Segunda noite do festival Best of Blues destacou o carisma de Joss Stone e as surpresas no repertório de Jeff Beck

O line-up da noite trouxe ainda um show de Céu em performance segura

Antônio do Amaral Rocha Publicado em 11/05/2014, às 17h26 - Atualizado em 12/05/2014, às 00h30

Jeff Beck foi destaque na segunda noite do festival Best of Blues

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Como se poderia prever, a segunda noite do festival Samsung Galaxy Best of Blues, na noite de sábado, 10, atraiu um público mais numeroso do que o da sexta-feira, lotando por completo o espaço do WTC Golden Hall, em São Paulo. E não poderia ser diferente, uma vez que o line up trouxe nomes consagrados como Joss Stone e Jeff Beck, ambos com um número considerável de admiradores no Brasil.

Exclusivo: Jeff Beck fala sobre o show no festival Best of Blues, em São Paulo.

A verdadeira prova de fogo coube à Céu, que teve a tarefa de conquistar um público que, em maioria, não foi lá para vê-la. Mas a cantora paulistana deu conta do recado e fez um show enxuto de 60 minutos, tocando o repertório de seu último álbum, Caravana Sereia Bloom (2012), jamais parecendo intimidada com a responsabilidade que lhe coube. Em festivais de apelo diversificado como o Best of Blues, o fator mais importante é atender às expectativas de um público focado em um determinado tipo de música, como a de Joss Stone e Jeff Beck, que compunham a maioria do público presente. Céu foi posta à prova e pode colecionar mais esse ponto positivo na carreira: entrou e saiu incólume, cantando com tranquilidade para um público quase estranho à sua música intrincada.

As expectativas da noite começaram a ser atendidas com a entrada de Joss Stone em cena. Antes, o absurdo pedido da direção da casa para que o público permanecesse sentado durante o show foi desconsiderado já nos primeiros momentos. Carismática e sorridente, descalça como sempre e usando um vestido branco de alcinhas, a britânica de 27 anos começou a apresentação com um público já ganho. Logo após a primeira música, “The Chokin’ Kind”, do álbum The Soul Sessions (2003), Joss já se mostrava impressionada com a receptividade, repetindo “amazing guys” e incentivando a plateia para que se aproximasse. Ficou claro que não importava muito o que estivesse cantando, a reação do público seria a mesma – ninguém parecia estar lá para exigir esta ou aquela canção, apesar de demonstrarem que sabiam cantar a maioria delas. O ponto alto se deu aos 47 minutos de show, com “Karma”, do álbum LP1 (2011), quando a protagonista permitiu que uma garota da plateia cantasse no lugar dela, oferecendo à anônima alguns poucos segundos de fama. E o clima de veneração seguiu até o desfecho, com “Right to Be Wrong”, de Mind Body & Soul (2004), após a qual Joss deixou o palco visivelmente emocionada e bastante aplaudida.

Principal atração da noite, Jeff Beck surpreendeu quem esperava que ele fizesse ao pé da letra o repertório do álbum Emotion & Commotion (2010). Esperava-se a presença da baixista Rhonda Smith, do guitarrista Nic Meier, do baterista Jonathan Joseph e da violinista Lizzie Ball, a formação da banda que o tem acompanhado ao longo da turnê de 2014. Mas Beck, eleito o quinto melhor guitarrista de todos os tempos pela Rolling Stone, veio a São Paulo com um grupo reduzido, formado pelo baterista Vinnie Colaiuta, a baixista Tall Wilkenfeld e um vocalista, Jimmy Hall, da extinta banda Wet Willie. E quando Hall não esteve no palco, o que se viu foi um autêntico power trio tocando um blues rock apaixonante, e nada do repertório lisérgico de Emotion & Commotion. Não que Beck tenha se furtado dos seus solos viajantes, mas o que prevaleceu foi uma guitarra pesada e a forte marcação do baixo de Wilkenfeld. Do repertório de vinte temas, Hall cantou oito e deu o recado em “Little Wing” e “Manic Depression”, ambas eternizadas por Jimi Hendrix. Pelo menos um fato esperado se confirmou ao final: Joss Stone subiu ao palco para uma curta e potente participação, em que cantou “I Put a Spell On You” – mesma música com que Beck e a cantora foram indicados em 2011 ao prêmio Grammy de Melhor Performance de Rock em Duo.

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Para encerrar, finalmente a guitarra viajante reapareceu na versão de “A Day in the Life”, quando Beck reproduziu toda magia do clássico dos Beatles, com solos inspirados reproduzindo a icônica orquestração da original. Na saída, foi possível ouvir de diversas pessoas que aquele havia sido o show das suas vidas. Em se tratando da performance de uma lenda viva como Beck, tais comentários são perfeitamente adequados.

O festival Best of Blues termina neste domingo. Veja mais informações abaixo.

Festival Samsung Galaxy Best of Blues em São Paulo

Domingo, dia 11, a partir das 19h30: Trombone Shorty & Orleans Avenue, Marcelo D2 e Aloe Blacc

WTC Golden Hall - Avenida das Nações Unidas, 12.551 – Brooklin

Ingressos: R$ 150 a R$ 900

Vendas: Livepass

Informações: Site oficial