Simpático e falante, Hugh Laurie faz ótima apresentação em São Paulo

Mais conhecido nas telas, o músico celebrou a música norte-americana em show de 2h30

Marcos Lauro Publicado em 30/03/2014, às 15h00 - Atualizado em 31/03/2014, às 19h49

Hugh Laurie

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“Bem, eu costumava ser um ator...”. Essa foi uma das primeiras falas de Hugh Laurie no show que começou às 22h10, no Citibank Hall, em São Paulo. Talvez a intenção fosse de alertar para a plateia que ali eles não veriam um senhor ranzinza, que manca, usa bengala e diz que todos mentem (características de seu famoso personagem, o protagonista da série House). Estava ali o músico e, acima disso, o pesquisador musical Hugh Laurie, que reúne nos palcos o que conhece sobre jazz, blues e R&B.

Na verdade, o show já começa antes, com o palco sempre iluminado, desde a abertura dos portões, evidenciando um cenário repleto de abajures e um lustre. Parte da plateia entrava e já ia até a boca do palco para tirar fotos.

O primeiro som que veio dele foi uma dobradinha de “What a Man” (famosa na voz da Linda Lyndell) e “IkoIko”, música tradicional do Carnaval de Nova Orleans. Logo no começo do show, Hugh Laurie mostrou suas influências mais diretas: o jazz – mais precisamente de Memphis, com a Stax, gravadora de Linda) e as músicas tradicionais norte-americanas, especialmente da região de Nova Orleans.

Laurie falou muito com a plateia e pediu para que quem estivesse entendendo seu inglês traduzisse para quem estivesse do lado. A cada música, Laurie tinha uma piada ou um comentário. Isso, ao contrário do que se possa imaginar, não quebrou o ritmo do show. Até porque o nível de tietagem estava alto: gritos, especialmente femininos, deram o tom dessas pausas, com direito a uma tentativa de invasão do palco.

A banda que foi criada para acompanhar Laurie é irrepreensível. A Copper Bottom Band tem sete músicos e muda sua formação conforme a demanda: vira um trio vocal em “Lazy River” (de HoagyCarmichael), um grupo de tango em “El Choclo” ou um grupo de samba em “Mas Que Nada”, que encerrou o show numa versão idêntica à de Sergio Mendes – com direito às vocalistas mandando aquele português carregado de sotaque.

Hugh Laurie estava no controle mesmo quando estava ao piano, no canto direito do palco. Além de cantar e tocar piano, ele toca guitarra e arriscou uns passos de dança – bem desengonçados, diga-se de passagem. Foi poucas vezes ao centro do palco e deixaou sua banda brilhar, com destaque para as vocalistas Gaby Moreno (da Guatemala) e Jean McClain, que, em diversos momentos, pareciam as donas do show.