Sem nostalgia

Teenage Fanclub mistura clássicos e faixas novas em show harmonioso em São Paulo

Por Patrícia Colombo Publicado em 12/05/2011, às 15h13

Norman Blake sorriu o tempo todo no show do Teenage Fanclub

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Se a ideia de ver o ídolo da sua adolescência com cabelos brancos te incomoda, azar o seu. Anote: para um verdadeiro fã, isso é o que menos importa. E o Teenage Fanclub, mesmo que nunca tenha se estabelecido de fato no mainstream em seus mais de 20 anos de carreira, pode se vangloriar de ter acumulado um público extremamente fiel ao redor do globo. Os escoceses retornaram ao Brasil (a primeira vinda deles ao país foi em 2004) e se apresentaram nesta quarta, 11, em São Paulo, no Whisky Festival. O clima do ambiente lotado? Sorrisos e mais sorrisos.

O grupo liderado por Norman Blake divulga no momento o álbum Shadows, lançado em 2010, e mesclou faixas do novo trabalho a clássicos da banda, espalhados principalmente pelos discos A Catholic Education (1990), Bandwagonesque (1991), Grand Prix (1995) e Songs from Northern Britain (1997). O show estava marcado para ter início às 23h, mas a banda não foi pontual, tendo aparecido com seus instrumentos à 0h10 - nada que incomodasse o público, já que, além de estar há anos aguardando pelo retorno do Teenage, a realização do evento no clube The Week acrescentou um toque de balada ao festival.

A doce "Start Again" foi a escolhida para iniciar a apresentação. Um tímido, porém simpático "oi" (em português mesmo) de Blake amoleceu o coração dos fãs. "É bom estar de volta a São Paulo", disse o frontman no final da faixa. "Sometimes I Don't Need to Believe in Anything" e "The Past", ambas de Shadows, foram igualmente bem recebidas, tocadas na sequência e trazendo a versão "atual" do Teenage Fanclub, mostrando que ninguém ali estacionou no tempo. "Dont' Look Back" retornou a 1995, mas nada de cheiro de naftalina. Aliás, este também foi um dos aspectos positivos na noite: um show com muitas antigas favoritas dos fãs, mas com novidades, sem demasiada nostalgia.

Quanto ao público, era possível dividi-lo entre os homens e mulheres por volta dos 30 anos, que tiveram a adolescência musicada pelo Teenage Fanclub, e ouvintes de vinte e poucos anos - que podem até não ter um vinil de Bandwagonesque, mas que cantam em coro do mesmo jeito, sabendo as letras das canções do início ao fim. Os ingressos para a apresentação na capital paulista se esgotaram em menos de 24 horas e o local estava lotado. Nas bocas, quando delas não saiam as faixas por meio de berros empolgados, sorrisos (e isso vale também para Blake). Foi o tipo do show harmonioso, com instrumentais e vocais ao ponto (comandados por Norman, Raymond McGinley e Gerard Love) somados ao calor que só uma apresentação ao vivo pode gerar.

"Baby Lee", "About You", "I Don't Want Control of You" ("Obrigado pro cantarem, é ótimo ouvi-los!", disse Norman, no final da canção), "I Need Direction", "Your Love is The Place", "Sparky's Dream" e "The Concept" (encerrando a primeira parte do show) fizeram parte do set list. O comprido bis contou com mais cinco músicas: iniciando com as mais suaves "Sweet Days Waiting" e "My Uptight Life", ganhando força com "Neil Jung" e "Discolite", e levando à catarse geral com "Everything Flows", o primeiro single do grupo. Melhor, impossível.

O Teenage Fanclub tem ainda mais um show marcado no Brasil. A banda se apresenta no Rio de Janeiro nesta quinta, 12, no Circo Voador, também como atração do Whisky Festival.

Teenage Fanclub - Rio de Janeiro

12 de maio, às 23h

Circo Voador (Rua dos Arcos, s/no)

Ingressos: R$ 50 mais 1Kg de alimento

Venda: www.ingresso.com.br