Segundo líder do Eagles of Death Metal, controle de armas falhou em Paris

“O controle de armas feito pelo seu país impediu uma única pessoa de morrer no Bataclan?”, questionou Jesse Hughes em emocionada entrevista à emissora de TV francesa

Rolling Stone EUA Publicado em 16/02/2016, às 19h49 - Atualizado às 20h06

Jesse Hughes durante apresentação do Eagles Of Death Metal em Londres
Eagles of Death Metal

O líder do Eagles of Death Metal, Jesse Hughes, criticou as rígidas leis de controle de armas da França, antes do primeiro show da banda em Paris desde os atentados terroristas de 13 de novembro na cidade.

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Em uma entrevista intensa e emocionada ao canal de TV francês iTélé, Hughes relembrou do ataque no clube noturno Bataclan que deixou 89 pessoas mortas, e o trauma que ele vem vivenciando desde então. “Quando estou acordado é quando vejo coisas que são pesadelos”, disse Hughes.

O músico também disse que era a “responsabilidade sagrada” dele de encerrar aquele show do Eagles of Death Metal, bem como o resto da turnê da banda, dizendo, em certa altura: “Não posso deixar os caras do mau ganharem”. Abaixo, é possível assistir à íntegra da entrevista, com Hughes respondendo em inglês (com um tradutor falando em francês por cima da voz dele).

Hughes, abertamente a favor do direito de posse de armas, foi perguntado depois se o ataque mudou a visão dele em relação ao assunto, no que ele inicialmente respondeu: “A posse de armas meio que não tem nada a ver com isso”. Mas depois acrescentou: “O controle de armas feito pelo seu país impediu uma única pessoa de morrer no Bataclan? Se alguém puder responder que sim, gostaria de ouvir isso, porque eu acho que não.”

“Acho que a única coisa que pode ter parado aquilo foram algumas das pessoas mais corajosas que eu já vi na vida enfrentando a morte de cabeça erguida com armas de fogo”, continuou o líder do Eagles of Death Metal à TV francesa.

Após atentados, Eagles of Death Metal voltou a Paris para tocar com o U2.

“Sei que as pessoas vão discordar de mim, mas parece que Deus fez homens e mulheres, e as armas daquela noite os tornaram iguais”, seguiu ele. “Acho que a única maneira em que minha mente mudou é que, talvez, em vez de ninguém ter armas, todo mundo deveria ter uma arma, porque não quero ver nada parecido com aquilo acontecendo novamente, e quero que todos tenham as maiores chances de viver.”

“Vi pessoas morrerem que, talvez, poderiam ter vivido”, acrescentou Hughes. “Não sei, mas gostaria de ter certeza que eles pudessem ter uma chance maior, porque tinham anjos de verdade, pessoas maravilhosas de verdade naquele show.”

O Eagles of Death Metal é uma das bandas que se apresentarão no Lollapalooza Brasil 2016, que tem também atrações como Eminem, Mumford & Sons, Tame Impala e Florence + the Machine, entre outras. Os ingressos para a quinta edição do festival já estão sendo vendidos pela internet e em pontos de venda. As entradas ainda disponíveis custam entre R$ 450 e R$ 900 (há meia-entrada). Eles também farão um dos shows paralelos do megaevento.