Shakira esbanja talento e energia em SP, fazendo jus ao status de uma das maiores divas do pop

Após sete anos, a cantora colombiana voltou ao Brasil e lotou o Allianz Parque na noite do último domingo, 21

Paulo Cavalcanti Publicado em 22/10/2018, às 07h54

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Stephan Solon / Move Concerts

A noite paulistana estava fria, mas Shakira reverteu a situação a partir do momento em que pisou no palco. O pop latino e dançante da artista colombiana esteve novamente entre nós após a cantora permanecer sete anos ausente dos calendários de shows nacionais. A cantora se apresentou no último domingo, 20, em São Paulo, no Allianz Parque, trazendo a turnê El Dorado, referente ao álbum lançado em 2106.

Aos 41 anos, Shakira é um dos poucos nomes do boom da música latina iniciado na década de 1990 que manteve o status de super estrela. Ela conseguiu expandir a linguagem musical unindo suas raízes latinas a uma pegada roqueira, usando toques de música oriental e também inserindo batidas modernas de música dançante. Há algum tempo, ela teve graves problemas nas cordas vocais e permaneceu distante dos palcos, mas se recuperou e voltou a excursionar, passando pela Europa e Estados Unidos até finalmente chegar a vez do Brasil.

A abertura ficou por conta do duo de DJs e produtores Cat Dealers, que conseguiram esquentar a plateia, mas foi às 20h45 que a verdadeira estrela do show subiu ao palco, ao som de "Estoy Aquí" e "¿Dónde Estás, Corazón?". A cantora estava acompanhada por uma banda composta por cinco músicos, além da presença de muitas bases pré-gravadas e uma profusão de samplers. Os telões e uma passarela que adentrava o espaço reservado ao público ajudaram a incrementar o espetáculo.

Depois da primeira canção, as luzes se apagaram e Shakira apareceu no centro do palco, acorrentada a um bloco de concreto. Enquanto a percussão atingia tons pesados, ela mexia o corpo, como um boneco tresloucado querendo se libertar. Finalmente ela se livrou e soltou um brado de loba, servindo de deixa para a banda entrar com “She Wolf”, a faixa dançante que se tornou uma das marcas registrada dela. Incentivado pela cantora, o público entrou no clima e começou a uivar e dançar.

A partir desse ponto, as portas da festa estavam abertas. Shakira, sempre agitada e agitando, desfilou sua sensualidade natural. Ela ia de princesa caliente do pop latino à diva moderna dançante. Agradecendo aos fãs em um português quase perfeito, ela se lançou a um repertório que incluiu balanços e uma ou outra balada. Entre as canções estavam sucessos de toda a carreira dela, incluindo material mais antigo como “La Tortura” e “Si Te Vas”, além de faixas do El Dorado, como "Nada" e “Me Enamoré”.

Mais duas faixas de El Dorado mereceram destaque durante a apresentação. A agitada "Perro Fiel" teve a participação de Nicky Jam no telão; o mesmo recurso foi usado no reggaeton "Chantaje”, durante o qual o também colombiano Maluma fez um dueto virtual com cantora. Um dos momentos mais aguardados de um show da Shakira acontece quando ela exibe seus dotes de dançarina do ventre. Depois de serpentear sensualmente pelo palco ao som de música árabe, ela apresentou “Whenever, Wherever", hit de 2001 responsável por torná-la famosa nos Estados Unidos. Nesse momento, uma chuva de confete dourado cobriu o estádio, amplificando a magnitude da estrela.

No palco, ela esbanjou versatilidade, comandando com naturalidade a atenção do público que contabilizou cerca de 45 mil pessoas. Em canções como “Inevitable” e “Amarillo”, a colombiana se apoderou de uma guitarra. Quando chegou a hora do reggae “Can’t Remember To Forget You”, colaboração dela com Rihanna de 2014, Shakira mostrou que também consegue se virar como baterista.

A conclusão do show foi frenética e cheia de hits. A cantora sacudiu novamente o Allianz Parque com um medley de canções latinas com pique de dance music como “Loca" e "Rabiosa” e "Dare (La La La)", uma das canções utilizadas como tema da Copa do Mundo do Brasil em 2014. Outro momento ligado ao futebol que foi muito festejado pelos fãs aconteceu quando ela interpretou "Waka Waka (This Time for Africa)", tema da Copa do Mundo de 2010, realizada na África do Sul.

Depois da execução da reflexiva “Tonelada”, a estrela do pop encerrou a perfomance com mais dois grandes sucessos: a duradoura “Hips Don't Lie” (2006) e “La Bicicleta”, que ela gravou originalmente com o também colombiano Carlos Vives para o álbum El Dorado. Por volta das 22h30, Shakira e seus músicos deixaram o palco sob uma chuva de confete. Na terça, 23, a cantora se apresenta na Arena do Grêmio, em Porto Alegre.