“Sempre quis cantar, mas não queria ser o clichê da atriz que grava CD de bossa nova”, diz Letícia Sabatella

A mineira estreia nesta terça, 22, o espetáculo Caravana Tonteria no Rio de Janeiro

Gabriel Nunes Publicado em 22/11/2016, às 17h10 - Atualizado às 19h08

Letícia Sabatella cantando ao lado do grupo Caravana Tonteria
Reprodução/Facebook Oficial

Certas inclinações artísticas afloram tardiamente. Outras são guardadas – quase como segredos – para serem redescobertas posteriormente com maior intensidade. É sob esse prisma que Letícia Sabatella analisa a incipiente carreira como cantora ao lado do grupo Caravana Tonteria. “A profissão de atriz foi o carro-chefe da minha sobrevivência, mas sempre guardei a parte musical para que não se tornasse algo comercial”, declara em entrevista por telefone à Rolling Stone Brasil. “Guardei para descobrir melhor o que era isso.”

Com direção artística de Arrigo Barnabé, o espetáculo da banda Caravana Tonteria promove uma profusão dos lados teatral e musical da mineira, que no passado fez parte do coral sinfônico do Paraná. À frente do coletivo, que também é formado por Paulo Braga, Zéli Silva e Fernando Alves Pinto (marido dela), Letícia não se despe completamente da aura de atriz. Ao encarnar uma personagem burlesca e andrajosa, ela evoca imagens que vão de Brecht ao vaudeville circense, acenando ao teatro da commedia dell’arte italiana.

“Meu caminho mais fluido e orgânico sempre passou pela música”, afirma a intérprete. “Mas como uso muito o recurso de atriz para cantar, busquei criar algo que tivesse uma característica um pouco teatral, em que pudesse interpretar uma personagem. Para isso, pensei muito na filosofia da beleza daquilo que é carcomido pelo tempo, a beleza do impermanente. Assim fui construindo uma estética de uma cantora maltrapilha, circense.”

Para Letícia, a necessidade de buscar novas maneiras de se expressar artisticamente nasceu de uma inquietação interna: “Essa vontade começou a brotar de um estresse do modo de ver as coisas. Queria que isso tudo tivesse algum comprometimento comigo, com minha alma e com a minha trajetória, mas que não precisasse ser o hit do mercado. Queria uma expressão que traduzisse esse sentir meu”, explica com a característica voz cadenciada e paciente. “Sempre quis cantar, mas não queria ser o clichê da artista que grava CD de bossa nova.”

Conforme relembra, a centelha inicial do Caravana Tonteria pode ser atribuída à composição “Tango Tonteria”, primeira faixa autoral dela. Apesar do tímido e despretensioso início, a canção foi escolhida para ser dançada pelos vencedores do Campeonato Mundial de Baile de Tango, na Argentina. “Isso fez com que eu me tornasse mais corajosa como cantora.” Além das composições próprias, o quarteto reinterpreta nas performances clássicos incontestáveis como “Geni e o Zepelim”, de Chico Buarque, e “Je ne Regrette Rien”, de Edith Piaf. “Procuramos tocar essas músicas não exatamente como elas são, mas sim como releituras improvisadas, de um jeito brincalhão e sofisticado.”

Embora os alicerces construídos ao longo da recente trajetória do grupo se tornem cada vez mais sólidos com o tempo, Letícia vê a ideia de registrar o espetáculo em um disco como algo ainda remoto, mas provável em um futuro distante: “O Paulo sempre pergunta: Quando a gente vai gravar? Mas ainda estamos na fase de vender os shows da Caravana. Existe a ideia de fazer um DVD primeiro, porque contamos muito com a imagem do espetáculo.”

O Caravana Tonteria se apresenta pela primeira vez no Rio de Janeiro nesta terça, 22, às 21h, no Theatro Rio Net.

Caravana Tonteria no Theatro Rio Net

22 de novembro, às 21h

Theatro Rio Net - Rua Siqueira Campos, 143 (2º Piso) - Copacabana, Rio de Janeiro

Ingressos a partir de R$ 50