Showrunner de True Blood diz que um dos personagens principais não chegará ao fim da sexta temporada

Brian Buckner fala sobre os novos episódios da série, que começam a ser exibidos a partir do próximo fim de semana no Brasil

Sarene Leeds Publicado em 11/06/2013, às 18h28 - Atualizado às 19h45

True Blood
Divulgação

Lembra dos bons velhos tempos quando tudo que o vampiro de 175 anos Bill Compton queria era um convite para entrar na casa da garçonete com poderes telepáticos Sookie Stackhouse? A história de True Blood parecia muito simples há cinco temporadas, quando conhecemos a comunidade sobrenatural de Bon Temps, Louisiana.

Mas quando a quinta temporada terminou, Bill, consumido pelo poder e pela ganância, entornou um frasco do sangue de Lilith e virou um híbrido de vampiro e Deus que a internet está chamando de "Billith", obrigando sua ex-namorada Sookie e o vampiro Eric a sair em disparada. Com a sexta temporada do drama sexy da HBO prestes a estrear, a Rolling Stone EUA conversou com o produtor executivo Brian Buckner (que também sucedeu o criador Alan Ball no cargo de showrunner) para saber o que vem por aí na trama dos nossos vampiros, lobisomens, shape-shifters, fadas e, sim, humanos sulistas.

Atenção, contém spoilers

O que podemos esperar da nova temporada?

Bom, em termos de temática – e eu quero ser justo a todas as temporadas anteriores – eu acho que a gente faz tanta correria e matança que muito raramente paramos para falar da importância da vida. Teremos um episódio nesta temporada que se chama "Life Matters" [a vida importa, em tradução livre]. Estamos tentando lembrar as pessoas que as vidas dos humanos e também as dos vampiros dessa cidadezinha importam. Então, se perdermos alguém, vamos parar para fazer o luto e tentar contar o lado mais humano dessas histórias sobrenaturais. Essa é a missão que me propus.

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Sem dar nenhum spoiler, quais segredos pode revelar?

Eu posso contar porque isso já está sendo dito por aí: vocês verão Steve e Sarah Newlin de uma maneira significativa. Um dos nossos personagens principais não chegará ao fim da temporada. Como Anna [Paquin, a intérprete de Sookie Stackhouse] está mudando a vida dela – por ter se tornado mãe – estamos tentando fazer uma Sookie, mais crescida, menos ingênua. Uma Sookie que sabe que precisa de ajuda e que não fica dizendo o tempo inteiro “eu consigo fazer isso sozinha”. E uma Sookie mais sombria, para falar a verdade. Alguém com os olhos mais abertos em relação ao mundo e que se conhece melhor.

Agora que estamos na sexta temporada, como faz para manter a história inovadora e atraente?

Mudanças. Não posso falar quais, mas é algo grande. Todo mundo ama a série, mas os atores não querem mais fazer as mesmas cenas, os roteiristas não querem escrever mais as mesmas cenas. Literalmente, dando uma guinada nas coisas e mudando o eixo das pessoas – nessa série, tirando quando fazemos a leitura do roteiro ou festas de lançamento, muitos desses atores nunca trabalham juntos – então, do jeito que enxergamos as coisas, se pudermos mudar o paradigma e alguns dos relacionamentos dentro da trama, abrimos várias novas avenidas. Jason basicamente nunca teve uma cena com Pam, certo? Tem todos esses novos pareamentos e o meu trabalho, ao lado dos roteiristas, é mudar as estradas pelas quais temos guiado nas temporadas anteriores. A resposta é que, já que temos todos esses personagens, é muito fácil manter o frescor. É nesse tipo de coisa que temos que pensar e voltar um pouco para nossas raízes novelescas, lembrando que o romance importa no meio das tramas que construirmos.

Você diria que o triângulo amoroso entre Bill, Sookie e Eric ainda existe nesta temporada?

Eu acho que existe – a tensão está lá, mas eu diria que esses personagens nunca estiveram tão distantes, romanticamente. Bill e Sookie ainda estão no centro da trama. Isso ainda está lá, mas você não consegue sempre ter essas pessoas juntas. Mas o impasse é muito interessante.

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Como seu papel na série mudou agora que atua como showrunner?

Antes, por muito tempo, nós mantivemos basicamente a mesma equipe, o mesmo time principal, nos primeiros cinco anos. E ninguém queria que Alan saísse. E agora eu sei realmente a razão pela qual eu não queria que ele saísse. Todo mundo conseguia produzir seus próprios episódios e trabalhar uns com os outros em um arco mais longo, mas basicamente cada um só era responsável por seus episódios. A grande diferença para mim agora é que eu tenho que ser primariamente responsável por todos eles. Eu acho que nunca tinha realmente percebido o tamanho da pressão que Alan sofria. E claro que a responsabilidade vai além de escrever. Tem a pós, tem que manter o diálogo com os atores para eles saberem em que pé estamos, para que lado vão as histórias deles. Isso pode te distrair muito. O roteiro acaba ficando por último [risos], e isso tem sido um pouco difícil. Nunca senti mais respeito pelo trabalho que Alan estava fazendo do que agora que estou meio que na cadeira dele. É um trabalho grande.

Você escreveu algum dos episódios desta temporada?

Sim, o nono, e eu me mantive presente em todos – mas não presente demais. Eu não quero fazer um desserviço a todos os nossos ótimos roteiristas. O grupo que tenho realmente mandou bem.

Como você acha que sua forma de levar a série difere da do Alan Ball?

Estou aprendendo a deixar os roteiristas terem sua própria voz. Eu acho que Alan era muito bom em deixar as pessoas fazerem o próprio trabalho. E acho que às vezes minha resposta para a pressão é controlar mais. Ele é um showrunner mais experiente. Ele sabe quando confiar e eu às vezes me tranco em uma sala [risos] e tento assumir mais trabalho. Eu sinto falta, especialmente, de tê-lo editando, porque ele era muito bom de se afastar do que foi escrito, ver o que estava lá e tratar aquilo como algo reescrito. Sinto falta dele nessa capacidade, ele era muito, muito bom.

Depois do final chocante da temporada passada, você diria que Bill perdeu totalmente sua humanidade, a esta altura, ou ainda há esperança para ele?

Eu acho que sempre tem que haver esperança para ele. Mas o arco dele durante a temporada... no primeiro episódio, [atenção, spoiler] ele pede para a Jessica se certificar de que ele não enlouqueça. Ele vai. Ele se perde, mas encontra o caminho de volta, porque o Bill tem que ser o Bill. Mas essa luta que tem acontecido com essa porção Bill que existe dentro de Bill e a porção Lilith que está no Bill... ela vai vencer por um tempo.