SinoVac pediu fim de ataques de governo Bolsonaro à China para evitar atraso de insumos da Coronavac

Segundo documentos obtidos pelo O Globo, a farmacêutica chinesa pediu mudança de postura do governo Bolsonaro para garantir insumos para fabricação da vacina

Redação Publicado em 09/06/2021, às 12h00

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Jair Bolsonaro (Foto: Andressa Anholete / Getty Images)

A farmacêutica chinesa SinoVac cobrou o fim de ataques do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) à China para garantir o envio de insumos para produção da vacina CoronaVac. Segundo documentos sigilosos do Itamaraty obtidos pelo O Globo, o presidente da empresa pediu a mudança no posicionamento político brasileiro.

O documento reproduz uma carta enviada pela Embaixada do Brasil em Pequim ao Ministério das Relações Exteriores (MRE). No ofício, relata-se uma reunião ocorrida em 19 de maio de 2021 entre representantes brasileiros e o presidente da SinoVac, Weidong Yan.

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Conforme noticiado pelo O Globo, na reunião, o executivo pediu o fim dos ataques à China para garantir relação “mais fluida” entre os países. Ainda, Yan falou sobre a importância da mudança para a realização das exportações dos insumos.

No dia, o executivo ainda teria falado sobre a utilidade “que o acordo entre as empresas fosse visto como uma demanda do governo brasileiro”. O conteúdo do documento vai contra depoimentos da CPI da Covid nos quais se defende que as falas do presidente não impactaram as negociações com a China para fornecimento de insumos. 

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O documento também afirma que o executivo da SinoVac sugeriu para o Brasil o envio de uma correspondência “no nível político” para falar sobre as expectativas sobre a quantidade de insumos e o cronograma de suprimento de vacinas. “Deu a entender que esse documento poderia ajudar a empresa em suas conversações com o Waijiaobu (Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China),” disse o ofício.


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