão as últimas a operar novamente, e as dívidas da paralização se acumulam. A união de trabalhadores da indústria da música para pressionar o governo foi fundamental na aprovação da lei para o auxílio. 

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Com esse auxílio, muitos proprietários de pequenas casas de show poderão seguir no ramo após dez meses sem receita, mas com enormes despesas fixas, como aluguel, hipotecas, serviços públicos e seguros. A manutenção desses estabelecimentos é essencial para a indústria da música e novos artistas. "Normalmente, nossos clientes não começam em estádios”, declarou Marissa Smith, agente artística. "Dependemos desses pequenos espaços para construir a carreira de nossos artistas do zero. Espero que a implementação deste projeto aconteça rapidamente, porque muitos desses locais não podem esperar mais um minuto".

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Casas de show independentes de qualquer tamanho podem se inscrever para receber o subsídio, desde que comprovem funcionamento em fevereiro de 2020. Cada local receberá, no máximo, 45% da receita obtida no ano de 2019, com um limite de US$ 10 milhões por estabelecimento.

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A prioridade do programa será de casas que perderam mais de 90% da renda durante a pandemia. A lei também prevê que US$ 2 bilhões reservados apenas para entidades de menor porte, com menos de 50 funcionários fixos.

“Temos locais quebrando todos os dias e um atraso de uma semana pode significar o fim do negócio de alguém. Cada dia conta”, alertou Dayna Frank, CEO da First Avenue, à Rolling Stone EUA. Apesar da aprovação da lei pelo Congresso norte-americano, ainda não há previsão para o início das inscrições e primeiro pagamento.